Forró no coletivo

Publicação: 2018-10-30 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Um grupo de compositores tem puxado um movimento para impulsionar o forró autoral no Rio Grande do Norte. Iniciativas para a valorização desse gênero tipicamente brasileiro em Natal já tiveram antes, mas essa de agora, chamada de Forrótiguar, tem se mostrado mais integrada. Participam do grupo 20 artistas de várias gerações, dentre letristas, cantores e músicos. Eles têm mantido uma agenda regular de apresentações desde junho. Os lugares de show são bares e restaurantes, assim como eventos culturais ou específicos. O resultado é que além de popularizar a produção local, se vê também a criação de um circuito de casas que abrem espaço para o forró pé-de-serra, ampliando a cena natalense.

Iniciativa para a valorização do forró autoral, o Movimento Forrótiguar tem se mostrado mais integrado, com participação de 20 artistas que se dividem em grupos de 10 a 15 por shows
Iniciativa para a valorização do forró autoral, o ‘Movimento Forrótiguar’ tem se mostrado mais integrado, com participação de 20 artistas que se dividem em grupos de 10 a 15 por shows

Um dos integrantes do Forrótiguar é o cantor e compositor Leão Neto. Ele conta que é muito difícil para os artistas locais fazer suas músicas ecoarem na cidade. “Queremos quebrar essa barreira, aproximar o nosso forró do público, encontrar novos lugares para tocar. O circuito de forró na cidade realmente diminuiu muito, mas percebemos que as pessoas não deixaram de ouvir forró”, diz o artista. Outro objetivo que ele destaca é o de encontro dos compositores. “Esse movimento é importante também para nos aproximarmos uns dos outros, conhecer o que o outro produz e até mesmo compor junto”.

Além de Leão Neto, participam do movimento compositores como Galvão Filho, Ivando Monte, Itanildo Medeiros, Zeca Brasil, Mário Lúcio, Fernanda Azevedo, Ana Paschoal, Júnior Baiano, César Holanda, dentre outros intérpretes e artistas oriundos da MPB, como Giovani Montini, Beto Cunha, Waldir Luzz, Priscila Matos, Dusset, Zelito Coringa, Raphael Almeida, Elias do RX, Nara Costa, Dodora Cardoso e Alexandre Moreira.

Leão Neto diz que a força desses compositores pode ser verificada por exemplo nos festivais de música da cidade. No Forraço deste ano, na final tinham sete compositores do Forrótiguar. E quem venceu foi uma música de Galvão Filho e Beto Cunha. No Festival Música Potiguar Brasileira, da Rádio Universitária, seis nomes do Forrótiguar estão entre os 20 finalistas.

A iniciativa de criar esse movimento partiu de Ivando Monte, que chegou a entrar em contato com 50 artistas, mas apenas 20 toparam a ideia. Então vieram as reuniões para definir um caminho de atuação. “A primeira reunião foi em maio. Desde então definimos que as decisões seriam tomadas em assembleias. A gente faz ata e tudo. Questões menores a gente resolve por grupo de whatsapp. São muitas cabeças diferentes, mas tem funcionado bem”, explica Leão.

Os shows geralmente contam com entre 10 e 15 integrantes. Cada um canta três canções. A banda que acompanha tem o formato de duas sanfonas, zabumba e triângulo, além de cavaquinho ou violão de 7 cordas. Na sanfona já tocaram Lipe Guedes e Niltinho Sanfoneiro. O show tem um roteiro bem dinâmico, de até três horas. Desce um artista e sobe outro, deixando a apresentação contínua. Cada show os participantes mudam.


Várias gerações do forró se reuniram em shows pela cidade. Parte dos artistas do coletivo participou da Festa do Boi
Várias gerações do forró se reuniram em shows pela cidade. Parte dos artistas do coletivo participou da Festa do Boi

Dentre alguns bares que já receberam o Forrótiguar estão o Bar do Zé Reeira e o Bardallos, na Cidade Alta, o Arretado Bar, em Parnamirim, Festa do Boi e São João da Arena das Dunas. Mas alguns restaurantes, lugares que nunca abriram espaço para a música autoral, também já estão interessados em receber o grupo.

Leão diz que a receptividade do público tem sido ótima. “No começo a gente teve receio se ia dar realmente certo. Mas vimos que o público adorou. O natalense gosta de forró. E com esse movimento eles passam a conhecer a produção local. Você pega o Itanildo Medeiros, por exemplo, é um cara que tem 13 músicas gravadas por Flávio José. Músicas conhecidas, como 'Nordestino Sonhador', 'Filosofia'. Galvão Filho tem música gravada por Santana, Dominguinhos. Quando a gente toca o pessoal nem acredita”, diz o compositor.

Para o próximo ano, o grupo pretende estender as atividades do Forrótiguar. Eles colocaram um projeto na Lei Djalma Maranhão para realizar shows na Travessa Pax, na Cidade Alta, que está sendo revitalizada para ser um espaço cultural. Outro projeto é tocar em feiras livres da cidade. “A dificuldade não é começar o movimento. É manter. Ainda não estamos tirando dinheiro pra gente. O cachê é para a banda. Mas devagarzinho a gente vai longe”, comenta o Leão.

Serviço
Movimento Forrótiguar.   Próximos shows confirmados. Dia 16/11: Restaurante Jatobá (Capim Macio), às 20h. Dia 13/12: Restaurante Xukalho (conjunto Flamboyant). Tel.: 84 9992-7979. Instagram @forrotiguar

O que
Movimento Forrótiguar reúne artistas de várias gerações do forró e tem como objetivo ampliar o espaço deste ritmo nas agendas culturais da região. Entre os participantes estão Leão Neto, Galvão Filho, Ivando Monte, Itanildo Medeiros, Zeca Brasil, Mário Lúcio, Fernanda Azevedo, Ana Paschoal, Júnior Baiano, César Holanda, dentre outros intérpretes e artistas oriundos da MPB, como Giovani Montini, Beto Cunha, Waldir Luzz, Priscila Matos, Dusset, Zelito Coringa, Raphael Almeida, Elias do RX, Nara Costa, Dodora Cardoso e Alexandre Moreira.. Também integram a banda Lipe Guedes e Niltinho Sanfoneiro.




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