Fila de espera para benefícios do INSS cai pela metade

Publicação: 2019-08-25 00:00:00 | Comentários: 0
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Mariana Ceci
Repórter

Camargo Filho é uma das pessoas que podem ser vistas diariamente em frente à sede do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) do bairro de Tirol, em Natal. Seu trabalho envolve abordar as pessoas que chegam à agência para oferecer acompanhamento jurídico no processo de solicitação dos benefícios. Do ano passado para cá, Camargo e os outros que trabalham na mesma função viram o número de clientes crescer, graças aos atrasos do INSS para a concessão dos benefícios, que tem feito com que cada vez mais pessoas recorram à Justiça para poder recebê-los. 

Este ano, o INSS no Rio Grande do Norte concedeu cerca de 11 mil benefícios, um número menor do que o total de pedidos acumulados há mais de 45 dias
Este ano, o INSS no Rio Grande do Norte concedeu cerca de 11 mil benefícios, um número menor do que o total de pedidos acumulados há mais de 45 dias

“Não é que seja culpa do  INSS. Faltam funcionários e a demanda vem aumentando muito, porque as pessoas estão com medo da reforma da previdência”, explica Camargo. Contado a partir da data de entrega dos documentos para análise, o tempo médio de espera no Brasil para ter uma resposta sobre o pedido de benefício é de 93 dias. Na capital potiguar, esse tempo aumenta para 118 dias. Muitos casos, no entanto, acabam aguardando muito mais do que a média estipulada.

No Rio Grande do Norte, 13.630 pessoas esperam notícias a respeito de seus processos há mais de 45 dias, um número que supera o total de benefícios que foram concedidos esse ano no Estado (cerca de 11 mil). A situação é reflexo de um cenário nacional: no Brasil, 1,4 milhão de benefícios encontram-se em situação de atraso, mais da metade do total de pedidos, que é de 2,2 milhões.

Apesar de ainda ser grande, o número vem diminuindo: em maio deste ano, 28 mil pessoas aguardavam uma resposta do INSS há mais de 45 dias, cerca de 30% do total de solicitações requeridas entre os meses de janeiro e abril deste ano. Três meses depois, o número reduziu em 51,32%.

Camargo Filho, de uma firma de advocacia, disse que este ano a demanda judicial tem aumentado
Camargo Filho, de uma firma de advocacia, disse que este ano a demanda judicial tem aumentado

A situação gera preocupação para muitos que pretendem dar entrada no pedido. Na sede do INSS em Tirol, por exemplo, aumentou o número de representantes de firmas de advocacia que oferecem orientação legal àqueles que vão dar entrada nos pedidos, como Camargo.

“Os casos de BPC [Benefício de Prestação Continuada], aposentadoria por invalidez e até mesmo os benefícios por idade estão extrapolando os prazos de análise. Muita gente não sabe, mas quando passam três meses da entrega da documentação, a pessoa deve procurar a Justiça. Ir à defensoria pública para dar entrada e recorrer à via judicial para conseguir seus direitos”, explica Camargo.

De acordo com ele, o principal problema que tem levado aos atrasos na análise dos benefícios é a redução no número de funcionários do INSS. Atualmente, o RN conta com 495 servidores ativos, distribuídos em 40 agências pelo Estado, 14% a menos do que 2017, quando tinha 573 servidores.

Dos servidores ativos, 298 encontram-se alocados na capital. De acordo com o próprio Instituto, muitos dos funcionários que já possuíam as condições para requisitar aposentadoria o fizeram nos últimos anos, por temer os efeitos da Reforma da Previdência nos benefícios.

Números
93 dias é o tempo médio de espera no Brasil;

118 dias é o tempo médio de espera no RN

Fila de espera:
Maio de 2019

28 mil pessoas aguardavam uma resposta do INSS há mais de 45 dias

Agosto de 2019
13.630 pessoas esperam informações a respeito de seus processos há mais de 45 dias;

11 mil benefícios foram concedidos no Estado este ano;

1,4 milhão pedidos de benefícios encontram-se em situação de atraso, mais da metade do total de pedidos, que é de 2,2 milhões

Estrutura do INSS no RN
495 servidores ativos;

14% a menos do que 2017, quando tinha 573 servidores/

298 estão alocados em Natal;

40 agências;

Fonte: INSS






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