Economia
Fruticultura potiguar deve movimentar R$ 1 bilhão em 2022
Publicado: 00:00:00 - 28/11/2021 Atualizado: 18:46:35 - 28/11/2021
Bruno Vital   
Repórter

A fruticultura do Rio Grande do Norte deverá movimentar cerca de R$ 1 bilhão em 2022, ultrapassando a marca de 2020, quando o Estado movimentou R$ 750 milhões, cifras que devem se repetir ao final deste ano. A estimativa é de Guilherme Saldanha, titular da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte (Sape), que participou da Feira Internacional da Fruticultura Tropical Irrigada (Expofruit) na última semana.
emanuel amaral/arquivo tn
O melão continua sendo o carro-chefe da produção frutícola potiguar. Em outubro passado, as exportações de melões frescos cresceram e totalizaram US$ 19,3 milhões

O melão continua sendo o carro-chefe da produção frutícola potiguar. Em outubro passado, as exportações de melões frescos cresceram e totalizaram US$ 19,3 milhões

Leia Mais


“A gente termina esse ano muito bem, continuamos na liderança como o maior exportador de frutas do Brasil. O mundo está enfrentando um problema muto difícil de rota marítima e de contêiner, mas, mesmo assim, a gente deve crescer de 15% a 20%. Vamos passar a barreira dos US$ 200 milhões de frutas, o que representa R$ 1 bilhão de dinheiro estrangeiro que vai entrar aqui. Eu estou muito otimista”, comenta Saldanha.

O melão continua sendo o carro-chefe da produção frutícola potiguar, seguido por melancia, mamão, banana e manga. De acordo com dados do Sebrae/RN, em outubro passado, as exportações de melões frescos cresceram e totalizaram US$ 19,3 milhões. Na comparação com o mês anterior, o RN havia comercializado no mercado internacional US$ 10,8 milhões, desempenho que estava relacionado à retomada da entressafra da fruta. A expectativa é que 2021 alcance os mesmos números do ano passado, quando o Rio Grande do Norte exportou 300 mil toneladas de frutas frescas.

“Além do melão, a gente tem a consolidação de outras culturas, que devem evoluir em 2022. Temos melancia, banana, limão, abóbora e estamos enxergando a entrada da uva na nossa região, mas não só isso. Temos uma região que é capaz de produzir diversas outras culturas, não só com o objetivo de exportação, mas também de atender o mercado local. Por nós estarmos tão próximos dos portos da Europa e da América do Norte, isso faz com que tenhamos um potencial gigantesco”, afirma Fábio Queiroga, presidente do Comitê Executivo de Fruticultura do Rio Grande do Norte (Coex/RN).

Em agosto passado, o RN triplicou a capacidade de exportação de melão para o Chile, passando de quatro fazendas e três empacotadeiras em 2020 para 13 fazendas e 11 empacotadeiras habilitadas. O Brasil tem um acordo bilateral com o Chile, para exportação de frutos de melão e melancia frescos. O acordo é renovado anualmente, baseado em critérios como a certificação fitossanitária e o monitoramento das propriedades produtoras.

“Temos uma oportunidade muito boa. Nossa região é dotada de privilégios incomensuráveis, apenas 10% do Brasil tem solos com o nível de fertilidade que a nossa terra tem. Nós conseguimos produzir com níveis mais baixos de insumos e fertilizantes do que em outras regiões. Nós produzimos 12 meses por ano, enquanto alguns países desenvolvidos só conseguem ter uma ou duas colheitas por ano”, comenta Fábio Queiroga.

A maior produtora de melões e melancias do país, a Agrícola Famosa, que tem parte da sede em Mossoró, também espera aumentar o ritmo de produção e exportação em 2022. “A projeção é positiva e deve ser parecida com a de 2021. Com o câmbio valorizado, as exportações devem continuar altas e a demanda na Europa está boa. As exportações que tivemos neste ano foram muito importantes para o estado, para a geração de empregos”, pontua Luiz Roberto Barcelos, proprietário da Agrícola Famosa.

Pegando carona no surgimento e consolidação de outras culturas frutíferas no Estado, além do melão, a produtora Frutas Doce Mel também quer expandir os negócios pelo mundo no ano que vem. Na filial do Rio Grande do Norte, em Baraúna, o foco é na produção e distribuição do mamão para os mercados interno e externo.

“A população conhecia muito a nossa marca pelo mamão formosa e pelo abacaxi. Antes tínhamos uma produção toda voltada para a matriz, que fica em Mamanguape, e aqui em Baraúna. O mamão formosa a gente já exporta para 11 países. Com o passar do tempo, nestes 24 anos de empresa, foram vistas novas oportunidades de produzir e exportar outros produtos e atender atacadões. Estamos confiantes que cresceremos ainda mais em 2022”, afirma Caio Araújo, coordenador de marketing da empresa.

Produtores focam no mercado chinês

Atualmente, cerca de 40% das exportações de frutas do País saem do Rio Grande do Norte, a produção é destinada ao consumo interno e a exportação, tendo a Europa como principal destino, sobretudo o Reino Unido e a Holanda. Para produtores, investidores e autoridades do agronegócio, o momento é de estreitar laços com o mercado asiático, voltando as atenções para a China.
raiane miranda
Em agosto passado, o Estado aumentou número de fazendas exportadoras de melão para 11

Em agosto passado, o Estado aumentou número de fazendas exportadoras de melão para 11


Passado pouco mais de um ano após envio das primeiras toneladas de melão à China, missão comercial de produtores potiguares ao país asiático buscará ampliar as exportações. O encontro ocorrerá em março do próximo ano e foi definido entre representantes do Sebrae no Rio Grande do Norte, Governo do Estado e Comitê Executivo de Fruticultura (COEX) junto ao Consulado chinês, durante o Fórum da Fruticultura, um dos eventos da Expofruit, em Mossoró.

Em participação virtual na palestra “Estratégias comerciais para a fruticultura”, a Cônsul Geral da China, Yan Yuqing, destacou a qualidade do melão potiguar e ressaltou a importância da cooperação comercial bilateral. Também participou do painel o adido comercial chinês Shao Weitong.   O país consome cerca de 17 milhões de toneladas da fruta ao ano.

“O Brasil possui condições naturais superiores para uma grande produção, muitas variedades e alta qualidade das frutas, tornando-se o terceiro maior produtor de frutas no mundo. Sendo o  mercado consumidor de frutas com maior potencial, a China tem crescente demanda por frutas e vegetais de alta qualidade do exterior. Portanto, é extremamente complementar a cooperação entre a China e o Brasil na área de comércio das frutas”, enfatizou Yuqing.

Leia também

Plantão de Notícias

Baixe Grátis o App Tribuna do Norte

Jornal Impresso

Edição do dia:
Edição do Dia - Jornal Tribuna do Norte