Fim do emprego no campo elevou riqueza nas cidades

Publicação: 2013-12-18 00:00:00
A formação da riqueza é tão concentrada em alguns municípios do Rio Grande do Norte que o ranking praticamente permanece o mesmo desde 2007, com exceção de algumas mudanças de posição. Até o sexto lugar não há alterações. Natal, lidera, seguido por Mossoró, Parnamirim, Guamaré, São Gonçalo do Amarante e Macaíba.

Caicó mudou de posição com Areia Branca, passando a ocupar o sétimo lugar. Macau permanece no mesmo nono lugar de 2007. Logo depois vêm Assu, que subiu duas posições no ranking, Ceará-Mirim, Apodi, Currais Novos, São José de Mipibu e Baía Formosa.

Para economistas, como Aldemir Freire, do IBGE, o modelo de desenvolvimento do Rio Grande do Norte, ainda centrado na indústria do petróleo no Oeste e no consumo das famílias da região litorânea, a mais endinheirada, deveria ser repensado. O resultado é que o RN é o segundo mais desigual na produção do PIB do Nordeste, perdendo apenas para o Ceará.

Para o deputado estadual Agnelo Alves (PDT), jornalista com larga experiência política, que participou da elaboração do programa de governo do irmão Aluízio Alves na década de 1960, é preciso “reformatar” o desenvolvimento do Rio Grande do Norte. “Não podemos mais ficar nesse disse-me-disse de véspera de campanha, especulando sobre quem será o candidato a governador, quem vai apoiar quem. É preciso mudar”, disse ele ontem, ao comentar os números do IBGE no programa Panorama Político, da rádio Globo Natal.

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Especialistas ouvidos pela TN admitiram que será necessário um grande mutirão para mudar o quadro atual, “que não é um problema só do Rio Grande do Norte, mas um fenômeno mundial”, disse um empresário, que falou sob condição de não ter o nome citado. Ele lembrou que a China transfere, todos os anos, “um Brasil” - cerca de 200 milhões de pessoas - para as cidades.

Esse fenômeno mundial, segundo ele, em função da alta tecnologia empregada no produção de alimentos. “Antes, a colheita de cana de açúcar gerava milhares de empregos no Rio Grande do Norte. Hoje uma máquina faz o trabalho de 500 homens. Daí porque esse fluxo de dinheiro – e não de riqueza – para as grandes cidades, onde é mais fácil encontrar emprego.

Ele lembrou ainda que o interior está sendo mantido hoje por um tripé que não gera empregos: o Fundo de Participação, que alimenta as prefeituras; a Previdência Social, que ampara os idosos; e o Bolsa Família, que atende às famílias em situação de vulnerabilidade.

As consequências desse modelo de desenvolvimento, que incha as cidades, são os engarrafamentos  no trânsito, o alto custo de vida, a falta de moradias e as carências de infraestrutura para atender demandas cada vez maiores, disse o empresário.