FHC diz não ter relação com Brasif

Publicação: 2016-02-20 00:00:00 | Comentários: 0
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São Paulo (AE) - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reafirmou  ontem que nunca utilizou qualquer empresa, exceto bancos, para fazer remessas de recursos a pessoas no exterior e lamentou o "uso político de uma questão pessoal" no episódio envolvendo a jornalista Mirian Dutra, com quem ele teve um relacionamento extraconjugal nos anos 1980 e 1990. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Miriam afirmou que Fernando Henrique teria usado uma empresa, a Brasif Exportação e Importação, que foi concessionária até 2006 das lojas duty free em aeroportos brasileiros, para enviar dinheiro a ela entre dezembro de 2002 e dezembro de 2006.
Renato Araújo/AbrFernando Henrique lamenta exploração política e se defende sobre remessa ilegal ao exteriorFernando Henrique lamenta exploração política e se defende sobre remessa ilegal ao exterior

"Todas as remessas internacionais que realizou obedeceram estritamente à lei, foram feitas a partir de contas bancárias declaradas e com recursos próprios resultantes de seu trabalho. Não tem fundamento, portanto, qualquer ilação de ilegalidade. O presidente lamenta o uso político de uma questão pessoal", afirmou a assessoria do ex-presidente em nota.

Em nota divulgada anteontem, o ex-presidente tucano afirmara que, "com referência à empresa citada no noticiário (Brasif), trata-se de um contrato feito há mais de 13 anos, sobre o qual não tenho condições de me manifestar enquanto a referida empresa não fizer os esclarecimentos que considerar necessários".

Por causa da referência à empresa Brasif feita pelo ex-presidente na nota, o jornal O Estado de S. Paulo publicou em sua edição de ontem que Fernando Henrique admitia ter firmado contrato com a empresa, uma interpretação equivocada do texto. Na nota anterior, FHC também afirmou que fez dois testes de DNA nos Estados Unidos para reconhecimento de paternidade do filho de Mirian, Tomás. "Para nossa surpresa, o primeiro teste deu negativo, daí o segundo, que também comprovou que não sou pai biológico de Tomas", disse.

"A despeito disso, procurei manter as mesmas relações afetivas e materiais com o Tomás. Daí que tivesse continuado a pagar sua matrícula e sustento em prestigiada universidade americana. Da mesma forma, doei um apartamento a ele em Barcelona, bem como alguns recursos para fazer os estudos de mestrado e, quando possível, atendo-o nas necessidades afetivas."

Segundo FHC, "os recursos para tanto provieram de rendas legítimas" de seu trabalho, "depositadas em contas legais e declaradas ao IR, mantidas no Banco do Brasil em NY/ Miami ou no Novo Banco, Madri, quando não em bancos no Brasil".

Ontem, a Brasif  informou que a jornalista Mirian Dutra foi contratada para realizar "pesquisas sobre preços em lojas e free shops" na Europa, mas negou que FHC tenha participado da decisão.

À Folha, a jornalista afirmou que assinou contrato fictício de trabalho com a Brasif e que foi por esse expediente que FHC teria enviado remessas de US$ 3.000 mensais como forma de "suplementar" sua renda.

De acordo com a Brasif, o jornalista Fernando Lemos, cunhado de Miriam, foi o responsável pela indicação. "O ex-presidente  não teve qualquer participação nessa contratação, tampouco fez qualquer depósito na Eurotrade ou em qualquer outra empresa da Brasif".

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