Festival celebra a Doçaria do Seridó

Publicação: 2019-09-27 00:00:00 | Comentários: 0
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A gastronomia do Seridó potiguar é amplamente celebrada, e desta vez chegou a hora da sobremesa: sexta e sábado Caicó receberá a 1ª edição do Encontro de Doceiras do Seridó, um evento para discutir, conhecer, cozinhar e degustar a parte mais doce dessa culinária ancestral. A celebração açucarada vai reunir não só as doceiras, mas também chefs, pesquisadoras, antropólogas, professoras e apreciadores das guloseimas da região. O festival foi vencedor do edital de economia criativa 2019 do Sebrae-RN.

O doce de Chouriço é iguaria antiga da doceria seridoense
O doce de Chouriço é iguaria antiga da doceria seridoense

A programação inclui comercialização e degustação dos produtos, feira de artesanato, premiação dos melhores doces, lançamento de cordel, palestras, oficinas e apresentações culturais.      O cardápio da festa vai ressaltar as iguarias que muitos potiguares já conhecem – e outros terão o prazer de conhecer: filhós com mel, chouriço, doce de leite e de frutas, doce seco, sequilhos, raivas, e bolos regionais variados.        

A feirinha de doces e artesanatos que estará montada na Praça Monsenhor Walfredo Gurgel, em frente à catedral, vai reunir produtores artesanais de diversos municípios do Seridó. Além de Caicó, estarão presentes gente de Acari, Carnaúba dos Dantas, Cerro Corá, Currais Novos, Equador, Florânia, São Fernando, São João do Sabugi, e Timbaúba dos Batistas. Essa turma promete apresentar mais de 50 receitas diferentes para apreciação.

A programação da sexta contará com a oficina de filhós de batata e sem lactose da cozinheira Ires Viegas, de Jardim do Seridó, às 17h. A partir das 18h, um bate-papo com o tema “Doçaria Seridoense: um patrimônio cultural alimentar”, a cargo Maria Isabel Dantas, pesquisadora e coordenadora do museu virtual “Doces do Seridó”, e Julie Cavignac, antropóloga francesa e especialista das questões patrimoniais e quilombolas no RN. Já a chef Lúcia Soares, professora de confeitaria da Universidade Anhembi Morumbi (SP), falará sobre “A (res)significacão do doce tradicional como resistência das identidades culturais regionais”.

Cardápio da festa vai ressaltar as iguarias conhecidas e raras dos potiguares, como o doce Espécie, utilizado também como recheio do Doce Seco
Cardápio da festa vai ressaltar as iguarias conhecidas e raras dos potiguares, como o doce Espécie, utilizado também como recheio do Doce Seco

As aulas-shows começarão às 19h30, na sexta, com a professora Lúcia César e alunas do IFRN falando sobre geleias de frutas regionais, e a gastróloga, professora e chef Luciana Câmara, discutirá as “Raízes Sertanejas”, abordando técnicas inovadoras e práticas. E às 21h30 tem lançamento do cordel “Doçaria do Seridó”, da poetisa Lourdinha Medeiros.

No sábado, a oficina será de doce seco, por Dona Zélia, de São João do Sabugi, às 17h. A partir das 18h, bate-papos saborosos com a colunista e chef Karina Maia e o tema “Uma doce mistura: patrimônio gastronômico regional e atividade turística local”; o engenheiro agrônomo e gerente do Sebrae Pedro Medeiros com “Mercado e Tendências para doces artesanais”, e a geógrafa e cozinheira Jucicléa Azevedo com “No fim, a cozinha me inquieta”.

Groselha, biscoito palito e castanha
A primeira aula show da noite, às 19h30, terá o chef e publicitário Daniel Simplício com o tema “O Melhor Brigadeiro da Cidade”, mostrando receitas com manteiga da terra, banana, queijo, doce de groselha, biscoito palito e castanhas; em 2018 ele foi finalista do concurso Melhor Brigadeiro do Brasil, do programa Mais Você, da Globo. Outra aula, “As Origens da Doçaria Brasileira: a fartura no Doce Seridó”, será da chef Lúcia Soares. Às 21h30, o jornalista e cineasta Raildon Lucena lançará o documentário “Doçaria do Seridó”.

Favorito da biscoitaria seridoense, biscoito Palito será tema oficina
Favorito da biscoitaria seridoense, biscoito Palito será tema oficina

“Essa culinária representa um trabalho que envolve todo o grupo familiar. É uma característica bem forte dela”, afirma Julie Cavignac, que na ocasião também lançará o livro “Comida da Terra – Notas Sobre o Sistema Alimentar do Seridó” (Ed. Sebo Vermelho), de sua autoria junto com Muirakytan Macedo, Danyelle Silva e Isabel Dantas. A antropóloga falará sobre a identidade seridoense através de sua comida, e também destacará a contribuição da mulher negra escrava, que atuava diretamente na cozinha, e costuma ter sua presença apagada na região. “É acima de tudo uma cozinha afetiva, que remete muito ao passado”, diz.

Serviço:
I Encontro de Doceiras do Seridó. Sexta e sábado, a partir das 17h, em frente à Catedral de Sant’Ana, Caicó. Acesso gratuito. Para conhecer o trabalho das doceiras do Seridó acesse www.doceirasdoserido.com.br onde constam receitas.





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