Força-tarefa apura se primeiro delator omitiu informações

Publicação: 2018-12-06 00:00:00 | Comentários: 0
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Fausto Macedo
Agência Estado

São Paulo (AE) - A força-tarefa da Lava Jato apura se o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, o primeiro delator da investigação, omitiu fatos relativos ao esquema de corrupção e cartel na estatal. Na 57.ª fase, deflagrada nesta quarta-feira, 5, e batizada de Sem Limites, a operação investiga gigantes do mercado internacional de petróleo por suspeita de pagamento de propinas milionárias a executivos da Petrobras em troca de vantagens na aquisição de derivados. "O curioso é que o Paulo Roberto Costa não narrou esse esquema no momento da sua colaboração", disse o delegado da Polícia Federal Filipe Hille Pacce.

Ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa afirma que não vai comentar assuntos legais
Ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa afirma que não vai comentar assuntos legais

Segundo o delegado, se houver indícios de que Paulo Roberto Costa fez "omissões dolosas" em sua colaboração, ele poderá ser ouvido novamente e, se confirmados, o ex-diretor pode ser alvo de novas sanções. "É uma questão que vai ser objeto de diligência aqui nesta investigação", completou o delegado.

"Eventualmente, se caracterizada a omissão dolosa em relação a esse ponto, ele perde os benefícios do acordo", afirmou o procurador da República Athayde Ribeiro Costa. "Isso será apurado, aprofundado nas investigações e as medidas, se necessárias, serão adotadas."

Em nota, o advogado João Mestieri, que defende o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, afirmou que "o sr. Paulo Roberto Costa narrou de forma ampla e irrestrita todos os fatos dos quais teve conhecimento, sendo inquestionável a total eficácia da sua colaboração".

Paulo Roberto Costa chefiou a diretoria de Abastecimento entre 2004 e 2012. Em março de 2014, quando a Lava Jato saiu às ruas pela primeira vez, ele foi preso por ordem do então juiz federal Sérgio Moro. Os investigadores descobriram US$ 23 milhões de Costa em contas na Suíça. Em agosto de 2014, ele firmou acordo de colaboração e revelou informações que ajudaram a desbaratar o esquema de lavagem de dinheiro e corrupção na Petrobras, além de apontar nomes de deputados e senadores que teriam recebido propina.

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras ficou preso em Curitiba até outubro de 2015, quando passou para regime semiaberto, com uso obrigatório de tornozeleira eletrônica. Desde outubro do ano passado, ele passou a cumprir o restante dos seus 17 anos de pena em regime aberto e, em novembro, tirou a tornozeleira.

Procurada pela reportagem, a Trafigura indicou que "não comenta assuntos legais" e afirmou não ter nada a dizer ao ser questionada se foi alvo de buscas também na Suíça. A Glencore também afirmou que, por enquanto, não teria nada a dizer. Também em nota, a Petrobras afirmou que "colabora com as autoridades que conduzem a Operação Lava Jato e é reconhecida pelo próprio Ministério Público Federal e pelo Supremo Tribunal como vítima dos crimes desvendados".

A estatal afirmou ainda que é a maior interessada e, portanto, quer todos fatos esclarecidos. "A companhia seguirá adotando as medidas necessárias para obter a devida reparação dos danos que lhe foram causados."



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