Fidelidade

Publicação: 2019-09-15 00:00:00 | Comentários: 0
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Diógenes da Cunha Lima
Escritor, advogado e presidente da ANL-RN

Para ser íntegro é preciso ser fiel. Nos últimos tempos, o homem tem crescido em longevidade e diminuído em ética. Talvez, o que mais falta, à humanidade, seja a virtude da fidelidade.

“Fiéis” são chamados aqueles que adotam uma religião.

Fidelidade exige compromisso no limite da capacidade humana. Aquele que tem essa qualidade preserva em seu comportamento as características originais da promessa feita à pessoa ou entidade. Dela participa a lealdade extrema.

Jesus Cristo ampliou o sentido de traição para aplicar o preceito de que não é apenas ao ato amoroso, mas também ao que se instala no coração. Ainda assim, o Divino Mestre foi advogado contra sentença de morte transitada em julgado e já começando a execução. Salvou a mulher adúltera. E recomendou-lhe a não repetição do crime (pecado) que a condenara.

A fidelidade é ato de liberdade, a assunção de um compromisso voluntário. É virtude que implica outras virtudes, como: humildade, gratidão, generosidade, bondade e, até mesmo, paciência. É condição para atingir a suprema virtude, a Justiça. É também um sinal de bom caráter, exercida sem interesses estranhos à sua promessa. Muitas vezes é um ato de amor, devotamento a uma causa ou a uma pessoa.

O maior castigo de uma pessoa adúltera é causado pelo próprio adultério. O traidor passa a sofrer a sua própria indignidade, dolorosamente. Deseja e não consegue sentir-se feliz com a realização do desejo.

Em contraste com a prática da virtude constante e duradora, existe, tristemente, a fidelidade ao vício, à atividade mais degradante do ser humano.

Em nome da fidelidade, nações adotaram históricas distorções. Assim, acontecem desde a Idade Média com a guerra aos infiéis, as Cruzadas cristãs(!?). Ocorre ainda com fundamentalistas islâmicos que pairam com ameaça no mundo atual.

Do lado positivo, essa virtude exige constância, permanência de hábito, superando a fugacidade da vida. Por outro lado, confere ao fiel um estado de satisfação muito próximo da felicidade.

Há muito tempo, as empresas entenderam a importância da fidelidade e passaram a utilizá-la como uma estratégia de negócio. Dessa forma, oferecem vantagens ao cliente que com elas repetem os atos de comércio.

Esta é a lição de Aldous Huxley: “Existe apenas uma pequena parte do universo que você saberá com certeza que pode ser melhorada, e essa parte é você. Seja fiel a si mesmo”.

A fidelidade a si mesmo é a mais difícil condição para ser fiel a outros. Ser fiel às origens, ao comprometimento, ao próprio ser.

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