Futebol da Alemanha é referência

Publicação: 2021-01-17 00:00:00
O modelo alemão é considerado uma referência positiva, por ter exigido que mais de 50% das ações dos clubes fiquem sob domínio da associação, isto é, dos sócios da agremiação, que dão a palavra final nas decisões e elegem o presidente. Em 1998, a Bundesliga permitiu aos clubes que se transformassem em empresas desde que fossem controlados majoritariamente por suas associações. Atualmente, 75% dos clubes da primeira e segunda divisões "terceirizam" a gestão do futebol para entidades empresariais.

A regra 50+1, de acordo com a Liga Alemã, visa proteger os clubes de proprietários que busquem apenas o lucro, além de salvaguardar os costumes e valores dos clubes e de seus torcedores. As exceções são Bayer Leverkusen, Wolfsburg e Hoffenheim, controlados 100% por empresas, o que é permitido pela liga sob a condição de que o investidor tenha apoiado o time de forma substancial e contínua por mais de 20 anos.

Uma das potências na Europa, o Bayern de Munique se manteve no controle da maioria das ações e destinou ações minoritárias a três empresas: Adidas, Allianz e Audi. Todas têm cadeiras no conselho administrativo e cada uma possui 8,33% das ações do clube bávaro.

Esse mecanismo evita que o fracasso financeiro da empresa gestora leve o clube à falência, o que já aconteceu na Itália com a Fiorentina, que teve que recomeçar sua trajetória na quarta divisão. "O modelo alemão funcionou lá porque eles discutiram que estrangeiros não dominassem o futebol local e eles têm uma economia forte o suficiente para conseguir fazer isso", sintetiza Pedro Daniel.

INVESTIDORES
Com exceção da Inglaterra, as demais ligas possuem predominantemente investidores nacionais. Na Itália, Espanha e França os proprietários nacionais, em sua maioria (58%) possuem algum vínculo pessoal com o clube ou são empresários da região. 33% dos times que estão constituídos como empresas são controlados por estrangeiros, sendo que 39% dos investidores de equipes que disputam a primeira divisão investem em outros esportes.

Dos 34 clubes controlados por estrangeiros nas cinco principais ligas, 44% pertencem majoritariamente a empresários americanos ou chineses. 

Considerando as duas divisões, 64 times possuem investimento externo. Destes, metade são de investidores dos Estados Unidos ou da China.

O perfil dos investidores se dividem em: mecenas locais (Rennes e Villarreal); torcedores que se unem como acionistas minoritários (Sevilla e Real Sociedad); fundos de investimentos ou pessoas físicas (Wolverhampton e Milan); empresas que buscam por meio da visibilidade e atratividade gerada pelo esporte como espaço de marketing fortalecer e expandir suas marcas (Leicester City e Red Bull); investidores com foco em desenvolver relações políticas e de negócios por meio do futebol (PSG e Sheffield United); e o cross ownership (City Group), modelo em que investidores adquirem mais de um clube em mercados com diferentes características de forma a implementar um "ecossistema produtivo do futebol" considerando formação, captação, venda de direitos e performance esportiva.