FJA promete pagar artistas em 30 dias

Publicação: 2009-10-27 00:00:00 | Comentários: 0
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Incentivar a produção cultural e investir em novos espetáculos, discos e produções. Para isso servem os editais criados este ano pela Fundação José Augusto. Ao todo foram contemplados 87 grupos através dos  Prêmio “Emanuel Bezerra” de Cultura para a Juventude, Prêmio “Núbia Lafayete” de Música, Prêmio “Lula Medeiros” de Teatro de Rua e Festival Agosto de Teatro. São R$ 100 mil reais destinados a gravação de discos, produção de espetáculos, entre outras atividades, que deveriam ter sido liberados há seis meses atrás.

Por este motivo, quem passou na frente da Fundação José Augusto na manhã de ontem, se deparou com um circo armado – literalmente - e uma manifestação de alguns artistas que juntos fizeram a ocupação. Eles cobravam um prazo para a liberação do dinheiro que lhes cabe. “Seis meses de atraso aconteceram devido ao trâmite burocrático. O secretário de planejamento disse que primeiro precisa pagar a Folha de Pagamento. Depois virá o repasse  que passará a honrar os compromissos da Fundação. Tenho a consciência que fizemos a nossa parte”, disse o presidente da Fundação José Augusto ao VIVER.

Como a verba do edital sairia logo em seguida à aprovação, muitos grupos não tiveram outra opção e realizaram suas atividades por conta própria. “Não é só questão de dinheiro. É o respeito com o artista. Existe um planejamento por parte do grupo. Atrasos acontecem, até entendemos, mas o problema é que junto do atraso nesse caso há o descrédito.  É desgastante fazer um trabalho aprovado por um edital e não receber por ele, é frustrante”, disse Renata Marques integrante do grupo Tropa Trupe aprovado no Festival Agosto de Teatro realizado em agosto deste ano.

O Tropa Trupe é um exemplo claro dos prejuízos sofridos pelos grupos com este atraso. Para a estreia no Festival, eles montaram espetáculo, criaram cenários, rotina de ensaios, retirando toda a verba do bolso. “É claro que não estamos esperando o governo ou o município para realizar nossas ações, estamos criando outros meios também. Mas eles são alicerces fundamentais para a valorização dos nossos trabalhos”, completou Renata.

Prazo de um mês

Burocracia, trâmites, liberação de documentos, tudo isso já é esperado quando se trata de verba pública. Mas o que não se explica é a ausência de um melhor planejamento para a liberação dessas verbas. “É algo que foge realmente do nosso controle. Para uma verba ser liberada é necessário passar por diferentes gabinetes, por isso que mesmo com organização prévia não existe um controle”, explicou Crispiniano.

Com essa batata quente em mãos, os artistas temem não receber a verba este ano. “Já estamos no final de 2009 e como existe um fechamento orçamentário, dá até para pensar que receberemos esta verba em 2010 e se ela vier. Mesmo com o secretário de Planejamento da FJA ter nos garantido a liberação da verba no próximo mês, dá um frio na barriga”, desabafou Abel Araújo, integrante do Tropa Trupe que esteve presente na manifestação e completou, “Diante dessa situação, fica a questão: do que adianta a política de edital para democratizar o acesso aos recursos públicos, se os selecionados não dispõem do benefício conquistado?”, indagou o ator com ar de desesperança.

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