Flávio Rocha elogia reforma trabalhista e diz que todos ganham com as mudanças

Publicação: 2017-12-09 00:00:00 | Comentários: 0
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Felipe Galdino
Repórter

A Riachuelo é uma das maiores redes do varejo nacional. São mais de 300 lojas em todo o país. A marca pertence ao Grupo Guararapes, que ao todo emprega 40 mil pessoas, ocupando a 15ª posição no ranking de empregadores no território brasileiro. Um dos homens à frente das operações da companhia é o empresário recifense radicado no Rio Grande do Norte Flávio Rocha. Um dos palestrantes na 33ª edição do Seminário Motores do Desenvolvimento, que acontece na Casa da Indústria, em Natal, nesta segunda-feira (11), o executivo comemora os rumos que a economia do Brasil segue desde abril deste ano. Com indicadores como juros mais baixos e inflação reduzida, Flávio Rocha acredita que em 2018 o país retoma o crescimento de outrora. Ele é um entusiasta da reforma trabalhista, nova legislação a que chama de “modernização”. Para o diretor da Guararapes, a reforma trabalhista é uma conquista de todos, principalmente dos trabalhadores, que se beneficiarão com um mercado de trabalho mais aquecido.

Flávio Rocha, empresário do grupo Guararapes, faz elogios à reforma trabalhista
Flávio Rocha, empresário do grupo Guararapes, faz elogios à reforma trabalhista

No centro de uma polêmica recente no estado, envolvendo o Grupo Guararapes e o Ministério Público do Trabalho no RN, hoje Flávio Rocha diz querer apenas continuar seu “projeto de vida” que é o Pró-Sertão, um programa governamental que promete gerar milhares de empregos no interior do estado na indústria têxtil.  Na entrevista abaixo, Flávio Rocha fala da boa expectativa para 2018 e do futuro do Pró-Sertão. Confira a entrevista do empresário:

O país ainda tenta se recuperar de uma crise econômica que já dura anos. Como o senhor avalia o ano de 2017 para a economia?
O ano de 2017 foi o da virada, da retomada econômica após o pior período da nossa história. Confesso que demorou até mais do que eu esperava. Eu imaginava que a simples sinalização de que estávamos finalizando um ciclo de ideias tóxicas, de irresponsabilidade fiscal, de gastança governamental, a retomada seria mais rápida do que eu esperava. Abril marcou o momento que após 24 meses de fortes quedas no varejo e consumo das famílias, o número voltasse a se tornar positivo. É essa trajetória ascendente que vemos até o fim do ano.

Quais suas expectativas econômicas para 2018?
O próximo ano deve ser de aceleração desse crescimento. Queda significativa na taxa de juros, a inflação em queda significativa. A inflação para as classes C e D está abaixo de 2%, o que significa uma injeção de poder de compra, e agora as indicações de que o emprego deve voltar a crescer após a grande conquista que foi a reforma trabalhista, que já está surtindo deus efeitos. Todos os indicadores mostram possibilidade de crescimento.

O senhor está à frente de uma das empresas de maior crescimento no país. Como manter uma marca forte em plena crise?
O aspecto mais cruel de toda crise econômica é que ela atinge mais diretamente os mais vulneráveis, no caso do varejo. Foram mais de 200 mil lojas fechadas na crise. As empresas mais estruturadas e com mais armas para competir resistem melhor. Podemos dizer que cruzamos essa tormenta sem ter fechado uma loja sequer, tendo tido lucro em todos os trimestres. A empresa está maior e pronta para uma retomada. Continuamos inaugurando lojas, retomamos nosso plano de expansão, que tinha desacelerado, mas 2018 vai marcar nossa retomada da nossa aceleração do crescimento físico de lojas.

Recentemente têm sido debatidas e até aprovadas leis trabalhistas como a da Terceirização e a Reforma Trabalhista, que entrou em vigor neste mês de novembro. Como o senhor avalia esses novos dispositivos?
A reforma trabalhista é uma grande e importante conquista para recuperar a combalida competitividade do Brasil. É uma conquista de todos, principalmente dos trabalhadores. O que estamos vendo agora é que existiu muita mentira no processo. Hoje está se vendo que não houve nenhum direito perdido. Pelo contrário, o que está acontecendo é o aumento da demanda por mão-de-obra, um aumento do nível de empregos. Só as nossas empresas associadas, que são 70 grandes redes do varejo, pretendem criar a curto prazo mais de 100 mil postos de trabalho só no emprego intermitente. É uma relação (trabalhador e empregador) muito mais transparente, de “ganha-ganha”.

Quem é contrário a esses dispositivos trabalhistas afirma que eles beneficiam mais os empregadores do que os empregados. Qual avaliação que o senhor faz sobre essa afirmação?
A relação de trabalho, na visão atrasada, é um jogo de “perde e ganha”. É o contrário: no jogo da economia, ou todos ganham ou todos perdem; ou há prosperidade e se aumenta a competitividade e a sociedade ganha o poder de competir, provocando emprego e renda, ou vem a estagnação e todos perdem. É uma visão equivocada do “nós contra eles”. Isso ficou para trás, está no passado. Agora trabalhadores e empreendedores são parceiros na construção da prosperidade, não existe qualquer antagonismo.

No RN, qual a importância do Pró-Sertão para a economia potiguar? Como o senhor avalia o desenvolvimento do projeto?
O Pró-Sertão é um programa muito benéfico para a economia e para a vida de todas as pessoas que trabalham nas oficinas de costura, que não tinham oportunidades de emprego. Hoje, a região conta com aproximadamente cinco mil carteiras assinadas. Desse total, 90% foram assinadas pela primeira vez. Antes do programa, essas pessoas não tinham nenhuma fonte de renda fixa, pois a região sofre com a seca há anos. A confecção de peças não necessita de água. Desta forma, alguns habitantes da região garantem a renda familiar com o trabalho nas oficinas de costura. Muitos deles também conseguiram comprar bens, como casa, carro e moto, com suas atividades nas oficinas de costura. Com o Pró-Sertão, outros estabelecimentos também ampliaram seus serviços, na região.

O setor têxtil no RN, mais especificamente a Guararapes, protagonizou há pouco, junto ao MPT, o polêmico episódio das facções têxteis. Como o senhor avalia a situação?
Muitos poderiam simplesmente desistir e procurar outras fontes de suprimento, mas isso é uma questão muito dolorosa para mim porque o Pró-Sertão está ligado a minha missão de vida. Acho que Deus me colocou na Terra para fazer o que vi acontecer em um processo tão transformador em uma região parecida com o interior do Rio Grande do Norte, que é a Galícia (Espanha). No auge da crise em 2008, uma Espanha dizimada com o desemprego, mas a Galícia em pleno desenvolvimento por causa de uma empresa, na época com três mil lojas pelo mundo, despejando pedidos na região. Pensei que o mesmo poderia acontecer com a Riachuelo no Nordeste. Vi ali claramente a proposta da minha existência. Quando veio a lei da terceirização, desapareceu todo o risco jurídico dessa operação transformadora, e demos forma ao Pró-Sertão. Mas infelizmente veio essa decisão surpreendente dos agentes da lei que estão contra a lei – porque nós não descumprimos a lei em momento algum. É uma ação que deixa a lei de lado e recorre a teses acadêmicas, sem amparo legal.

Evento
A entrada para o Motores do Desenvolvimento é aberta aos interessados e as inscrições podem ser feitas na hora.

O Seminário é promovido pela Tribuna do Norte em parceria com o Sistema Fiern, além de contar também com o apoio do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), Sistema Fecomércio/RN, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e a RG Salamanca Investimentos.


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