Frases e sentenças inapeláveis

Publicação: 2020-01-21 00:00:00
Valério Mesquita
Escritor

Em  Assu, na calçada dos bate-papos inteligentes da casa do poeta Severo Santiago, perguntaram a Renato Caldas: “Diga-me as três melhores coisas desta vida”. O irreverente vate detonou: “Cerveja gelada, boi na invernada e mulher pelada”. Severo foi além: “Agora amigo, diga as três piores!”. Renato, sem gaguejar, resumiu: “Cerveja quente, boi doente e mulher dos outros que a gente quer pra gente”. A esposa dele estava escorada no portal, sorriu e entrou. Renato sentenciou: “Viu o que você fez? Hoje durmo no sofá!”.

02) A campanha estava no auge. Dinarte cobriu literalmente o Alecrim de vermelho. No palanque só os “cobras”. Discursaram Tarcísio Maia, Vingt Rosado, Djalma Marinho, candidato oficial, entre outros. Dinarte estava chegando acompanhado de Dix-Huit, senador de peso tanto corpóreo quanto eleitoral. Anunciaram o líder mossoroense que, diante da multidão, se expressou condoreiro: “Djalma, quase cheguei tarde para falar, mais cheguei em tempo para ajudar a construir sua vitória. Diante desse mar vermelho humano, diante dessa fleborragia sem controle, eu afirmo: você está eleito!!!”. Agnelo Alves, que da redação da Tribuna do Norte, rádio ligado na emissora adversária, ouvia os discursos, passou duas horas procurando no dicionário Aurélio Buarque de Holanda, o significado da palavra “fleborragia”. Para o leitor desse causo, fleborragia é o escoamento de sangue (ruptura) proveniente de uma veia. Com essa oratória, Djalma não podia ganhar essa eleição.

03) Angicos é cidade pequena, mas rica em filhos ilustres da seara política do Rio Grande do Norte. Como exceção, gerou também José Barbosa, conhecido por ‘Zé Doido”. Era inteligente, porem os “neurônios”, como diziam na cidade, estavam desalinhados. Barbosa lia muito, mas não dava bolas para o dicionário e, aí, embolava o meio de campo das palavras. Sabedor que o seu líder político e amigo Vander Lindem, ferrenho adversário de Aluízio, revelava-se homem de boa cultura, teve a idéia de presenteá-lo com um livro. O presente escolhido: “Minha Luta” de Adolf Hitler. No oferecimento Zé escreveu: “Ao meu grande amigo e ‘indefecável’ guerreiro, lutador das causas públicas e privadas do povo pobre e ‘comprimido pelos abastados’ afirmo que essa ‘luta’ de Hitler tem a sua cara. Saudações partidárias, Zé Barbosa”. Vander Lindem perdeu a guerra no primeiro tiro.

04) Arian Cunha Lima, quando foi prefeito de Passa e Fica, vivia se queixando dos problemas de administrar uma prefeitura pobre do interior. O povo aperreava bastante com pedidos de emprego e auxílio. “Já não suporto mais. Não consigo nem ir à prefeitura, com tanto pede-pede”. Foi aí que um seu amigo, ouvindo as amargas queixas, ponderou, penalizado: “Arian, por que você não larga isso para o Vice-prefeito assumir?” Arian Cunha Lima, com aquela fisionomia sisuda, carrancuda, até, respondeu com benevolência e compaixão: “Não posso fazer isso com o meu vice-prefeito. Ele até me convidou agora para ser padrinho de casamento de um filho seu”.

05) Zoívo Barbosa, foi alfaiate de profissão, técnico de futebol amador e eterno candidato a vereança. Era querido e popular na cidade. Certa feita, Zoívo dava instruções aos seus pupilos. “Valmir”, disse, “você recebe a bola no bico da área, passa para Cid, que sacode lá dentro da área do adversário. Nisso, Manuel mata no peito e, “chulapo!” dentro do gol; o goleiro num vai ver nem a cor da bola.” Etevaldo que era o centro-avante e artilheiro do time, por não ter sido citado, perguntou: “Seu Zoívo, e eu? Faço o quê?”. “Olhe”, argumentou o técnico, “como você é baixinho, a zaga deles é alta, fique no meio dos zagueiros só pra “antrapaiá”. Etevaldo, a partir daí, passou a ser chamado de atacante bostífero.