Festa do Boi 2020 está mantida, mas terá novo formato

Publicação: 2020-08-01 00:00:00
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O maior evento agropecuário do Nordeste, a Festa do Boi, está planejado para acontecer este ano, apesar da pandemia do novo coronavírus. Ainda sem data de realização, a exposição está mantida, mas com mudanças no formato para seguir protocolos de segurança sanitária. O novo formato vai ser definido na próxima terça-feira (4) pela Associação Norte-Riograndense de Criadores (Anorc). Entretanto, a Secretaria de Estado de Agricultura e Pecuária (Sape/RN) garantiu que o evento deve acontecer de forma presencial, mas sem os tradicionais shows e o parque de diversão.

Créditos: Alex RégisEvento deve acontecer de forma presencial, mas terá menos atrações e foco na exposição de animaisEvento deve acontecer de forma presencial, mas terá menos atrações e foco na exposição de animais


Por causa das mudanças sanitárias necessárias para evitar a contaminação da covid-19, a Festa do Boi deve reduzir suas atrações de lazer e focar na exposição. A Sape espera gerar metade dos recursos financeiros da última edição, em 2019. Na edição, o volume chegou a R$ 50 milhões movimentados, dos quais R$ 30 milhões foram com a venda de animais, máquinas e implementos. “A gente espera ter pelo menos R$ 25 milhões de vendas de animais, máquinas e implementos este ano, que provavelmente vai ser um dos únicos papéis da Festa do Boi este ano”, afirmou o titular da Sape, Guilherme Saldanha.

O novo formato da Festa do Boi será apresentado até o dia 15 deste mês ao comitê técnico de cientistas da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap) para avaliação dos protocolos de segurança. Saldanha acredita que não vai haver problemas na realização do evento, tradicionalmente feito em outubro, desde que as medidas sejam adotadas, porque o comitê deu parecer favorável no último dia 27 de julho às vaquejadas - com devidas restrições. “Se espera que a pandemia esteja em um outro momento também, que já estamos observando agora. Por isso temos o planejamento sim de realização da Festa do Boi”, disse.

Durante a pandemia do novo coronavírus, o setor agropecuário do Rio Grande do Norte realizou pelo menos um evento de vendas de animais virtuais. O evento foi realizado entre os dias 4 e 12 de julho. Segundo Guilherme Saldanha, 40% dos animais ofertados na feira foram vendidos virtualmente. Ele considerou o resultado positivo e disse que algumas lições podem ser levadas à Festa do Boi.

Uma alternativa pensada é a realização virtual de palestras, que fazem parte das atrações da Festa do Boi. “Às vezes se torna até algo mais acessível, ao possibilitar que as pessoas assistam uma palestra técnica com apenas um celular. A gente precisa utilizar mais isso, mas são pontos que ainda estão sendo definidos”, declarou.

O presidente da Anorc/RN, Marcelo Passos, preferiu não adiantar quais mudanças a Anorc cogita para a exposição, mas disse que espera ser um ano atípico. “Não considero os eventos virtuais como exposições, são mais como ‘shoppings’. As exposições têm uma dinâmica própria, com classificação de animais e outros pontos. Eu espero que este ano seja um ano atípico, mas que a humanidade possa atravessar para fazer que as coisas voltem ao normal depois”, afirmou.

Saldanha vê a Festa do Boi com otimismo graças aos números do setor agropecuário no Rio Grande do Norte. A agropecuária é um dos únicos setores da economia que menos teve prejuízo com o novo coronavírus e é uma aposta para os países que buscam uma retomada econômica após a pandemia. “Eu estou muito otimista. Este ano nós temos a expectativa de bater os recordes de exportação de frutas aqui no Rio Grande do Norte, voltamos a exportar o camarão. O setor agropecuário sai fortalecido desta pandemia.”