Foguete é lançado com sucesso

Publicação: 2018-04-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Ícaro Carvalho
Repórter

O lançamento do Foguete de Treinamento Básico (PTB) no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) foi o pontapé inicial da Campus Party Natal, evento que acontece na capital potiguar até o próximo domingo (15) e tem como um dos temas a tecnologia aeroespacial. Mesmo com o tempo nublado e as “condições climáticas dentro do limite”, o Foguete de Treinamento Básico foi lançado, pontualmente, às 13h45, com sucesso, e saciou a curiosidade de estudantes e profissionais envolvidos em todo o processo, além de todo um contingente de pessoas que acompanharam ao vivo a decolagem no Centro de Convenções de Natal, palco do evento.

Foguete de Treinamento Básico lançado ontem tinha 3 metros de altura, 127 milímetros de diâmetro e um peso de 70 quilos
Foguete de Treinamento Básico lançado ontem tinha 3 metros de altura, 127 milímetros de diâmetro e um peso de 70 quilos

O estudante de Engenharia Mecatrônica Gabriel Lucena, de 25 anos, teve a chance de ver in loco o impulso do equipamento. Ele conta que foi uma oportunidade única e de suma importância para sua carreira, pois vê na decolagem do foguete a consolidação prática dos conhecimentos apreendidos em sala de aula. “É uma forma de incentivo para que a gente possa criar mais um ânimo para pesquisar, porque não é uma área fácil. Exige bastante estudo e tempo”, comentou o aluno.

Denominada Operação Barreira XIX, o FTB teve um apogeu (altura máxima) e um alcance mar a dentro de 32 e 20 quilômetros, respectivamente. A velocidade máxima atingida pelo FTB foi de três vezes a velocidade do som, isto é, aproximadamente 3.675 km/h. A duração do voo, que compreende o lançamento e o impacto, durou cerca de 3 minutos.

O projétil tinha 3 metros de altura, 127 milímetros de diâmetro e um peso de 70 kg. O equipamento foi projetado pela Avibras, uma companhia de indústria aerospacial brasileira.

“O objetivo é treinar nossas equipes aqui. A campanha de lançamento envolve, em termos de coordenadorias, mais de 15 coordenadores, e cada um tem sua equipe. Então o trabalho é muito grande, com muitas pessoas. E para manter essa equipe treinada tem que ter essa atividade contínua, que é o que estamos buscando com esses foguetes", disse o Capitão Paulo Guirra, coordenador de planejamento da Operação Barreira XIX, do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno.

A operação como um todo envolveu diretamente pelo menos 109 servidores civis e militares do CLBI, além de profissionais ligados a Força Aérea Brasileira e Marinha do Brasil. A participação desses dois braços das Forças Armadas foram vitais para a execução da operação, uma vez que o Terceiro Centro Integrado de Defesa Aérea, o Controle do Espaço Aéreo, fizeram a coordenação operacional para a interdição do espaço aéreo para o lançamento do foguete. O Terceiro Distrito Naval ficou a cargo da área de navegação das águas que banham o litoral potiguar, visando os requisitos de segurança para as embarcações no entorno do Oceano Atlântico.

Quem também acompanhou o lançamento na base aérea foi a estudante de Engenharia de Telecomunicações Amanda Cristina, de 25 anos. Ela é uma das estagiárias da Barreira do Inferno, numa parceria entre o Centro e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Embora tenha sido um lançamento de um projétil experimental, ela considera a prática de vital importância para o andamento de sua carreira, uma vez que pretende seguir na área espacial.

“Acompanhar um lançamento me ajuda no sentido de saber como é um procedimento, como ocorre para poder ter o lançamento. O que contribui mesmo na minha carreira é o que está por trás, que são as telecomunicações”, disse.

No comando dos alunos estava o professor e engenheiro elétrico da Seção de Pesquisa e Inovação do Centro, João Batista Dolvim Dantas, de 51 anos. Ele conta que o lançamento desse foguete serve de exercício para as diversas estações existentes na Barreira do Inferno.

“Temos uma estação de sincronização, duas de radar, uma de telemedidas, fora a parte de meteorologia, segurança de voo e superfície, a parte de plataformas que eles montam o foguete, então tem uma equipe gigantesca que tem de ser treinada”, ressalta, afirmando que a média de treinamentos é de 2 a 3 por ano, sem contar nos lançamentos com definições bem especificadas.

“É um estímulo aqui para o pessoal. A barreira do inferno tem um interesse que as pessoas se sintam estimuladas para a parte de tecnologia aeroespacial. Isso para a gente é atingir um objetivo, de influenciar essa garotada toda que veio, para que eles  tenham uma atenção diferenciada para tecnologia e quem sabe, formar futuros engenheiros e uma massa de trabalho”, concluiu.


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