Fetarn prevê queda de 60% na safra

Publicação: 2010-04-07 00:00:00 | Comentários: 0
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O atraso e a baixa intensidade das chuvas que têm caído nos últimos dias tem um impacto inversamente proporcional e desastroso na produção agrícola do Estado. A estimativa da Federação de Trabalhadores em Agricultura do Rio Grande do Norte (Fetarn) é de queda de até 60% na safra de milho, feijão, macaxeira cultivadas por agricultores de regime familiar nas regiões do Mato Grande, Trairi e Central.  Os pequenos produtores são responsáveis por 80% da produção agrícola do Rio Grande do Norte.

As chuvas para estas regiões, além das regiões do Alto e Médio Oeste do Estado, que costumeiramente iniciam no início de março, ainda não chegaram e a previsão é de que sejam breves. O resultado desse atraso pode ser visto nos roçados pelo interior do estado. A lavoura plantada no período regular à espera de água para fecundar a terra, está queimando nos campos.

“Não é um ano bom de chuvas. Pode até caracterizar uma seca verde, fato é que  a pouca chuva deve trazer grande prejuízo em algumas regiões. A queda na produção pode chegar a 60%, principalmente nas regiões Central, do Mato Grande e Trairi. É preocupante”, observa o presidente da Fetarn Ambrósio Lins do Nascimento.

O reflexo da falta de chuvas já começa a ser sentido na hora de levar para casa cereais, frutas e verduras. O aumento no preço destes produtos já sofre uma variação considerável, tanto em feiras livres, quanto em supermercados. Mas  Ambrósio Lins adverte, o impacto no bolso do consumidor deverá ser sentido de fato a partir do próximo ano.

Segundo o presidente da Federação, muitos dos agricultores não se recuperaram das perdas provocadas pelos alagamentos ocorridos nos dois anos anteriores. “O agricultor  precisa de uma política de amparo para não amargar dificuldades. As medidas e o apoio dado pelo governo é insuficiente, porque ao contrário do que acontece com a fruticultura irrigada, dos grandes produtores, não contamos com reservatório, sistema de irrigação, créditos diferenciados. O pequeno não tem essas regalias”, avalia Lins.

A “ajuda” inicial deverá vir do pagamento do seguro “Garantia Safra”, um fundo de amparo do governo federal, em parceria com o governo do Estado, municípios e os mutuários, para produtores hortifrutigranjeiros da região Nordeste. “A Fetarn junto com o movimento sindical nacional deverá pedir no Congresso anual, próximo mês em Brasília, a antecipação e ampliação do pagamento deste benefício como forma de evitar que os trabalhadores sofram com o prejuízo”, disse o presidente.

Segundo dados da Secretaria de Agricultura do Estado, existem hoje  25.296 agricultores de 87 municípios potiguares cadastrados no programa. O garantia safra prevê o pagamento de R$ 600 por família, dividido em quatro parcelas, em caso de perda de 50% da safra, por excesso ou escassez de chuvas. O pagamento da primeira parcela está previsto para o mês de outubro. O prazo  considera o período de colheita.

“Não há previsão de antecipação, mesmo porque não dá como avaliar antecipadamente”, disse o coordenador de eventos e comunicação Ricardo Valério. Vale lembrar que as prefeituras precisam se cadastrar no programa, junto à Secretaria Estadual de Agricultura, com uma contrapartida de R$ 18,00, por agricultor. Cada agricultor arca com R$ 6,00, o Estado com R$ 38, por agricultor e o restante pelo governo federal. O prazo de inscrição está aberto para a safra de 2011.

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