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Publicação: 2019-12-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Tem razão o vereador petista Fernando Lucena - devo dizer que nossas visões políticas quase nunca andam juntas - quando protesta com veemência contra o fechamento do hospital Ruy Pereira. Se outra verdade não nos unisse, bastaria o fato de que fechar hospital público, ao invés de reequipá-lo e mantê-lo funcionando bem, não deveria ser permitido, como é crime fechar escola e delegacia. Os próprios índices de reclamações e denúncias atestam o absurdo.

Não seria estranhável que uma fiscalização técnica suspendesse o atendimento e seus serviços para a comunidade que depende do SUS, se a medida refletisse cuidado em preservar a vida dos pacientes para só depois, e recuperado, reabri-lo. Fechá-lo de vez e numa decisão que chega com os lacres do Governo do Estado e do Ministério Público, significa decretar a  possibilidade real, e até urgente, de tê-lo funcionando para atender aos sem planos de saúde.

Ora, se a primeira função da lei é social, sua plenitude se observou na fiscalização da qualidade da assistência médica que vinha prestando, mas faleceu no efeito seguinte, quando a mesma força legal não garantiu sua reabertura. A própria aplicação da lei não pode perder de vista o risco temerário da decisão quando não considera as graves consequências, o que acaba anulando o bem feito diante de uma saúde pública que chega hoje aos cumes da precariedade.

Depois, se entes jurídicos decidem assim, verticalmente, no caso o Governo e o MP, a quem a sociedade vai recorrer, ela que paga com impostos os serviços públicos determinados pela Constituição? Não há responsabilidade individual pela decisão. Foi imposta por acordo e, no acordo, ficou de fora a sociedade, sob a alegação de que o Estado não teria como implantar de forma correta a prestação de serviços. A lei entregou à própria sorte os mais necessitados?

Essas coisas só acontecem quando o Estado e a Nação são mantidos distantes um do outro. O Estado acusador não é o Estado defensor da sociedade. Esta vive órfã dos direitos escritos e inscritos no aparato constitucional que rege a Nação como se fossem apenas, e tão somente, leis do Estado. E pior: em ninguém, em nenhuma instituição pública, nasce a salutar indignação. Fica o dito e o escrito pelo não dito e não escrito e cada um reze para não adoecer.

A política como arte e como ciência morreu. Governar é fazer o bem, como um dia advertiu Cortez Pereira, o quase monge beneditino, de tão vinculado ao sentido da vida. E foi essa fortuna da consciência cristã que a política desgraçadamente perdeu porque os políticos não a exercem como vocação inarredável, mas entre as fraldas de um despreparo que dilacerou a missão de liderar em nome do bem estar coletivo. Neles já não pulsa a ira santa.

PALCO

NOME - Feita a transferência do bispo de Caicó, Dom Antônio Cruz, para o Rio ou Minas Gerais, o nome para ser bispo e assumir o lugar é o do padre Flávio Augusto Melo. Anotem.

FEIO - O governo da professora Fátima Bezerra não paga o jeton do Conselho de Educação desde fevereiro de 2019. O detalhe arrasador é o valor do jeton dos conselheiros: R$ 38 reais.

TIRO - O secretário Jaime Calado divulgou, outro dia, um dado-furação: no mesmo período em que a Paraíba criou 20 mil novos empregos, nosso RN viu descer exatos 20 mil pelo ralo.

MAS - Se a prática demonstrar a penalização dos municípios atingidos o governo tem o dever de fixar a saída compensatória. Um governo democrático não faz dos fracos as suas vítimas.
ELES - Na revista do TCE de ex-presidentes, dois destaques: Genibaldo no velho e belo sofá de couro da fazenda ‘Pau Leite’, símbolo da infância; e Haroldo Bezerra no estilo sertanejo. 

BILHETE - Para Volontê, poeta e andarilho urbano: sensacionais as três edições do nosso Fantasma, o Espírito-que-anda, no box com suas três grandes aventuras em HQs. Gratíssimo.

BRILHO - A artista natalense Lidia Quaresma está expondo seus quadros no Museu D. Diogo de Souza, em Braga, Portugal. E mereceu um registro nas páginas do jornal daquela cidade.

JOGO - De um boêmio, os olhos no mormaço do uísque, pergunta a Dino, o filósofo do Beco da Lama, se ele acredita que o plenário é soberano: “Depende. Para umas coisas e outras não”. 

CAMARIM

RETRATOS - Três revistas, de tendências claramente distintas, circularam esta semana, por coincidência, com o mesmo retrato do Brasil de hoje. Um fio condutor mostra a preocupação e a resistência diante da censura do regime autoritário instalado pelo governo Jair Bolsonaro.

IMAGENS - A matéria de capa de Veja, a mais tradicional, hoje pertencente a um banqueiro, um grafiteiro escreve no muro: “Abaixa a ditadura”. Na ‘Isto é’ o riso de Bolsonaro cercado de auxiliares e o título: ‘A vez da ignorância’, com as declarações estapafúrdias de todos eles. 

GRITO - A capa da ‘Carta Capital’, esta de tendência claramente petista, o título é um grito sobre os rostos censurados com um forte traço vermelho fechando as bocas de Chico Buarque, Fernanda Montenegro, Gilberto Gil e Caetano Veloso: ‘Calem-se’: guerra contra os artistas’.




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