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Rubens Lemos Filho
Gabriel: anjo das jujubas
Publicado: 00:01:00 - 08/06/2022 Atualizado: 21:14:17 - 07/06/2022
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Alan Oliveira 
Jornalista e Gestor de Marketing 

O escritor Ruy Castro, colunista da Folha de São Paulo, é autor de diversas biografias, uma delas “O anjo pornográfico” ao narrar a vida do dramaturgo, o jornalista Nelson Rodrigues e seus altos e baixos, seja do gênio ao louco, do tarado ao santo. Ruy também fez outro golaço com “A Estrela Solitária”, narrativa sobre   o gênio das pernas tortas, o seu Manoel dos Santos, o eterno Garrincha, menino pobre de Magé-RJ, do bairro de Pau Grande-RJ. 

Ruy deveria conhecer Gabriel, um menino pobre, humilde, vendedor de jujubas de Natal, que precisa vender doces na rua, em diversos estabelecimentos para garantir o seu sustento e de sua família. Podemos chama-lo de maestro da família, como considero o mestre deste espaço, o craque das letras, Rubens Lemos Filho, a quem agradeço a honra de ocupar esse momento tão nobre, com imensa responsabilidade.

O garoto teve sua reputação viralizada na internet no último dia 29, após uma postagem da engenheira Anaê Tenderini, que estava na praça de alimentação de um shopping na Zona Sul de Natal e se deparou com o garoto e uma silenciosa marcação serrada, sob o olhar desconfiado do sistema em vigor de uma sociedade preconceituosa. 

O menino do subúrbio não contava com a narrativa na veia de uma postagem na rede social da pernambucana Anaê, ali sentada, teoricamente uma mera observadora, que furou todas as barreiras e os zagueiros implacáveis do ambiente digital, ao revelar o desejo do moleque marrento para realizar o sonho de ser um jogador de futebol.

Aos 16 anos, Gabriel começou a ser procurado, como um ponteiro imparável, por clubes, como o ABC, Alecrim e até de fora do Estado, no próprio domingo de futebol, dia 29 de maio. O Alviverde postou uma foto da camisa do Verdão que o irmão tinha e ofereceu bolsa da escolinha e possibilidade de treinar no clube. 

O Alvinegro, seu clube de coração, também contactado desde o dia 29, a um mês dos 107 anos, queria de presente receber o aceite de Gabriel para treinar no Sub-17. O menino vestiu a camisa do Mais Querido, recebendo até o aconchego do maestro Allan Dias, indo até sua residência no Planalto para ter um dia de rei, com direito a ganhar chuteira nova, kit da loja oficial do clube, a Elefante Mais Querido, e fazer o teste que tanto esperava no CT da base do ABC.

O sorriso logo no primeiro treino de Gabriel no Alvinegro despertou em muitos o desejo de ajudar ao próximo, de realizar o sonho de menino que vive em ambiente de questionável vulnerabilidade social, na comunidade Leningrado, em uma moradia do programa social do governo. O moleque continua estudando, mas já está integrado ao alojamento da base do ABC, de segunda a sexta-feira, passando o fim de semana com a família. 

Ele também estará em escola próxima ao Clube, em Ponta Negra, e começará uma vida nova, representando muitos garotos que gostariam de ter uma oportunidade para fazer de seus dribles a sua verdadeira arma, a habilidade de quem precisa saber ouvir, ser orientado pelo professor, pela talentosa comissão técnica para cuidar de suas joias e os tantos garotos que saíram do Mais Querido para brilhar no futebol nacional, uma fábrica de craques.

Os primeiros toques na bola já mostraram que ele conhece do riscado. Tímido, mas gigante na vontade de realizar o seu sonho, o menino pobre quer fazer bonito. Quer mesmo é realizar o sonho da mãe, Dona Ana Paula, de uma vida melhor.

Chegou a hora de deixar o moleque se divertir, de oferecer as condições, apostar, fazer o que ele sempre quis. O futuro é incerto, pode ser que ele não aconteça no futebol, mas a lição de um vendedor de doces, aquele adolescente questionado no shopping, fez a sociedade refletir, parar um pouco, ao saber a força do exército das causas sociais, do voluntariado, para que possamos transformar o garoto em um bom cidadão, propagando histórias de muitos rejeitados, depois exaltados.
Voa, anjo rebelde! Voa, Gabriel!

Ainda Wallyson 
Domingo, o ABC tem o jogo mais difícil da Série C contra o líder Mirassol no Frasqueirão e deve ser dissipada a nuvem da guerra nada surda entre o técnico Fernando Marchiori e o craque Wallyson, maior ídolo do clube. 

Marchiori botou Wallyson na geladeira, errou com uma coletiva parecida com delação, mas Wallyson também precisa parar com indiretas em rede social. O ABC não pode prescindir de um dos melhores jogadores da Série C, agora que querem levar embora o loirinho Kelvin. 
Marchiori e Wallyson devem estabelecer um pacto de convivência estritamente profissional. Não dá para ser mais, a vida se encarrega de ditar as regras de relacionamento. Fundamental é o Mago disponível para jogar e bem. 

América 
Que tenha sido dada a largada para a classificação. Sem retrocesso. 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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