FMI dobra projeção de queda para a economia brasileira

Publicação: 2015-10-07 00:00:00
Lima (AE) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a cortar as previsões de crescimento para o Brasil e o País deve ter um dos piores desempenhos entre as maiores economias mundiais em 2015 e 2016, de acordo com o relatório "Panorama Econômico Global" divulgado ontem, em Lima.

A previsão passou de queda de 1,5%, do relatório divulgado em julho, para recuo de 3%, no documento de ontem. Em 2016, a estimativa passou de crescimento de 0,7% para retração de 1%.
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O Brasil foi, entre as principais economistas mundiais, a com maior corte das projeções na comparação com o relatório do FMI de julho. Em 2015, só o Produto Interno Bruto (PIB) da Rússia deve encolher mais que o do Brasil, com queda de 3,8%. Já em 2016, o Brasil deve ter o pior desempenho considerando os maiores mercados. Para a economia russa, a previsão é de recuo de 0,6% no PIB em 2016. "Na América Latina, a crise no Brasil foi mais profunda do que o esperado", ressalta o documento. Desde 2012 o FMI vem reduzindo as previsões para o PIB brasileiro a cada nova atualização.

Na esteira da recessão e da valorização do dólar, o Brasil deve encerrar o ano como a nona maior economia mundial, segundo projeção do FMI. O país, que tinha o sétimo maior PIB global em 2014, será ultrapassado pela Índia e pela Itália. A última vez que não ficou entre as oito maiores economias mundiais foi em 2007.

Confiança
O FMI destaca no relatório que os índices de confiança dos empresários e consumidores brasileiros continuaram a piorar, "em grande parte por conta da deterioração das condições políticas" no Brasil. Com isso, o investimento está se desacelerando de forma rápida, afirma o documento.

Para o FMI, o necessário ajuste macroeconômico no país está pressionando negativamente a demanda doméstica. A piora da economia brasileira, afirma o documento, está afetando outros países da América Latina, pelo tamanho e importância do país na região e sua interconectividade por meio, por exemplo, do comércio.

Nesse cenário, a América Latina deve ter um novo ano de crescimento decepcionante e abaixo da tendência. Em 2015, a região deve se contrair 0,3% e no ano que vem, a previsão é de expansão de 0,8%.

A inflação no Brasil, prevê o FMI, deve chegar a 8,9% este ano, superando o teto da meta do Banco Central, refletindo o reajuste de preços administrados e a desvalorização do real. A expectativa dos economistas do Fundo é que os preços convirjam para perto do centro da meta nos próximos dois anos. Para 2016, a previsão do FMI é de inflação de 6,3%. Na taxa de desemprego, a estimativa apresentada no relatório é de que o indicador fique em 6,6% em 2015 e 8,6% em 2016.

Ainda no relatório, o FMI volta a recomendar que o Brasil tome medidas para melhorar o ambiente de negócios, incluindo reformas estruturais em setores como educação e trabalho.