Fundo, fundão

Publicação: 2019-12-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

A corrupção, travestida de diversas formas, faz parte do caldo de cultura da política. Dito assim parece grosseiro. Não é. O caso mais recente e emblemático - palavra hoje tão caída no desuso depois de um grande fulgor expressivo - é o Fundo Partidário que alguns já estão chamando de fundão. No fim, é da tradição oral brasileira, esse aumentativo tem todo sentido na medida em que imprime um gosto pejorativo forte quando o povo quer repudiar.

Tudo começou no debate nacional aparentemente saudável em torno do financiamento des campanhas políticas. Julgou-se como se fosse certo que a legislação eleitoral, em nome da lisura, não poderia deixar sem regras o poder dos empresários com suas torneiras. A Operação Lava Jato revelou os gravíssimos desmandos caídos muito mais no enriquecimento ilícito de vários políticos, como nas negociatas de falsas licitações engordando valores astronômicos.

Ao invés da denúncia servir para um bom freio, mudou-se a fome do monstro para a outra margem do rio. E entregou-se diretamente ao campo político a definição dos critérios. O primeiro efeito quando a discussão na Câmara e Senado foi nada definir. Mesmo assim, e em nome do cuidado que esconde o medo da reação popular, convencionou-se que seria de bom alvitre fixar esse valor nacional em R$ 1,8 bi do agora financiamento público de campanha.

Em determinado momento, e por artes do demônio, alguns políticos, aqueles sempre escalados para o frio exercício do escárnio, passaram a por em dúvida o valor inicialmente acertado e chegaram à conclusão, pelas mesmas artimanhas diabólicas, que só elevando esse valor para R$ 3,8 bilhões. Os cálculos, feitos no silêncio fechado dos gabinetes e ao arrepio de qualquer debate público, foram anunciados como a grande cataplasma da vida democrática. 

Quando é agora, o eleitor é espetado na costela com a informação de que entre outras fontes o fundão será engordado com recursos da saúde e da educação. Mas, que é preciso ter a precaução de não levar o assunto a plenário, ou seja, a público. A solução seria os presidentes assumirem como decisões internas, como poder constituído, Câmara e Senado, as máscaras que protegeriam o rosto dos artífices, perpetrando o crime sem deixar impressões digitais.

Do outro lado da máscara, sabe-se, há outras máscaras e as mãos bem enluvadas da indústria do marketing e toda sua cadeia criativa: agências, estúdios, especialistas graduados em estratégia, maquiadores, cenógrafos e que tais.  A campanha virou uma forma perversa de mercado persa, suprimindo o verdadeiro debate de idéias que autenticaria a arte da política. Hoje a campanha virou uma fábrica de glamour que inventa idéias, gestos, imagens e marcas. 

PALCO
VERÃO - A governadora Fátima Bezerra faz uma pequena reforma na sua casa da Redinha Velha, ela que sempre foi veranista de lá. Prepara-se para a alegria do verão que vai chegar.

DÚVIDA - O governo anuncia: paga o 13º deste ano dia 31, o último dia útil do exercício. Mas se na véspera, dia 30, receber os R$ 160 milhões da sessão onerosa do chamado pré-sal.

ALIÁS - Não há matematicamente como o governo pagar os três nesses devidos até agora ao funcionalismo estadual. A receita não tem como. A não ser que consiga novos recursos extras.

QUAIS? - Uma solução seria o parcelamento mensal, mas a governadora não tem o desejo de privatizar as empresas que interessem à iniciativa privada. Caern, por exemplo, seria um caso.
PREÇO - A decisão do Tribunal de Justiça mantendo as fontes do novo Proedi preservará os incentivos, mas leva o governo estadual a responder pelos cortes nos orçamentos municipais.

EFEITO - A governadora Fátima Bezerra enfrenta dois focos de descontentamento: junto aos sindicatos que lutam pelos salários atrasados e mais de cinquenta prefeituras hoje penalizadas.

HOJE - Diógenes da Cunha Lima lança hoje, às 18h, na Livraria Manimbu - Rua Açu, 666 - o ‘Natal de Zé Zus’. História de Jesus que nasce e renasce em Natal todo dia 25 de dezembro.

AGENDA - Amanhã, quinta, às 10h da manhã, no auditório da Procuradoria Geral do Estado, o bate-papo sobre a vida e a obra de Oswaldo Lamartine. O sertão que imortalizou nos livros.

CAMARIM
GESTO – Será inaugurado dia 13 de fevereiro próximo, na Praça André de Albuquerque, a iluminação do Memorial Câmara Cascudo. Gesto da Cosern, iniciativa e doação através do seu Instituto Neoenergia. É um grande exemplo a ser seguido por outras empresas do Estado. 

ALIÁS - A Cosern, através da lei de incentivo, também financiou as obras de acessibilidade na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras e que já estão sendo realizadas. A participação empresarial na vida cultural da cidade cria laços bons e concretos com a história do seu povo.

PRÊMIO - A Escola Municipal Eduardo Gomes, de Parnamirim, recebeu agora, em S. Paulo, o prêmio de melhor biblioteca escolar do Brasil. Competiu com mais de cem escolas no país e hoje é um exemplo de bom estímulo à leitura. É dirigida pela professora Maria José Pinheiro. 




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