Fusão entre a TIM e a OI está mais próxima, dizem analistas

Publicação: 2018-03-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Analistas financeiros do setor de telecomunicações voltaram a fazer contas sobre os prós e contras de uma potencial fusão entre a Oi e a TIM, ou até mesmo a compra de uma empresa pela outra.

O assunto entrou no radar com a aprovação do plano de recuperação judicial da Oi e a sinalização do governo federal de que promoverá mudanças no marco regulatório do setor, flexibilizando as obrigações das prestadores de telefonia fixa.

"As chances de fusão ou aquisição envolvendo TIM e Oi nos próximos 12 meses aumentaram para 50%", afirmaram os analistas do Bradesco BBI Fred Mendes e Tales Freire, em um extenso relatório destinado a investidores. O negócio anima investidores, que enxergam chances de criar uma corporação maior, com menor competição no mercado e ganho de sinergias por meio da redução de custos e maior eficiência nos investimentos.

A Oi tem a maior cobertura de telefonia fixa do País, o que serve de catalisador para ofertar aos clientes outros serviços fixos, como banda larga e TV paga. Já a TIM tem foco na telefonia móvel e busca aumentar seu portfólio.

As negociações entre as duas operadoras ganharam corpo anos atrás, mas acabaram interrompidas. Os analistas do Bradesco BBI relembraram que as negociações não foram adiante devido a uma série de obstáculos, como o endividamento alto da Oi, o desconhecimento sobre o total de dívidas da empresa, bem como a falta de clareza sobre a quantidade de investimentos necessários para a companhia ampliar sua rede e alcançar as concorrentes. 

Agora, entretanto, o plano de recuperação judicial da Oi homologado na Justiça em janeiro removeu parte desses obstáculos aumentando as chances de que uma fusão volte a ser discutida, avaliaram Mendes e Freire.

Quem ganha
O time do Bradesco BBI calcula que a união de Oi e TIM seria positiva para as empresas, podendo gerar sinergias de aproximadamente R$ 25 bilhões. Desse montante, aproximadamente R$ 20 bilhões seriam economizados pelas teles com corte de custos operacionais, enquanto cerca de R$ 5 bilhões viriam de menos impostos e despesas financeiras. 

Eles estimaram ainda que numa conversão de ações, a TIM acabaria com uma fatia de 76% da nova empresa. Dessa forma, a Telecom Italia, controladora da TIM, ficaria com uma participação de 51% na nova corporação. Em um outro relatório, publicado nesta semana, os analistas Andre Baggio e Marcelo Santos, do banco JPMorgan, indicam que a junção das empresas faz sentido.
A fusão das teles também implicaria em uma concentração do mercado e diminuição da competitividade que não seria boa para os consumidores, mas favorável ao aumento da rentabilidade das empresas.

Os analistas do JPMorgan avaliam que isso não seria um problema, pois o Brasil já tem o mercado mais pulverizado da América Latina, com o faturamento de telefonia móvel espalhado por cinco operadoras: Vivo (41%), TIM (24%), Claro (18%), Oi (12,9%) e Nextel (4,1%). Quase todos os demais países da região têm apenas três grandes operadoras disputando o mercado.

Na visão dos analistas, a união da Oi com a Claro (dona da Embratel) ou a Vivo (do grupo Telefônica) tenderia a ser recusada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já que essas operadoras já têm uma atuação grande no segmento de telefonia fixa. Já a possível fusão com TIM poderia demandar apenas a venda de operações móveis em algumas regiões para evitar um excesso de concentração. "A consolidação seria negativa para a Vivo e a Claro. Ambas as empresas estão aproveitando o enfraquecimento da Oi no segmento fixo e móvel, e uma nova empresa forte os impedirá de continuar a ganhar participação no mercado", apontaram Mendes e Freire, do Bradesco BBI.

O que dizem as empresas 
Procuradas, Oi e TIM não comentaram o assunto. Já em uma entrevista coletiva à imprensa em dezembro, o diretor presidente da TIM, Stefano de Angelis, mencionou que não iria considerar potenciais investimentos na compra ou na fusão com a Oi antes de 2019, dado o cenário de incerteza sobre os rumos da concorrente.  Já o diretor presidente da Oi, Eurico Teles, afirmou, após a assembleia que aprovou o plano de recuperação, que "a companhia está pronta para qualquer um que queira comprá-la".


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