Funpec paga R$ 4 milhões por vídeos com audiência média de 699 pessoas

Publicação: 2019-05-31 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Ricardo Araújo
Editor de Economia

O Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte (MPF/RN) instaurou Inquérito Civil Público para investigar o contrato da Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec) com o Grupo Fields 360, empresa de comunicação integrada que gere a campanha publicitária 'Sífilis Não', orçada em R$ 50 milhões. O  contrato previu a elaboração de vídeos para TV e internet, gerenciamento de redes sociais e impressão de material gráfico. A websérie, dividida em 10 episódios, custou R$ 4,1 milhões. Cada episódio foi assistido, em média, por 699 pessoas (de acordo com audiência medida no início da noite desta quinta-feira, 30, no site e no canal oficial da Campanha Sífilis Não na internet).

Portal do MPF/RN mostra que movimentação processual não tem atualização desde agosto/2018
Portal do MPF/RN mostra que movimentação processual não tem atualização desde agosto/2018

O contrato tem vigência de 12 meses com possibilidade de prorrogação do prazo e revisão de preços em até 25% do valor inicial atualizado. A empresa foi a única a apresentar propostas técnica e de preços de acordo documentos disponibilizados pela Funpec no seu próprio site (funpec.br) relativos aos Edital de Seleção Pública Presencial nº 001/2018-Funpec, lançado no dia 4 de junho do ano passado. O valor estimado do contrato em referência, R$ 50 milhões, é quase cinco vezes os orçamentos deste ano para a Comunicação/Publicidade oficiais  previstos pela Prefeitura do Natal e Governo do Estado.

A abertura do processo investigatório pelo MPF/RN ocorreu em 20 de agosto do ano passado, após o recebimento de uma denúncia anônima pelo setor extrajudicial do órgão, e é analisada pelo procurador da República Kleber Martins de Araújo. Até a noite desta quinta-feira, 30 de maio, não havia nenhuma movimentação processual além do registro de abertura e distribuição ao gabinete do procurador. A expectativa é que nesta sexta-feira, 31 de maio, o procurador disponibilize o conteúdo que estava sob análise. Na consulta ao processo, consta que ele está no 'Grupo Temático de Combate à Corrupção', que investiga 'crimes de responsabilidade e improbidade administrativa'.

O denunciante recorreu à Procuradoria da República cerca de 15 dias após a Funpec divulgar a ata da Segunda e Terceira Sessões da Seleção Pública Presencial nº 001/2018, realizada no dia 14 de agosto de 2018. No documento, consta a informação de que a empresa Fields Comunicação Ltda., com sede em Brasília e escritório em São Paulo, foi “a única empresa presente (…) representada pela Sra. Gabriela Murad Albuquerque”. Analisados e aprovados os requisitos técnicos inerentes ao processo, com recálculo de notas conforme informado na ata das sessões, a comissão partiu para a apreciação dos preços.

Na ocasião, “o presidente da Comissão de Seleção Pública (Francisco Alexandre M. M. Costa) questionou à licitante presente se havia interesse na negociação de proposta de preço (…), contudo a mesma não manifestou interesse, mantendo a proposta inicial.” Em seguida, “o presidente da Comissão de Seleção Pública declarou como vencedora do julgamento final das Propostas Técnicas e de Preços, observando os dispostos nos subitens 11.4 e 11.5 do edital, a empresa Fields Comunicação Ltda, CNPJ: 03.509.498/001-00.” No dia 4 de setembro do mesmo ano, o diretor-geral da Funpec, André Laurindo Maitelli, assinou o extrato de homologação do “procedimento da Seleção Pública Presencial nº 001/2018-FUNPEC”, por atender a todas “as exigências editalícias”. Além do expertise na ação proposta, quer era criar uma campanha publicitária para a campanha nacional contra a sífilis, a empresa tinha que apresentar um patrimônio líquido de, no mínimo, R$ 5 milhões.

O outro lado
No centro da polêmica, a Funpec emitiu nota declarando ter cumprido todos os procedimentos exigidos em lei. “A contratação da agência de publicidade foi realizada por meio de processo licitatório, que atendeu a todos os princípios exigidos nos decretos 6.555/2008, 57.690/1966, 4.563/2002 e 8.241/2014 e nas leis 12.232/2010, 8.666/1993 e 4.680/1965, que tratam dos procedimentos de contratação no âmbito da administração pública e no âmbito das fundações de apoio”, destaca a Fundação.

Webserie é uma das peças do contrato e foi orçada em mais de R$ 4 milhões com dez episódios
Webserie é uma das peças do contrato e foi orçada em mais de R$ 4 milhões com dez episódios

E continuou: “Ao longo de um ano de trabalho, foi elaborada uma campanha completa, contratada e veiculada em território nacional e nos principais veículos de comunicação do Brasil, dentre eles a Rede Globo, Rede Record, jornal Folha de São Paulo, Revista Caras, Revista Crescer, Rádio CBN e rádios locais. Outras peças também foram produzidas e veiculadas, como busdoor, painéis em estações de metrô das principais cidades do país, produção de uma websérie para as redes sociais, além de uma ação específica em grandes festas populares”.

Alvo de outra investigação no âmbito do Tribunal de Contas da União através do Processo nº 036.745/2016-2 que apura “possíveis irregularidades nos requisitos pertinentes à valoração das propostas de preços do edital de concorrência do Ministério da Saúde cujo objeto é a contratação de agências de propaganda para a prestação de serviços de publicidade”, para uma campanha contra o HIV/Aids, dengue e zika em 2016, a Fields 360 Comunicação Ltda., procurada pela TRIBUNA DO NORTE, não quis se manifestar sobre o assunto.

“A Funpec, contratante, é que tem autonomia e plena propriedade para falar sobre o tema. Peço a gentileza de contatar a assessoria de comunicação da fundação”, respondeu por e-mail Ruskaya Campos, responsável por todos os departamentos da Fields 360 Comunicação.

Não se sabe, por enquanto, se todo o recurso estimado para a campanha foi utilizado e como ocorreu o processo de pagamento. Além disso, o valor da veiculação das peças publicitárias nos canais de televisão, rádios e revistas, não está detalhado.

Funpec pagaria posse do novo reitor
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte cancelou a solenidade de posse do novo reitor José Daniel Diniz Melo, que estava marcada para acontecer no dia 3 de junho no Teatro Riachuelo. Em nota, a instituição disse que a decisão foi tomada por causa do contexto geral das universidades federais, que ameaçam suspender as atividades por causa do contingenciamento de verbas da educação pelo Governo Federal.

A solenidade seria custeada pela Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec). De acordo com a Universidade, a escolha do local se deu pelo número de convidados para o evento, “bem como de espaço em condições de acessibilidade e logística compatíveis com a referida solenidade". O evento custaria em torno de R$ 30 mil à Fundação.

O que é a Funpec
A Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec)  foi instituída em 19 de outubro de 1978, como uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria e com autonomia patrimonial, financeira e administrativa e com estatuto próprio. Em 2012, a Fundação aprovou nova alteração estatutária, para atender as exigências legais e adequar a nova realidade de crescimento da UFRN, pois como Fundação de apoio, sua principal função à seguir em paralelo com a Universidade, com novas formas de gerenciamento em projetos e ao mesmo tempo se adequando as exigências dos Órgãos de controle.

Portal Oficial não tem links para as redes sociais do projeto com exceção da webserie no Youtube
Portal Oficial não tem links para as redes sociais do projeto com exceção da webserie no Youtube

Redes sociais
No portal oficial da Campanha 'Sífilis Não', inexistem links para as redes sociais do projeto, com exceção da webserie no Youtube. A TRIBUNA DO NORTE, porém, listou três perfis ligados à campanha, são eles:

Instagram (@sifilisnao)
Criação: 22.03.2018

Seguidores: 2.715

Última postagem: 28.02.2019

Facebook (@sifilisnao)
Criação: 09.02.2018

Seguidores: 4.306

Última postagem: 28.04.2019

Twitter (@sifilisnao)
Criação: Novembro/2018

Seguidores: 677

Última postagem: 14.02.2019

Webserie
Intitulada 'Senta que lá vem informação', a webserie foi orçada em R$ 4.143.583,33. Cada um dos 10 episódios custou, em média, R$ 414.358,33. Veja abaixo o alcance computado até o início da noite desta quinta-feira, 30 de maio de 2019.

Canal do Youtube: Sífilis Não
Inscritos: 277

Webserie: 'Senta que lá vem informação' – Recomendado para maiores de 16 anos

Ep. 1: O elefante pelado na sala
Publicação: 03.12.2018

Visualizações: 1.557

Ep. 2: Papai e Mamãe
Publicação: 03.12.2018

Visualizações: 1.213

Ep. 3: Jogar descalço pode?
Publicação: 03.12.2018

Visualizações: 587

Ep. 4: I kissed a girl
Publicação: 3.12.2018

Visualizações: 604

Ep. 5: Armário, tô fora!
Publicação: 03.12.2018

Visualizações: 998

Ep. 6: Xiii, deu ruim!
Publicação: 12.12.2018

Visualizações: 420

Ep. 7: Pega geral
Publicação: 12.12.2018

Visualizações: 384

Ep. 8: Fetiche em grávida?
Publicação: 13.12.2018

Visualizações: 431

Ep. 9: Come quieto
Publicação: 12.12.2018

Visualizações: 424

Ep. 10: Jogo da verdade
Publicação: 13.12.2018

Visualizações: 375


Fonte: Portal Sífilis Não / Youtube, Acesso no dia 30 de maio de 2019








continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários