Fila para cirurgias ortopédicas e neurológicas tem 2,3 mil pacientes

Publicação: 2018-07-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva
Repórter

Paciência e sorte para garantir a saúde. No Rio Grande do Norte, quando se busca atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), é preciso ter paciência para enfrentar – enfermo – a fila por uma intervenção cirúrgica; e sorte para não ficar muito tempo à espera do procedimento, período que pode gerar desde o agravamento da doença até sequelas permanentes e mesmo morte. Atualmente, mais de dois mil pacientes, de todo o Estado, estão cadastrados na Central de Regulação no aguardo de cirurgias ortopédicas e neurocirurgias. O tempo de espera pode ultrapassar os 60 dias, tempo suficiente para, por exemplo, uma fratura passar por um processo de consolidação viciosa e precisar ser quebrada para então ser reparada.

No Hospital Universitário Onofre Lopes são realizadas por semana entre 10 e 15 neurocirurgias
No Hospital Universitário Onofre Lopes são realizadas por semana entre 10 e 15 neurocirurgias

“Esses casos demandam cirurgias mais complicadas, e a reabilitação é  bem mais demorada também”, sentenciou o médico ortopedista, especialista em cirurgia de joelho, Márcio Rêgo, sobre as implicações da demora na espera por uma cirurgia ortopédica.

Já nos casos de neurocirurgia, a demora no atendimento pode agravar a condição de saúde do paciente. “Temos mais de 300 pacientes na fila, geralmente são casos muito graves, difícil escolher quem será atendido primeiro e quem é o de número 300, uma vez que a doença neurológica é sempre urgente. O ideal é que a fila não existisse”, destacou Aldair Paiva, gerente de atenção à Saúde do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), unidade conveniada pela Central de Regulação e que desde junho passou a prestar atendimento nessa especialidade.

Criada pelo SUS/Ministério da Saúde para democratizar e garantir isonomia no acesso aos serviços de saúde, a versão potiguar da Central de Regulação é coordenada em conjunto pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Natal e Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap). Todos os pacientes que entram no Sistema Único de Saúde, e precisam de alguma intervenção cirúrgica, acabam listados na fila da Regulação.

Porém, mesmo lidando com casos graves e necessidades urgentes de cuidados médicos, a reportagem da TRIBUNA DO NORTE teve dificuldades para apurar informações básicas sobre o funcionamento da Central Metropolitana de Regulação, como o número de pacientes na fila, o tempo médio de espera, e a quantidade média de cirurgias realizadas por mês.

Cerca de 1,7 mil pessoas aguardam a vez na fila da Regulação para se submeter a cirurgias ortopédicas, e outros 332 esperam por uma neurocirurgia. De acordo com as informações repassadas pela assessoria de imprensa da SMS Natal, o fluxo de pacientes é intenso e permanente: em média, mil novos pacientes entram na fila todos os meses, 70% deles vêm de outras cidades do RN regulados para atendimento via SUS.

A Central, apesar da gestão compartilhada, está sob responsabilidade do Município. O serviço, que funciona na sede do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) Natal, no bairro de Dix-Sept Rosado em Natal, é dividida em Regulação de leitos, Regulação de exames de alta complexidade, e Regulação de exames de média. O gerenciamento da Regulação é feita por equipe formada por 29 médicos, 12 enfermeiros e quatro técnicos.

A Central de Regulação trabalha com o SISREG, sistema nacional de Regulação, e com planilhas do Excel alimentada manualmente pela equipe, para controlar o andamento da fila de espera.


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