Fidel Castro foi apontado como “herói e ditador”

Publicação: 2016-11-27 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Fidel Castro — que morreu na noite de sexta-feira, dia 25 de novembro do 2016, às 22h29 — podia fazer discursos que duravam horas. Às vezes, o carismático revolucionário prendia seu público durante cinco, até sete horas. Seu alvo favorito nunca mudou, e até o fim da vida ele foi um incansável crítico do arqui-inimigo: os Estados Unidos da América. "A multinacionais yankees jamais renunciarão ao controle das terras, das águas, das minas, dos recursos naturais de nossos países", escreveu o ex-chefe de Estado, de governo, do Exército e do Partido Comunista – o único oficialmente reconhecido – na edição de 16 de abril de 2012 do Granma, o órgão oficial do partido.
david santiagoComunidade cubana residente em Miami, na Flórida (EUA), comemorou o anúncio da morte de Fidel CastroComunidade cubana residente em Miami, na Flórida (EUA), comemorou o anúncio da morte de Fidel Castro

Fidel, como é chamado por muitos cubanos, escolheu cedo lutar pelo socialismo e lutou toda a vida pelo seu ideal de justiça e pela independência de Cuba. Ele nutria ódio às nações industrializadas e sua ordem econômica capitalista.

Advogado
Fidel Alejandro Castro Ruz nasceu em 1926, em Birán, no leste de Cuba. Alguns historiadores citam 1927 como o ano de nascimento. Ele e seus seis irmãos cresceram num ambiente abastado. Depois de estudar Direito, Fidel se estabeleceu como advogado em Havana. Sua clientela seria composta principalmente por habitantes dos bairros mais pobres. Ele já atuava politicamente nos tempos de universitário, chegando a se candidatar em 1952 às eleições parlamentares. Mas as votações não chegaram a acontecer devido ao golpe de Estado promovido por Fulgencio Batista.

A partir desse momento, Fidel passou a ter como sua principal meta derrubar o ditador, reunindo em torno de si pessoas com essa mesma intenção – entre elas, Ernesto "Che" Guevara. As tentativas promovidas pelo exército rebelde de Fidel fracassaram em 1953 e 1955, e o comandante en jefe foi forçado a fugir para as montanhas.

“Quando Castro anunciou que derrubaria Batista, as pessoas pensavam que ele não estava muito bem da cabeça", afirma Volker Skierka, jornalista alemão e autor de uma biografia sobre o "máximo líder". Foi então que aconteceu o triunfo que o transformou num libertador, aos olhos de muitos cubanos e de seus seguidores. Batista fugiu da ilha. Em 1° de janeiro de 1959, Castro proclamou o triunfo da revolução e chegou ao poder na nação caribenha, consolidando-o, a partir de então, de forma contínua.

Com seus planos socialistas, Fidel atraiu repetidamente contra si a ira dos Estados Unidos – encontrando aliados no chamado bloco comunista, incluindo a Alemanha Oriental. De acordo com estimativa do Ministério alemão do Exterior, cerca de 30 mil cubanos estudaram ou trabalharam na Alemanha, especialmente na antiga Alemanha Oriental.

A União Soviética apoiou Cuba, a princípio financeiramente, e em 1962 também estacionou mísseis de médio alcance na ilha. Os EUA responderam prontamente, mas a chamada "crise dos mísseis de Cuba" conseguiu ser superada sem a temida guerra nuclear.

No entanto, o embargo comercial dos EUA a Cuba, que entrou em vigor naquele mesmo ano, ainda pesa sobre a relação entre os dois países – e sobre a economia da nação caribenha. Após o colapso da União Soviética, a situação econômica de Cuba voltou a piorar devido à dependência dos recursos vindos de Moscou.

Desde o início, Fidel investiu continuamente nos sistemas estatais de educação e de saúde. Até hoje, são considerados os melhores da região. Mas, ao mesmo tempo, negou a seu povo a liberdade de expressão e de informação, mandou opositores políticos para a prisão e "acertou as contas de forma implacável com seus inimigos", como definiu o ex-embaixador alemão em Cuba, Bernd Wulffen.

“Fidel Castro ficará em nossa memória como aquele que mandou prender centenas de pessoas apenas devido a suas pacíficas atividades políticas", ressalta Maja Liebing, especialista em Cuba da seção alemã da Anistia Internacional.

Entre políticos, reações vão aos extremos
Brasília (AE) - A morte do ex-líder cubano Fidel Castro gerou reações bem diferentes entre os políticos brasileiros. Uma das manifestações mais contundentes foi a comemoração do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que é membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, que o classificou de "exterminador de liberdades". "Fidel Castro, um grande exterminador de liberdades e promotor da miséria do mundo todo, certamente terá, ao lado de ídolos do PT, PCdoB e PSOL uma estadia eterna nas profundezas do inferno", disse Bolsonaro em vídeo.

Do outro lado do campo político, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, se referiu a Fidel como "comandante" - termo usado pelos cubanos que apoiam o governo. "Fidel foi um dos grandes personagens políticos da América Latina e do mundo do nosso tempo. A Revolução Cubana que conduziu junto com outros dirigentes de seu país foi uma realização do direito à autodeterminação dos povos, da busca da igualdade e justiça social e de defesa intransigente de seu país diante de ingerências externas", disse Falcão em nota. 

continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários