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Natal
Fila do Auxílio Brasil tem 30 mil famílias no Estado
Publicado: 00:00:00 - 26/06/2022 Atualizado: 10:49:38 - 25/06/2022
O RN tem 445.458 famílias ativas no Auxílio Brasil e 504.941 famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza, portanto, 59.483 grupos estão de fora do guarda-chuva assistencial do governo. Destas, 30.595 famílias (52.019 pessoas) estão na fila e outros 28.888 grupos familiares não se encaixam nos critérios. Quem está na fila de espera do programa ainda não tem perspectiva de quando serão, de fato, beneficiadas. É o caso de Viviane Silva, de 20 anos, que é mãe de uma criança de 6 anos. Ela recebeu a última parcela do Auxílio Emergencial em outubro do ano passado, mas não conseguiu renovar o benefício.
Adriano Abreu
Fila para receber o Auxílio Brasil tem aumentado em todo o País. Especialistas dizem que oferta não consegue suprir demanda

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“Desde então a gente não conseguiu mais, dizem que é tudo pelo aplicativo, mas só aparece que está indisponível. Faz tempo que a gente tenta resolver e nada. Fui até lá [no Cadastro Único], mas disseram que não resolvia lá, deram um número para ligar, mas não funciona. E o aplicativo nada também. A burocracia é grande demais, atrapalha muito porque é um negócio que a gente tem direito”, conta a mãe de Fábio Vitor, que conta com doações e ajuda de amigos e parentes para se alimentar.

Há também quem está na extrema pobreza, mas, em tese, não atende aos critérios do Auxílio Brasil. Mônica Câmara, 51 anos, não tem filhos e diz que teve sua inscrição recusada no programa de transferência de renda. “Estou morando de favor e vivendo de esmolas, eu preciso muito disso. Me disseram que tinha que fazer pelo celular, mas como? Eu não tenho celular, não tenho ninguém que possa fazer isso pra mim. Eu só recebi aquele emergencial. Não sei mais o que fazer porque estou passando necessidade, eu preciso muito desse auxílio”, relata a moradora do Alecrim.

O critério básico para receber o Auxílio Brasil é estar na faixa da pobreza ou extrema pobreza. Além disso, é necessário preencher pelo menos um dos requisitos específicos, como ter criança ou adolescente de 0 a 17 anos na família; jovem (18 a 21 anos) matriculado na educação básica; gestantes ou nutrizes.

Para o economista Cassiano Trovão, o número elevado de famílias que estão na fila de espera ou que não estão aptas a receber o benefício representa um forte indicativo de que as políticas de proteção social precisam ser ampliadas. “A gente precisaria ter avançado na proteção social e a pandemia deixou isso muito evidente. Isso não foi feito. A gente tem uma fila de espera para entrar no programa e que não vai diminuir agora porque não tem nada prevendo isso, não tem orçamento previsto, não tem política prevista, não nenhum programa de busca ativa, então se tem uma carência muito grande”, comenta.

Fome volta ao patamar dos anos 90, diz pesquisa

A fome no Brasil voltou a patamares registrados pela última vez nos anos 1990, de acordo com o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19, lançado no começo dej unho. Atualmente 33,1 milhões de pessoas não têm o que comer no País; são 14 milhões a mais do que no ano passado. A nova edição da pesquisa mostra ainda que mais da metade da população brasileira (58,7%) convive com algum grau de insegurança alimentar.
Reprodução
Renato Maluf, da Rede Pensan, Estado brasileiro não tem respondido de forma adequada

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Especialistas que participaram do levantamento dizem que o desmonte de políticas públicas por parte do governo, o agravamento da crise econômica, o acirramento das desigualdades sociais e o segundo ano da pandemia contribuíram para a piora do quadro. No ano passado, o número de brasileiros que não tinham o que comer era de 19 milhões. Em 2018, eram 10 milhões. A falta de acesso regular à água para beber e cozinhar, a insegurança hídrica, também é um problema para 12% da população.

A pesquisa é realizada pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), com execução em campo do Instituto Vox Populi, Ação da Cidadania, ActionAid Brasil, Oxfam, entre outras instituições.

"Já não fazem mais parte da realidade brasileira aquelas políticas públicas de combate à pobreza e à miséria que, entre 2004 e 2013 reduziram a fome a apenas 4,2% dos lares brasileiros (tirando o País do mapa da fome mundial)", explica o coordenador da Rede Penssan, Renato Maluf. "As medidas tomadas pelo governo para contenção da fome hoje são isoladas e insuficientes, diante do cenário de alta inflação, sobretudo dos alimentos, do desemprego e da queda de renda da população, com maior intensidade nos segmentos mais vulneráveis."

Como explica a gerente de programas da Oxfam-Brasil, Maitê Gauto, a pandemia surgiu no contexto de agravamento da pobreza, e o Estado não tinha mais estruturas para responder à altura. Não por acaso, 15,9 milhões de pessoas (8,2% da população) relataram "sensação de vergonha, tristeza ou constrangimento" por terem sido obrigadas a usar de meios "social e humanamente inaceitáveis para obtenção de alimentos".

Os dados foram coletados entre novembro de 2021 e abril de 2022, por meio de entrevistas em 12.745 domicílios, em áreas urbanas e rurais de 577 municípios distribuídos pelos 26 estados e o Distrito Federal. A pesquisa adota a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia), a mesma usada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa anterior, de 2020, mostrava que a fome no Brasil tinha voltado a patamares equivalentes aos de 2004.

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