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Natal
Fila para eletivas tem mais de 15,3 mil
Publicado: 00:00:00 - 05/12/2017 Atualizado: 23:27:28 - 04/12/2017
Mariana Ceci
Repórter

Peregrinações entre hospitais e cidades, longas esperas e incertezas: esse é o cenário enfrentado por muitas das 13.993 pessoas que aguardam na fila para realizar cirurgias eletivas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Norte. O dado é da Secretaria do Estado de Saúde Pública (Sesap) de acordo com os cadastros no Projeto de fila única do Ministério da Saúde (Portaria nº 1294/2017), que definiu a estratégia para ampliação do acesso aos Procedimentos Cirúrgicos Eletivos pelo SUS. A maior demanda é para a facoemulsificação com implante de lente intra-ocular dobrável, técnica mais moderna disponível para a cirurgia de catarata. Em uma outra fila de espera do Estado, a das cirdurgias de rotina, estão 1.400 pessoas que aguardam para procedimentos ortopédicos. No total, as duas filas somam 15.993 pacientes. De acordo a Sesap/RN, as cirurgias já estão sendo feitas, e a expectativa é que as ambulatoriais (de pequeno porte), sejam concluídas até o final deste ano.

Adriano Abreu
José Roque Alves da Silva, de 49 anos, de Severiano Melo, quebrou o fêmur há 18 dias, e aguarda por uma cirurgia ortopédica

José Roque Alves da Silva, de 49 anos, de Severiano Melo, quebrou o fêmur há 18 dias, e aguarda por uma cirurgia ortopédica


José Roque Alves da Silva, de 49 anos, de Severiano Melo, quebrou o fêmur há 18 dias, e aguarda por uma cirurgia ortopédica

José Roque Alves da Silva, de 49 anos, natural de Severiano Melo, região Oeste do Estado, quebrou o fêmur há 18 dias, em uma queda de moto, e aguarda uma cirurgia ortopédica para reparar o osso fraturado. Em uma ambulância municipal, ele chegou na capital potiguar acompanhado pelo cunhado. Foi primeiramente enviado à uma pronto-clínica, na zona Sul da cidade. Por falta de centro cirúrgico no local, foram encaminhados ao Hospital Memorial, onde aguardava atendimento desde às 10h da manhã. Às 11h, chegou a notícia: só poderia se operar depois de se consultar com um médico do hospital, o que ainda não possuía data nem hora para acontecer, de acordo com o motorista da ambulância.

O caso de José Roque não é incomum: apenas em um corredor do Hospital Walfredo Gurgel, o maior do Estado, quatro pessoas aguardavam nesta segunda-feira (4) notícias a respeito de quando poderiam realizar as cirurgias. Internadas desde a semana passada, elas estão imobilizadas nos corredores sem saber para onde e quando serão encaminhadas, com dificuldades até mesmo de realizar procedimentos de higiene pessoal, como é o caso de Ana Maria Cosme, de 59 anos, que desde sexta-feira está imobilizada na maca, com o fêmur quebrado.

Em julho deste ano, após a publicação da Portaria nº 1294/2017, o Ministério da Saúde fechou a primeira lista para cirurgias eletivas pelo SUS. A lista única “visa à redução no tempo de espera por cirurgias", de acordo com a própria Portaria. Muitas vezes a lista de pessoas que necessitavam das cirurgias eletivas ficava descentralizada entre os hospitais, dificultando o encaminhamento dos pacientes e a classificação do grau de prioridade em relação a outros que aguardavam operações.

Para o representante do Rio Grande do Norte no Conselho Federal de Medicina, o médico Jeancarlo Cavalcante, a falta de integração e comunicação entre hospitais era um dos fatores que tornava o sistema tão lento:  “A extensão dessa lista acontece por dois motivos: o primeiro é falta de recursos para viabilizar as cirurgias eletivas. Os recursos são todos drenados para a assistência básica e para os grandes hospitais. O segundo fator é a falta de integração entre os gestores estaduais e municipais, porque não faziam uma fila única para isso. Muitas vezes cada hospital faz sua própria fila, quando o ideal é uma fila única, como ocorre com a ortopedia. É uma coisa grave que as pessoas, em especial o governo e a sociedade precisam fazer algo em relação a isso, porque é um número inaceitável de pessoas aguardando uma cirurgia eletiva", explica Jeancarlo.

O coordenador do Projeto de Cirurgias Eletivas do Ministério da Saúde, Edivomar Varela, explica que a maior parte das cirurgias em espera são ambulatoriais, como catarata. Entretanto, a principal dificuldade que o Estado vem encontrando está na realização das cirurgias não ambulatoriais, que tem custo mais elevado. “Encontrar prestador de serviço para cirurgias que não são ambulatoriais é uma dificuldade. Há uma diferença grande entre o preço tabelado e o preço que o Estado pode pagar, e isso gera um conflito”, diz.

O aumento dos repasses para as cirurgias é uma das possibilidades enxergadas pelo Governo Federal para agilizar a realização das cirurgias, de acordo com o Conselheiro Jeancarlo Cavalcante. Além das cirurgias ortopédicas, as cirurgias de catarata e hérnia são algumas das mais solicitadas.

Nacionalmente, o SUS tem 904 mil cirurgias eletivas na lista de espera de acordo com o Conselho Federal de Medicina. No ano passado, mais de 1,5 milhão de cirurgias teriam sido realizadas pelo SUS no país. Em 2017, o Ministério da Saúde já registrou um aumento de 39% no número de procedimentos realizados pela rede pública. De acordo com Edivomar Varela, a expectativa para o Rio Grande do Norte é de que até o final do ano, grande parte das cirurgias que estão na lista única do Ministério da Saúde sejam realizadas.

Números
13.993 pessoas estão na fila de espera para realizar cirurgias eletivas pelo SUS, a partir do programa implementado em julho deste ano pelo Ministério da Saúde

As 10 principais demandas:
Facoemulsificacão c/ implante de lente intra-ocular dobrável    5.940
Colecistectomia                                                  1.190
Exerese de cisto sacro-coccigeo -                       845
Hernioplastia umbilical    462
Hernioplastia inguinal/crural         (unilateral)    407
Tratamento cirurgico de varizes         (bilateral)    351
Herniorrafia inguinal videolaparoscopica             243
Hernioplastia inguinal  (bilateral)                          235
Histerectomia total                                               232
Herniorrafia umbilical videolaparoscopica     212

1.400 pessoas aguardam na fila do Estado para realizar cirurgias ortopédicas de rotina

*Fonte: Sesap


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