FBI alerta para protestos armados nos EUA

Publicação: 2021-01-13 00:00:00
O FBI alertou que grupos de extrema direita planejam manifestações armadas nas capitais dos Estados neste fim de semana. Dias após a invasão do Capitólio, o aviso provocou uma corrida dos governadores para reforçar a segurança a prédios administrativos e evitar que as cenas vistas em Washington se repitam em escala local.

Créditos: GERALD HERBERT/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDODonald Trump afirmou não estar preocupado com o possível acionamento da 25ª emendaDonald Trump afirmou não estar preocupado com o possível acionamento da 25ª emenda

O alerta do órgão constava em um memorando, que é uma espécie de "produto bruto de inteligência", que compila informações coletadas pelo FBI e por outras agências do governo. Algumas das ameaças não foram checadas e provavelmente haverá diferença entre os atos de um lugar para o outro, mas a informação é de que há planos de extremistas para todas as 50 capitais dos Estados.

Os dados destacados no memorando causaram preocupação. Há informações sugerindo que extremistas poderiam invadir escritórios do governo ou iniciar um levante em defesa de um segundo mandato de Trump - que perdeu as eleições no voto popular e também no colégio eleitoral.

O FBI não quis comentar o memorando, revelado em primeira mão pela ABC News. Autoridades de muitos Estados já começaram a tomar medidas para aumentar a segurança e planejar respostas mais duras aos protestos em comparação ao que foi visto na semana passada.

No sábado, manifestantes armados cercaram o Capitólio de Kentucky. Vestidos com roupas camufladas e carregando armas de assalto e algemas, prometeram continuar a apoiar Trump enquanto protestavam contra o governador democrata Andy Beshear e o líder da maioria no Senado, o republicano Mitch McConnell.

Em Wisconsin, funcionários do Estado começaram a proteger as janelas do Capitólio estadual na segunda. No Arizona, funcionários públicos ergueram uma cerca de arame de dupla camada ao redor do complexo do Capitólio, em Phoenix.

O governador democrata de Washington, Jay Inslee, convocou 750 soldados da Guarda Nacional para ajudar a proteger o Capitólio.

Ontem,  o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que está sob pressão para renunciar depois que seus apoiadores invadiram o Capitólio na semana passada, afirmou não estar preocupado com o possível acionamento da 25ª emenda para retirá-lo do cargo e disse que seus comentários minutos antes do incidente foram totalmente apropriados. Nos dias finais de seu mandato, ele comentou que essa emenda "voltará para assombrar Joe Biden e o governo Biden". As declarações foram dadas ontem.

"A 25ª emenda é de risco zero para mim", disse Trump em Alamo, no Texas, onde visitou uma seção do muro que delimita a fronteira EUA- México – e cuja construção foi um dos pilares de sua campanha.

Mais cedo, a caminho de Alamo, Trump conversou com repórteres na Base Andrews.  “As pessoas acharam que o que eu disse era totalmente apropriado”, disse. O republicano afirmou que os protestos por justiça racial no ano passado foram "o problema real".

"Se você olhar o que outras pessoas disseram, políticos de alto nível, sobre os distúrbios durante o verão, os horríveis distúrbios em Portland e Seattle e vários outros lugares, isso foi um problema real”, disse Donald Trump.

Investigadores recebem pistas de participantes 
O FBI abriu mais de 160 casos relativos à invasão do Capitólio na última semana, e recebeu pelo menos mil pistas relativas aos participantes, afirmou o líder do escritório de Washington, Steven D'Antuono. Em coletiva de imprensa, o investigador afirmou que os participantes dos distúrbios "serão presos".

Segundo D'Antuono, indivíduos nas semanas anteriores foram monitorados expressando a intenção de causar problemas na capital, e as informações que o FBI detinha foram compartilhadas com polícia do Capitólio e parceiros. No entanto, não havia elementos específicos que permitissem a abertura de uma investigação.

Representando o Departamento de Justiça, o procurador do distrito de Columbia Michael Sherwin afirmou que há legislação no país para punir bombas em diretórios de partidos além de terrorismo, após ser questionado sobre o enquadramento dos explosivos encontrados nas representações de democratas e republicanos.

Segundo Sherwin, havia elementos que demonstravam a intenção de detonação, mas a legislação federal permite uma punição além do enquadramento como terrorismo doméstico. O procurador afirmou ainda que foi aberto um procedimento específico para ameaças à imprensa, que foi um alvo constante.