Folclore político e social I

Publicação: 2019-07-23 00:00:00 | Comentários: 0
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Valério Mesquita
Escritor

01) Viajar e conhecer o mundo foi sempre disposição permanente em Diógenes da Cunha Lima. Europa, França e Bahia, como resumiu um poeta. Ultimamente visitou Praga, capital da República Checa, de povo, costumes e idiomas diferentes. Liderado por um guia que achou muito parecido fisicamente com o saudoso poeta Luis Carlos Guimarães, aí é que o presidente de nossa Academia de Letras tomou gosto pelo passeio juntamente com o seu grupo de turistas. Lá pras tantas, começou a se impressionar com o vocabulário e o significado misterioso das palavras do idioma tcheco com o nosso português. O guia, de forma natural e compenetrada, pediu ao grupo que aguardasse um pouco pois ia vestir a bunda para dá a largada. A bunda? A bunda? Foi a indagação estarrecida de alguns visitantes. Não mais que de repente, viram que bunda não era aquilo que pensava. Simplesmente bunda na língua de Praga significava jaqueta. Após os risos convencionais e naturais, o pessoal passou a refletir como as lojas tchecas anunciam a comercialização de jaquetas. “ vendem-se bundas”. “Atenção, não perca a grande liquidação de bundas, só até amanhã”. “Bundas de couro especial e resistente só na Loja do Varachislov”. “Na loja do Puskas as bundas não amassam, nem perdem o vinco”. “Na lavanderia de Milosovic você lava duas bundas pelo preço de uma”. “Bundas de todos os tamanhos e cores só com Wanda Lapenda”. Bem, aí o leitor pode deduzir o quanto não passou pela imaginação de Diógenes da Cunha Lima que já estava vendo em cada tcheco que passava uma bunda em vez de uma cara. Talvez, daí, tenha surgido o nome da célebre revista brasileira.

02) Política e folclore sempre andarão juntos. A primeira é uma atividade rica em tipos humanos e o seu exercício gera, a cada instante, fatos hilários.  O interior, o São João, são lugares comuns onde os políticos se encontram. Numa dessas festas do interior o deputado Ricardo Motta reencontra-se com o senador Garibaldi Filho e veio o abraço inevitável. Motinha sapecou a saudação: “Senador, está mais magro, esbelto, corpo esguio de toureiro!”. Garibaldi com aquela bonomia e paciência de costume abriu o sorriso: “Ainda bem que não comparou ao corpo de um bailarino”.

03) Certa vez, numa reunião do secretariado, convidou a todos para a festa de Nossa Senhora de Santana na sua Caicó. Todos assentiram, inclusive, o general Ulisses Cavalcante, secretário de segurança que era radicalmente contra a exploração dos chamados “jogos de azar”, tão comum nas festas paroquiais e profanas do interior. “Vou governador, mas chagando lá não deixarei de agir e fechar todo o tipo de jogo!”. Lembrando-se dos seus correligionários que bancavam o joguinho, o Monsenhor não esperou prá depois: “Ô Ulisses, sendo assim você está desconvidado, porque lá quem manda sou eu. Festa sem esses divertimentos não presta. É a tradição!”. E Ulisses não foi.

04) Recém formado em medicina pela Faculdade do Recife, no ramo da psiquiatria, foi clinicar em Mossoró o Dr. Alcimar Torquato de Almeida, ex-deputado e ex-presidente da Assembleia Legislativa. Jovem, charmoso, cabelos longos dos anos setenta, tornou-se o médico preferido de todos. Certo dia, um rapaz o procurou no consultório em busca de socorro. “Doutor, eu vivo um problema existencial muito grave. Só o senhor pode me curar”. “Qual é o problema?”, indaga o psiquiatra. “Eu sou homossexual e não quero aqui em Mossoró que o meu pai saiba. Seria a maior vergonha para ele, a família e para mim também”, contou o desesperado paciente. “Não há como você reprimir esses impulsos?”, interrogou Alcimar. “Doutor, é coisa que não posso evitar. Já faço isso há muito tempo. É da minha natureza”. “Então”, disse o médico, “como não há jeito na medicina, só tem uma saída: T’áqui o dinheiro da passagem, vá para São Paulo dar o cedenho longe do seu pai”.



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