Forte pode se tornar Patrimônio da Humanidade

Publicação: 2017-09-26 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Mais antiga construção do Rio Grande do Norte, erguido no início do século XVII, o Forte dos Reis Magos pode passar a ter uma importância histórica não apenas nacional. O monumento está incluído num conjunto de 19 fortificações brasileiras que concorrerá ao título de Patrimônio Mundial da Humanidade, estabelecido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Um grupo encabeçado pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e diversos agentes locais visitou o Forte na tarde de ontem (25). Hoje a equipe continua reunida em Natal para definir ações estratégicas para a candidatura.
Mais antiga construção do Rio Grandedo Norte, a fortaleza foi erguida no início do Século XVII. Após prospecção realizada em 2014, o local lembra um canteiro de obras
Mais antiga construção do Rio Grandedo Norte, a fortaleza foi erguida no início do Século XVII

A reunião técnica foi proposta pelo Diretor do Departamento de Articulação e Fomento do IPHAN, Marcelo Brito, e conta com a participação de representantes do Governo do Estado, Prefeitura de Natal, Fecomércio, Sesc, Associação  Comercial do RN, dentre outras entidades. O Forte Reis Magos é o segundo monumento do 19 que Brito visita – o primeiro foi a Fortaleza de São José do Macapá, no Amapá. Segundo o gestor, a situação atual do Forte não é boa, mas ele vê grande potencial no monumento a partir de sua restauração.

“Hoje, do jeito que o Forte dos Reis Magos está, ele não passaria na avaliação da Unesco. Mas tem potencial. Por isso estamos fazendo essas reuniões locais. Queremos estabelecer uma série de ações para deixar as fortificações prontas para a candidatura”, diz Brito. “A candidatura do conjunto de fortificações será apresentada em 2019. Até lá ainda temos uma série de etapas a cumprir para estarmos nas condições necessárias de concorrer. Temos tempo”.

As etapas, de acordo com o gestor, estão dentre de três eixos: proteção, conservação e gestão. “Alguns fortes necessitam de restauração e obras de manutenção. Mas não é só isso. Eles também precisam estar plenamente abertos, receptivos, com uma programação de atividades, com o entorno bem cuidado. Tudo isso depende de uma gestão adequada”, explica Brito. Depois de Natal ele irá visitar o Forte Santa Catarina, em Cabedelo, na Paraíba.
Representante do Iphan Marcelo Brito faz visita técnica ao lado de Márcio Granzotto, do RN
Representante do Iphan Marcelo Brito faz visita técnica ao lado de Márcio Granzotto, do RN

O plano de candidatura dos fortes está sendo comandado pelo Iphan, com o esforço dos ministérios do Turismo, Cultura e Defesa. Quanto a recursos para viabilizar as ações previstas, Brito diz que ainda não é possível falar em valores. Como a situação financeira do país não é propícia, ele ressalta a importância da participação dos órgãos estadual e municipal, além da iniciativa privada, em somarem esforços.

Brito traz para o projeto sua experiência na atuação da bem sucedida candidatura da Cidade de Goiás, em Goiás, ao título de Patrimônio Histórico da Humanidade, conseguido em 2001. Na época ele era superintendente do Iphan local. “Fizemos um projeto de restauração de vários monumentos na cidade, desenvolvemos uma dinâmica cultural. Como resultado, atraímos diversas atividades, dos mais diversos segmentos, para o local”, recorda.

Na visão do diretor do Iphan, o  conjunto de fortificações nacionais, sendo aprovado pela Unesco, iria incrementar o turismo no país, pois internacionalmente o Brasil ganharia ainda mais valor histórico. O gestor também ressalta que além dos benefícios turísticos, há os ganhos culturais e sociais. “Esse conjunto entraria no mapa internacional do turismo. Essa visibilidade geraria uma nova dinâmica a cada um dos fortes. Em termos sociais, há a valorização do espaço, a estruturação de seu entorno, a geração de empregos. O pleno funcionamento, o forte atrairia atividades culturais de vários tipos. É um ganha importante”, comenta.

A ideia de buscar o título de Patrimônio da Humanidade surgiu em 2008. Segundo Brito, no início eram 156 fortificações. Somente em 2015 foi definido os 19 nomes atuais. No entanto o gestor não descarta a possibilidade de diminuir ainda mais esse número. “Pode ser que até o dia da candidatura seja menos. Vai depender da avaliação técnica. Mas nosso projeto é de trabalhar com esses 19 mesmo. Por isso é fundamental a articulação de todos os interessados para realizar esse plano”, conta.

As 19 fortificações estão distribuídas por dez estados (RN, AP, MS, RO, PB, PE, BA, RJ, SP, SC) e foram todos construídos no período colonial. Brito vê o conjunto proposto como um montante representativo do processo singular de ocupação do território brasileiro. “Esses fortes têm um papel real e simbólico na formação de um território de dimensões continentais. A nossa ocupação foi dentro de um processo bem diferente de outras colônias, é único na história mundial”, afirma.

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