Forte dos Reis Magos estará fechado na alta estação

Publicação: 2018-11-04 00:00:00 | Comentários: 0
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Luiz Henrique Gomes
Repórter

O fechamento da Fortaleza dos Reis Magos para obras de restauração no início do verão nordestino, quando o Rio Grande do Norte recebe o maior número de turistas, simboliza o abandono e deterioração do Centro Histórico de Natal. Sem conservação na maior parte dos prédios, aos poucos as histórias da cidade e do Estado são apagadas, sumindo das ruas, da vida cultural e do imaginário popular. O turismo, por mais um ano, fica resumido ao “sol e mar”.

O Forte dos Reis Magos tem sido excluído de roteiros turísticos por causa da estrutura precária e falta de segurança
O Forte dos Reis Magos tem sido excluído de roteiros turísticos por causa da estrutura precária e falta de segurança


Esse é o terceiro verão consecutivo que a Fortaleza dos Reis Magos, o maior e mais antigo monumento histórico do Estado, fica excluído das rotas turísticas das agências de viagem por não ter estrutura e segurança. Inclui-se nessa lista locais como o Teatro Alberto Maranhão, erguido em 1904 e fechado desde 2014, a Pinacoteca, em reformas, e a primeira faculdade de Direito, inutilizada desde 2001. Em anos anteriores, o Teatro Adjunto Dias, de Caicó, e o Lauro Monte, em Mossoró, também estiveram fechados por obras de restauração.

Todos esses prédios significam uma alternativa para a vida da cidade – ou tem o potencial de significar. O secretário de turismo do Estado, Manuel Gaspar, afirma que é necessário que o Estado seja reconhecido não somente por possuir praias e o clima adequado para o turismo, mas também pela sua história. “Dá uma alternativa ao carro-chefe do turismo, que é o sol e o mar. Mostra a história, como o encontro de Roosevelt com Getúlio vargas na década de 40, o descobrimento do Brasil em Touros”, afirma. 

Fechados por diversas razões, os prédios costumam enfrentar a burocracia antes de ter as obras iniciadas. O Alberto Maranhão, por exemplo, está fechado desde 2015 por falta de acessibilidade e prevenção de incêndio, mas os reparos se iniciaram somente em junho deste ano. A Fortaleza dos Reis Magos tem estado em penúria desde 2014, quando a gestão ficou nas mãos do Iphan, órgão de patrimônio do Ministério da Cultura, e retornou para o Estado neste ano.

A alternativa neste verão pode ser o Museu da Rampa, previsto para ser entregue no final deste mês de novembro. O local, pensado em 2007, vai abrigar o acervo da história de Natal, como documentos do encontro do então presidente do Brasil Getúlio Vargas e o presidente dos Estados Unidos Franklin Roosevelt na década de 40.

Para o empresário do ramo de turismo George Costa, o Museu vai significar um “divisor de águas” no turismo histórico do Rio Grande do Norte. “Vai contar uma história própria de Natal, exclusiva”, diz. “Hoje, os turistas são levados para conhecer as igrejas e outros monumentos, mas isso eles podem encontrar em outras cidades. O Museu da Rampa não, isso vai ser próprio”, explica.

Enquanto não fica pronto, restam poucos locais históricos para visitar. O francês Joris Guerin, que visitou o Forte dos Reis Magos na última quarta-feira, 30, frustrou-se ao andar pelo Centro Histórico e esbarrar no Teatro Alberto Maranhão e Pinacoteca fechados. No próprio Forte, sentiu falta de explicações sobre a história do local. “Parece que os lugares históricos estão abandonados”, afirmou o turista, há um mês em Natal.

Com restauração em algumas praças e locais, a expectativa de Manuel Gaspar é que a situação mude em breve. “Nós nos preocupamos com a falta de opções históricas, mas tudo decorre da falta de conservação. Com isso resolvido, com as obras já em andamento, a expectativa é que haja sim essa alternativa”, conclui.

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