Fundo eleitoral chega a 44% dos candidatos

Publicação: 2018-10-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Dos quase 9 mil candidatos que disputaram uma cadeira no Congresso Nacional neste ano, menos da metade (44,7%) recebeu recursos do fundo eleitoral, composto por dinheiro público. Levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo mostra que, entre os que usaram esse recurso em suas campanhas, 11,62% conseguiram se eleger. Por outro lado, 175 dos 359 candidatos a deputados e senadores que receberam R$ 1 milhão ou mais do fundo ficaram sem a vaga.

Aprovado no ano passado pelos parlamentares após a proibição de doações empresariais, o fundo eleitoral contou com R$ 1,7 bilhão, valor repassado aos partidos.

Para quem concorreu sem o fundo eleitoral, o porcentual de sucesso foi baixo - só 2% conseguiram se eleger. A exceção ficou com o PSL, que elegeu 37 deputados e três senadores que não usaram recursos do fundo. Eles foram impulsionados pela campanha de Jair Bolsonaro (PSL) ao Planalto, que também não usou a verba pública até agora. Outros 16 eleitos pelo partido para o Congresso receberam o dinheiro público.

Os partidos priorizaram as candidaturas à Câmara, aplicando nelas 46% do total de R$ 1,7 bilhão (R$ 794 milhões) recebido. Esse é o destino preferencial porque a fatia de recursos que as siglas recebem e também o tempo de TV dependem do tamanho da bancada.

A maior parte desse investimento, ou R$ 443,6 milhões, foi feita em parlamentares que não se elegeram, como o deputado e ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio (PP-PR) e o deputado federal por quatro mandatos Benito Gama (PTB-BA).

Também ficaram fora candidatos como Danielle Cunha (R$ 2 milhões) e Cristiane Brasil (R$ 1,85 milhão) - filhas, respectivamente, do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ), condenado e preso na Lava Jato, e do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), condenado no processo do mensalão.

De 81 candidatos ao Senado que foram financiados com pelo menos R$ 1 milhão, 26 se elegeram.

Com R$ 4 milhões recebidos, Dilma Rousseff (PT), por exemplo, não conseguiu a vaga.

Nesta quinta-feira, 11, o senador Romero Jucá culpou a Operação Lava Jato, a imprensa, o Ministério Público e a entrada em grande número de venezuelanos no País pela derrota.

"Perdi por 426 votos, numa eleição dura, maculada pela invasão dos venezuelanos, pelo corte de energia da Venezuela permanentemente durante a campanha. Então, foi uma campanha com uma conjuntura muito difícil, além dos ataques que sofri durante dois anos pela Lava Jato", disse o senador do MDB.

Na avaliação do cientista político Humberto Dantas, a eleição de 37 deputados do PSL sem recurso de fundo eleitoral é um dos pontos destacados. "O grande impacto dessa eleição foi uma campanha extremamente bem-sucedida e aparentemente muito barata de um partido que se preparou e soube usar as redes sociais", afirma o cientista político, ao destacar o desempenho da legenda partidária.

Depois do PSL, a Rede foi a segunda sigla que mais elegeu deputados sem o uso do fundo eleitoral. Os candidatos têm até o início de novembro para apresentar as contas finais da campanha ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).




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