Cookie Consent
Natal
Felipe Camarão, na Zona Oeste, foi a região mais afetada
Publicado: 00:00:00 - 05/07/2022 Atualizado: 23:12:27 - 04/07/2022
Vinte e cinco famílias tiveram que deixar suas casas na Rua Mirassol, no bairro Felipe Camarão, zona Oeste de Natal, por causa das fortes chuvas que caíram na capital ao longo do último fim de semana. Moradores da região dizem que o volume de água começou a preocupar ainda na madrugada da quinta-feira (7) para a sexta (8). A população improvisou barricadas na esquina com a Rua Mirai para tentar conter a força da água, mas a barreira logo cedeu e a megacratera de aproximadamente 150 metros, que tomou toda a via, começou a se abrir. Ainda não há previsão para que a rua seja totalmente recuperada.

Magnus Nascimento
Famílias tiveram que deixar suas casas na Rua Mirassol, em Felipe Camarão. Problema de drenagem causou os prejuízos

Famílias tiveram que deixar suas casas na Rua Mirassol, em Felipe Camarão. Problema de drenagem causou os prejuízos


No domingo (3), as casas foram interditadas pela Defesa Civil e a Prefeitura disponibilizou abrigos para as pessoas afetadas. A família de Raniel Vital e Elaine Cristina precisou deixar a casa onde mora por causa do risco de desabamento. Pais de crianças com autismo e transtorno de déficit de atenção, eles passaram a noite do domingo na casa de parentes, mas retornaram à casa na manhã de ontem (4). “Deram a opção da gente ir para o abrigo, mas como minha mãe mora aqui perto, a gente decidiu ir para lá. Voltamos para ver como tava a situação”, diz Raniel.

“Foi assustador. Aqui quando chove corre muita água mesmo. Na madrugada da quinta para sexta tentaram fazer um serviço ali [na esquina], que a gente sabia que ia dar errado. Colocaram um cano menor e arrodearam de saco de areia, quando foi lá pelas 6h a represa estourou e as crateras começaram a abrir. A gente tá aqui, mas sempre em alerta, com as bolsas aqui, tudo preparado. Para a gente que tem criança especial, é muito complicado ficar em abrigo, na casa dos outros. Eles não se adaptam assim”, complementa Elaine Cristina.

A Prefeitura montou três abrigos, que funcionam nos espaços: Escola Municipal Henrique Castriciano, no bairro das Rocas; Escola Municipal Nossa Senhora da Apresentação, no bairro Nossa Senhora da Apresentação; e na Escola Municipal Professora Maria Cristina Osório Tavares, em Felipe Camarão. A capacidade total dos abrigos é para 100 pessoas. Na Escola Nossa Senhora da Apresentação dez pessoas foram acolhidas. 

Equipes da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), Secretaria de Mobilidade Urbana (STTU) e Defesa Civil  trabalham para conter danos na região desde o sábado (3). O titular da Seinfra, Carlson Gomes, visitou a Rua Mirassol e diz que irá tentar firmar parcerias com as esferas estadual e federal de governo para reconstruir a via “o mais rápido possível”. “Estamos trabalhando, trabalhamos até pela madrugada e vamos continuar. Estamos buscando parcerias com o Governo do Estado e com o Governo Federal, já que foi decretado um estado de calamidade pública pelo prefeito. A ideia é retomar o grande volume da obra e fazermos inicialmente a limpeza porque a previsão é de mais chuvas”, diz Gomes. 

O secretário diz que o buraco pode ter sido causado por um problema de drenagem, que não tinha capacidade de absorver um grande volume de água em um intervalo tão curto de tempo. “Isso se agravou no sábado, no domingo, que foi mais um dia chuvoso, nós passamos a dar um direcionamento para a água. Pedimos a interdição da BR-226 porque tínhamos que dar uma vazão maior a água para não atingir as casas. Passamos a noite aqui trabalhando para preservar a lateral das casas.

O aposentado José da Silva também teve a casa interditada pela Defesa Civil. “Passaram aqui mandando todo mundo sair, mas para onde que eu vou? Lá em casa são dez pessoas, a gente não tem para onde ir não. Só de criança são três. Não tem água para cozinhar, não tem água para beber, minha caixa secou. Hoje de manhã meus netos se levantaram, que moram lá em casa, perguntando o que ia comer, o que ia beber e eu disse que não sabia. A situação está complicada mesmo, a gente pede que mandem pelo menos um carro-pipa”, desabafa.

A cratera que se estende na Rua Mirassol por um quarteirão – da esquina com a Rua Mirai ao cruzamento com a BR-226 – foi a consequência mais aparente dos estragos causados pela chuva, diz o secretário Carlson Gomes. Além disso, casas que ficam nos arredores de lagoas de captação também sofreram com enchentes. A aposentada Maria Lúcia, que mora na frente da lagoa de São Conrado, no bairro de Nossa Senhora de Nazaré, colocou sacos de areia para impedir a entrada da lama em casa.

Mesmo com a barreira improvisada, ela diz que acabou perdendo móveis. “Fazia tempo que isso não acontecia. Pode ver aqui que a água entrou molhou sofá, guarda-roupa, cama. Quando o nível da lagoa subiu, a lama começou a sair pela encanação e foi um desespero só. Moro aqui há uns 30 anos e essa é a minha nona enchente. Aqui a lama invadiu tudo, vai ser uma semana para conseguir limpar tudo e o medo da gente é chover mais, como sempre. É uma situação difícil demais”, conta.

Leia também

Plantão de Notícias

Baixe Grátis o App Tribuna do Norte

Jornal Impresso

Edição do dia:
Edição do Dia - Jornal Tribuna do Norte