Fronteira está fechada há vinte dias

Publicação: 2019-11-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Corumbá - A linha internacional que divide as cidades de Corumbá, no Brasil, e Arroyo Concepción, Puerto Quijarro e Puerto Suárez, na Bolívia, permanece fechada, mesmo após a renúncia de Evo Morales ao cargo de presidente da República. A manifestação na região fronteiriça chega ao 20.° dia e apenas pedestres cruzam entre os dois países.

O bloqueio é feito por montes de terra, entulhos, caminhões e até mesmo um guindaste que tem hasteada a bandeira boliviana e que segue na Ponte da Amizade. A passagem é permitida apenas a pé ou em casos de emergência, como ambulâncias, já que muitos pacientes bolivianos são atendidos no pronto-socorro de Corumbá O trânsito de comida e água também é permitido, para que não haja desabastecimento no país vizinho.

Os manifestantes alegam que aguardam determinação do Comitê Cívico de Santa Cruz de La Sierra para que a greve geral e o bloqueio sejam suspensos.

De acordo com a presidente do Comitê Cívico Feminino de Puerto Quijarro, Rosário Hurtado de Gallardo, a greve prossegue sem previsão de reabertura da fronteira até que a renúncia oficial de Morales seja feita. "Esperamos determinações dos Comitês Cívicos. Tudo segue como antes, mesmo com a renúncia de Evo, que foi apenas de forma verbal e não há como assegurar de forma oficial, pois não há um documento que comprove que ele deixou o cargo.".

Rosário Hurtado explicou que "por esse motivo, a greve geral, bem como o bloqueio na fronteira, prossegue até que um presidente interino seja nomeado pela Assembleia Legislativa. Vamos esperar que se reúna o Parlamento para que recebam a renúncia de forma oficial e, assim, um novo chefe de Estado seja nomeado, anunciando também as novas eleições".

Ao todo, existem sete pontos de bloqueios entre as cidades de Puerto Quijarro, na fronteira, até a cidade de Roboré. Todos registrados na estrada Bioceânica, via que liga Bolívia com Brasil. Além disso, empresas de viagens que atuam nos terminais rodoviários de Puerto Quijarro e Puerto Suárez suspenderam a venda de passagens com destinos à Santa Cruz de La Sierra.

Em Corumbá, o setor de comércio foi um dos mais atingidos, já que os bolivianos vinham sendo os principais compradores em diferentes segmentos, como nos setores de calçados, vestuários e até mesmo alimentícios.

A Associação Comercial e Industrial de Corumbá (ACIC) estima que o comércio tenha deixado de faturar R$ 300 mil por dia e que o prejuízo chegue a R$ 5 milhões para o setor.

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) ironizou o aceite de Evo Morales, que renunciou no último domingo à presidência da Bolívia, à oferta de asilo no México. "Lá (no México) a esquerda tomou conta de novo. Tenho um bom país para ele: Cuba", afirmou Bolsonaro em frente ao Palácio do Alvorada.





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