Flin: De intercâmbio de ideias e visitantes

Publicação: 2017-11-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Érika Oliveira
Especial para o Viver

A 5ª edição do Festival Literário de Natal chegou ao fim no último sábado (11). No encerramento, o multiartista Antônio Nóbrega apresentou seu espetáculo “Um Recital para Ariano” após participar de mesa sobre políticas públicas para cultura popular. Antes, a obra do cartunista Henfil, um dos homenageados do evento, foi lembrada pelos colegas de profissão Jaguar, Cláudio Oliveira, André Dahmer e o amigo Woden Madruga. Por fim, a escritora Ana Miranda apresentou sua nova obra, “Xica da Silva, a Cinderela Negra”, com direito ao canto de Marlui Miranda.

Henfil e seu legado foram tema do bate-papo no último sábado, que durou só  1h, mas tinha assunto ''para uma semana''
Henfil e seu legado foram tema do bate-papo no último sábado, que durou só 1h, mas tinha assunto ''para uma semana''

Durante os quatro dias de FLIN, quem visitou o festival acompanhou debates sobre tropicalismo, poesia, jornalismo, ficção e memória no gênero romance e uma homenagem ao jornalista Zuenir Ventura, por sua escrita militante e auxílio na curadoria do festival. Além disso, o público assistiu a shows de artistas nacionais como Tom Zé e Zélia Duncan e conferiu a mostra de audiovisual que ocorreu paralela ao festival, no CineSol. O FLIN também teve ausências. O jornalista e escritor Edney Silvestre desistiu de última hora com a justificativa de compromissos irremediáveis. E o poeta e crítico literário Nelson Ascher, que alegou problemas pessoais.

Para Dácio Galvão, secretário de Cultura de Natal, o evento já está consolidado na agenda da cidade e pode ser comparado a outros festivais de nível nacional. “Através do intercâmbio com inúmeros autores que já passaram por aqui, temos notícia de que o FLIN está nivelado com os grandes festivais do Brasil e dialoga com os fóruns que têm esse nível de proposta e de conteúdo”, comenta.

Na sua avaliação, o CineSol, “empoderou mais ainda as ações múltiplas de cultura na cidade e o retorno do público foi o melhor possível”. “O que saiu vencedora foi a aposta no público infantojuvenil, que lotou todos os dias a Tenda dos Autores. Isso é um agente transformador forte, que consolida uma juventude, um futuro adulto, com sentido crítico depurado e o imaginário instigado e provocado”. Questionado sobre possibilidades de novos formatos para o festival literário, Galvão afirma que o aperfeiçoamento é algo sempre buscado. “O inalcançável sempre é persistido por nós humanos, então a gente sempre localiza uma situação ou outra que precise ser melhorada”, mas diz que “o passo não é dado para além do que as pernas possam sustentar”.

Público
Em torno de 7 mil pessoas passaram pelo festival durante as quatro noites, somando-se aos turnos da manhã e tarde, que foram o horário de programação infantojuvenil.

O poeta e acadêmico da ANRL, Lívio Oliveira, nome presente em quase todas as palestras literárias, gostou da maioria dos debates, mas acredita que são necessários ajustes na forma do evento. Para ele, é preciso uma maior aproximação com o segmento de intelectuais e escritores potiguares durante a organização. “O segmento precisa ter a possibilidade de sugerir mais. Isso já acontece, mas ainda precisa ter um aperfeiçoamento”.

Antônio Nóbrega encerrou com um show participativo
Antônio Nóbrega encerrou com um show participativo

Lívio, que não costuma faltar ao FLIN desde sua concepção, acredita também na necessidade de “ultrapassar o público cativo que já existe”. “Envolver a cidade toda é o que a gente precisa”, afirma. Para ele, uma alternativa seria “popularizar” a programação como é feito no Carnaval. “Talvez criar polos para que em várias localidades de Natal aconteçam eventos ligados ao festival”.

Participantes do Flin, as mestrandas em Letras da UFRN, Emília Lima e Isabel Alves, consideram a descentralização como ação bem vinda no formato do evento, mas ainda dentro da Ribeira, para “resgatar o bairro”. A praça Augusto Severo é só a porta de entrada.

Enquanto esperava pela primeira atração na Tenda Moacy Cirne, no sábado (11), a estudante sentiu  interesse de conhecer o bairro, por sua importância arquitetônica e histórica para a cidade, entretanto foi alertada sobre a falta de segurança. “Seria uma forma muito boa de resgatar outras áreas da Ribeira, que tem toda essa aura de tradição cultural dentro de Natal e da história”, argumenta. Da agenda do festival, as estudantes prestigiaram os debates com Antônio Cícero, Marcelo Rubens Paiva e Zélia Duncan, bem como conheceram novos ídolos, como o músico Tom Zé. 

Sebos e livrarias comemoram vendas
Para os estabelecimentos do ramo literário que participaram do FLIN, o resultado foi positivo. Segundo o livreiro Wilson da Silva, da Cooperativa Cultural da UFRN, o movimento, mesmo diante da crise, foi melhor que nos anos anteriores. “Para a gente é sempre um balanço bom, porque participar do FLIN também traz visibilidade para a livraria”, relata.

Segundo ele, a literatura infantojuvenil foi a mais vendida nesta edição. “Muitos alunos circularam por aqui e isso é uma coisa que anima, porque a questão da cultura vai além do financeiro”, explica.

Para Abimael Silva, da Editora Sebo Vermelho, o retorno também foi significativo. Ele conta que nesta edição, o multiartista Antônio Nóbrega e o ator Milton Gonçalves passaram pelo seu estande e compraram livros de sua editora. “Se não fosse um evento desses, ele iriam demorar a ir ao sebo”, conta. Para ele, esse “intercâmbio” é o diferencial do evento.

“E eu espero que continue assim, porque claro que em tempos de crise tudo vem em devidas proporções, mas é importante a gente não desistir e continuar”, afirma. “João Pessoa não realiza eventos literários, Aracaju não realiza, Teresina não realiza, então temos que louvar o que acontece em Natal”, completa.


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