Forró com os mestres

Publicação: 2017-05-19 00:00:00 | Comentários: 0
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Tádzio França
Repórter

Quando as festas juninas se aproximam, os forrozeiros escolhem as quadrilhas e shows onde tocam seu forró favorito.  No momento em que o gênero está cada vez mais misturado com outros ritmos, a versão “de raiz” surge como a mais valorizada, e que melhor representa as origens do arrastapé. Este fim de semana em especial está favorável aos mestres: sábado, o paraibano Flávio José vai celebrar seus 30 anos de carreira com um show especial no Olimpo Recepções, em Candelária. No mesmo dia, o Festival Forró de Verdade fará a noitada de premiação de seus 11 novos compositores escolhidos, ao lado de uma galeria de mestres forrozeiros, na Estação Castelo, Parnamirim. É forró que não acaba mais.

Para Flávio José, o bom arrasta-pé deve ter a batida tradicional: “Vejo por aí o surgimento de  modismos que se rotulam de forró, mas onde na verdade de forró não tem nada”
Para Flávio José, o bom arrasta-pé deve ter a batida tradicional: “Vejo por aí o surgimento de  modismos que se rotulam de forró, mas onde na verdade de forró não tem nada”

Forró puro é o que promete Flávio José
Flávio José é daqueles que conheceu, viu e tocou ao lado dos mestres Luiz Gonzaga e Dominguinhos. É uma influência que até hoje ele faz questão de carregar ao lado da sanfona. O show deste sábado, no Olimpo Recepções, celebra sua carreira e também sua visão de forró. “Preparei um show com o maior número de músicas de sucesso da carreira, e como o tempo não vai ser suficiente para cantar todas, em dado momento, com voz e sanfona irei lembrar e cantar um pedacinho de cada sucesso”, diz ele, em entrevista ao FDS.

Clássicos do forró não faltam na bagagem de Flávio José, como “Espumas ao vento”, “Tareco e mariola”, “Caboclo sonhador”, “Filho do dono”, “A natureza das coisas”, “Pra você voltar pra mim”, “De mala e cuia”, “A natureza das coisas”, “Anjo querubim”, “A casa da saudade”, “Endoideceu meu coração”, “Segura o chororô”, “Quando bate o coração”, entre outras que levantam a poeira dos salões há mais de três décadas.

Flávio José tem na cabeça a sua ideia fixa de um bom forró: deve ter como base a sanfona, a zabumba e o triângulo, e sem fugir da batida tradicional que determina o verdadeiro forró. “No segmento que eu faço, não vejo mudanças. O que se vê por aí é o surgimento de  modismos e o pior, que se rotulam de forró, mas onde na verdade de forró não tem nada”, analisa, sem rodeios.

O músico veterano não aprecia o forró que faz sucesso atualmente entre uma parcela grande do público mais jovem, e deixa isso bem claro. Ele sabe que as divisões existem, e que o público também tem consciência disso. “Há sim uma divisão, mas pelo menos o público que toda vida amou a autentica musica nordestina não curte e não vai a shows de modismos”, afirma. Flávio é adepto do purismo na hora de fazer forró. “Para mim as misturas atrapalham a qualidade, e prejudicam principalmente a nossa cultura e os artistas verdadeiros e autênticos,  que a cada ano vêm sofrendo com essa inversão de valores na música”, atesta. “O forró que eu conheço é o que eu faço. Não conheço outro”, conclui.

Festival autoral

Serão nada menos que doze horas de arrasta-pé, das 17 até às 5h da manhã. “Já estão  chamando de rave do forró”, brinca Rodrigo Souza, organizador do Festival Forró de Verdade, que desde o começo de março vem selecionando novos talentos do forró para apresentar ao cenário musical potiguar. Foram escolhidos ao todo 11 compositores, e cada qual mostrará suas composições premiadas neste sábado. Mas não só: ao lado dos iniciantes, uma galeria respeitável de veteranos (alguns jovens também) que vão embalar a festa, como Alcymar Monteiro, Waldonys, Confraria do Fole, Os Gonzagas, e Aduilio Mendes.

Os Gonzagas representa a nova geração que segue a matriz dos ritmos tradicionais nordestinos
Os Gonzagas representa a nova geração que segue a matriz dos ritmos tradicionais nordestinos

O festival será realizado no Estação Castelo, em Parnamirim, em formato multicultural. Haverá uma Tenda do Cordel, ambiente para cordelistas e poetas mostrarem seus trabalhos; o Espaço do Sanfoneiro, com instrumentos e músicos; e um mini museu do forró, contando a história do gênero. O Bando das Brenhas, Galvão Filho, e trios de forró farão a introdução para os 11 escolhidos após as etapas do festival.

Entre os escolhidos, há novos nomes ao lado de outros bem conhecidos: tem “Cruzeiro de Cristo Rei”, de Jubileu Filho; “Um baião para Giullian Monte”, de Ivandro Andrade; “Forró no RN”, por Gilberto Querino; “Expressão”, de Mário Lúcio; “Vim te ver”, de Yrahn Barreto; “Fidera”, de Silvero Neto; “Cada minuto sem você”, de Giorgio Doss; “Estação iluminada”, de Priscila Matos; “Vestidinho de chita”, por Marise de Santana; “Nas asas da poesia”, por Hélio Crisanto, e “Meu amor é pra te dar”, de T. Torres e E. Petriz.

As composições foram escolhidas por votação popular. Segundo Rodrigo, a ideia é valorizar o que já existe e fomentar a exibição de novos trabalhos. “A gente quer que esses compositores mostrem seu talento, que ganhem visibilidade e toquem mais nas festas, nas rádios, em qualquer lugar que se preocupe em oferecer forró de qualidade”, diz. Mas ele ressalta que o festival não é uma “resposta” ao que é considerado um forró de baixa qualidade. “Não tem isso de resposta, evitamos comparações. Queremos um resgate cultural. Cada geração tem suas qualidades e o seu momento”, avalia.

Os organizadores atestam que o festival atingiu seu objetivo. O número de inscrições superou as expectativas: foram 91 composições inéditas. Na primeira etapa do concurso, as músicas inscritas foram para uma votação popular, no site e no aplicativo do Festival Forró de Verdade. Foram mais de 123 mil votos. Outro número comemorado pela organização. “Sinal de que tem muita coisa boa sendo produzida no nosso Rio Grande do Norte”, disse Júnior Lobato, um dos idealizadores do evento e músico da banda natalense Confraria do Fole. A música campeão na categoria com letra ainda vai ser interpretada por Waldonys na festa.

Serviço:
Especial Flávio José – 30 Anos de Carreira. Sábado, no Olimpo Recepções, Candelária (prolongamento da Prudente). Entrada: R$60. Vendas no Posto Novo Horizonte. Tel.: 99984-4919 e 3217-7778.

Festival Forró de Verdade. Sábado, das 17 às 5h, na Estação Castelo (BE-101, próximo a Vila Folia), Parnamirim. Entrada: R$60. Vendas na OnLine for Men (Via Direta e Norte Shopping).


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