Finanças

Publicação: 2020-03-24 00:00:00
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Itamar Ciríaco - itamar@tribunadonorte.com.br

A Confederação Brasileira de Futebol festejou um lucro de quase R$ 1 bilhão em 2019 e um investimento aproximado de 60% dessa receita. Deveria vir dessa “festa”, divulgada com pompa, ao menos na minha opinião, a solução para boa parte dos clubes brasileiros em crise devido a parada no futebol, forcada pelo Covid-19. A entidade deveria estudar uma forma de aporte financeiro aos clubes que fazem parte das quatro divisões do Campeonato Brasileiro. Ouvindo as Federações locais, que seriam responsáveis por receber as demandas de seus filiados, a entidade nacional poderia financiar a manutenção do funcionamento dos clubes mais carentes por alguns meses.  Não existe futebol de nível alto sem clubes fortes. Ou seja, se a CBF não agir agora, a própria entidade não vislumbrará seu próprio futuro.

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O conselho de ajuda aos clubes também tem que ser levado em conta sob o aspecto político. Desde sempre a CBF manteve clubes e entidades sob sua tutela utilizando o poder financeiro para garantir projetos de perpetuação no poder, ou de sucessão controlada das gestões. Caso esses clubes se sintam abandonados, a reação pode ser a busca por novas alternativas que os protejam em crises futuras. Além do mais, se os clubes fecharem as portas, para que servirão as federações e a confederação nacional da modalidade?

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A simples demissão de funcionários, jogadores e comissões técnicas como forma de contenção de despesas é uma visão antiga de gestão. Essa forma de enxergar o negócio pode ter servido quando da grande depressão, da crise do petróleo ou até mesmo na bolha imobiliária americana. No entanto, dessa vez a situação é diferente e merece providências diferentes. Acredito que o futebol possa voltar um pouco mais a realidade do mundo que vivemos. É absurdo, por exemplo, o PSG ter um jogador que vale R$ 1 bilhão (Neymar) e outro que vale R$ 1,5 bilhão (Mbappé). Como se chega a esses valores? Como uma pessoa ou algo pode custar tanto assim? Essa concentração faz com que, mundo à fora, atletas vivam de migalhas. Um acerto de salários, dentro da realidade, precisa ser feito, isso é fato.

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Vejam só isso. A geração 2000 vem forte. Uma pesquisa feita pelo Cies Football Observatory indicou os jovens nascidos nos anos 2000 com maior valor de mercado do mundo. Rodrygo é o terceiro na lista e Vinicius Jr aparece na quarta colocação. O ex-santista tem um valor de mercado equivalente a 88,9 milhões de euros (R$ 490 mi), enquanto que o ex-jogador do Flamengo vale  73,9 milhões de euros (R$ 407,88 mi).

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Além disso, a crise vai colocar à prova os próprios clubes. Quem não faz o futebol com profissionalismo corre o risco de ver o clube fechado ou relegado a um lugar menos importante na história do esporte. Aqueles que se prepararam melhor para tempestades saíram molhados, mas podem emergir mais fortes dessa dura experiência. Os que ainda não aprenderam, mas têm forças, até pela tradição que possuem, precisam se organizar, pois não suportarão uma nova provação como essa.

Demissões
Não acredito que salários tão baixos, em meio a outros tão grandes, façam a diferença o suficiente para que funcionários tão antigos e queridos como Joca, no ABC, tenham que ser demitidos em um momento tão difícil para os mais humildes. Em nota oficial o Alvinegro disse que demitiu porque seria melhor para os 30 que ele mandou embora. Diz isso nesse trecho do comunicado: “Pensando na manutenção financeira das famílias de nossos colaboradores, neste período em que o clube não conseguirá honrar os salários, o desligamento ao menos possibilitará o recebimento dos recursos do seguro desemprego à grande maioria dos demitidos, dando-lhes a oportunidade de prover para as suas famílias, bem como, buscar novas recolocações neste momento em que o clube ficará parado”. Cada um tire suas próprias conclusões.

Paralimpíadas 
A hashtag #Tóquio2021 ganhou mais um defensor. O multimedalhista Daniel Dias adere à campanha que pede o adiamento dos Jogos de Tóquio devido a pandemia do coronavírus no mundo. Sem acesso à sua real estrutura para os treinos de piscina e musculação há uma semana e com tempo indeterminado para o retorno, o atleta avalia a atual situação em que o mundo esportivo vive com relação à realização do evento na capital japonesa. Os principais órgãos esportivos do país já se posicionaram como favoráveis ao adiamento dos Jogos para o ano que vem. Por meio de suas redes sociais, Daniel manifestou seu apoio para que os Jogos sejam mais seguros aos envolvidos e para que os atletas possam entregar suas melhores performances.

Rádio 
A rádio Jovem Pan News Natal entra no ar hoje, 24/3, dia do aniversário de 70 anos da Tribuna do Norte. Além da equipe esportiva mais dinâmica da rádio local, o esporte terá espaço nos informativos da emissora durante todo o dia. Às 11h segue no ar o programa Tribuna Esporte, comigo, Itamar Ciríaco e Ícaro Carvalho. O formato reúne a tradicional resenha esportiva ao que há de mais moderno no jornalismo voltado para a área. Contamos com a sua audiência: 93.5 FM. Você também pode nos ouvir através do aplicativo Radios Net e outros. 





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