Gafes e irreverências

Publicação: 2018-08-07 00:00:00 | Comentários: 0
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Valério Mesquita
Escritor

Mário Rocha, engenheiro e ex-diretor da Cosern, testemunhou uma cena curiosíssima acontecida com um seu amigo numa excursão pelo Velho Mundo. Quando estavam na Suécia, de repente o seu companheiro de viagem precisou utilizar urgente o W.C. Em Estocolmo, como em toda cidade do primeiro mundo, existem inúmeros banheiros privativos. Quando estava bem sentado no “trono”, algo não funcionou do lado de fora que indicasse ocupado o W.C. Teve que ouvir sucessivas batidas na porta. E a cada uma respondia com um péssimo inglês: “Have person” (tem gente). Ao que parece o sueco não entendia bulhufas daquele “inglês” enrolado, com sotaque natalense. Para se livrar do incômodo usou a “linguagem” universal do ruído. Soltou um sonoro peido que assustou o escandinavo. Ao final, chegou à conclusão que o estampido intestinal é mais assimilável que o esperanto.

02) Uma frase filosófica e reveladora de quão ilusória é a atividade política foi proferida, certa vez, pelo ex-prefeito e ex-deputado Creso Bezerra. Ao ser indagado pelo escritor Alvamar Furtado por que deixara a política ele respondeu prontamente: “Deixei a política em razão do que ouvi de um matuto lá da Paraíba. Disse-me ele: Política, dr. Creso, é para rico besta e pobre sabido”.

03) Procurado por um correligionário abarrotado de multas do Detran, o ex-deputado Álvaro Dias escreveu ao diretor do órgão pedindo condescendência para algumas das infrações, cujo total somava três mil e poucos reais. Dia seguinte, desiludido, o eleitor caicoense voltou a Álvaro Dias: “Deputado, o homem disse que não tirava uma multa!”. Álvaro recorreu ao telefone: “Lindolfo, esse homem é pobre. As multas estão acima de três mil reais e o seu veículo foi avaliado em cinco mil reais por uma agência!”. “Presidente, infelizmente nada posso fazer. É a lei!”, responde do outro lado da linha o diretor. “Então”, disse Álvaro, “fique com o carro dele e lhe devolva o troco e tamos conversado”. Se a moda pegar...

04) De Macaíba, chega-me a recente história de José de Papo carnavalesco emérito, que sempre saía no carnaval fantasiado de curandeiro da tribo de índios do não menos famoso e saudoso José Batata. Boêmio inveterado, Zé de Papo foi aconselhado a entrar na Igreja Assembleia de Deus a fim de se curar. Nos primeiros dias o pastor recomendou-lhe que ajudasse no serviço de som durante as cerimônias. Certa noite, durante um culto, um cantor do conjunto religioso vindo de Natal iria se apresentar com um canto de louvor. Microfone à mão, o cantor vira-se para Zé de Papo, sentado ao lado e pergunta: “Já enfiou o playback?”. O novo crente, humilde e distraído, responde em cima da bucha: “Não senhor, eu estou aqui por outros motivos. Nunca fui disso”.

05) Junot Araújo foi vice-prefeito na chapa de Lourinaldo Soares nas eleições municipais de 1992, em Açu. Junot prometeu na campanha a uma senhora, uma cirurgia de períneo. A operação seria feita pelo seu pai dr. Nelson, logo após as eleições. Certo dia, a eleitora procurou o vice-prefeito com outra conversa: “Junot, no lugar da cirurgia me arranje cinco sacos de cimento”. Fátima, sua mulher, escutando a conversa e a exploração da eleitora, saiu-se com esta: “Essa égua quer agora tapar o buraco com cimento!”.

06) Dr. Cleodon Carlos de Andrade, médico, clínico geral, ginecologista, atuou na profissão durante quatro décadas, atendendo à população de Pau dos Ferros e cidades da região Oeste. Era muito caridoso, porém altamente irreverente e polêmico. Percebendo que a maioria dos chamados para ele ocorriam à noite, resolveu dormir no quarto de frente de sua casa, armando a rede na parede encostada à janela, pois assim ouviria com mais facilidade, os chamados. Bastaria bater na janela para ele ouvir. Certa noite, dr. Cleodon acorda com alguém, aflito, batendo na janela: “Dr. Cleodon! Dr. Cleodon!”. “Quem é?”, perguntou ele. “É Zé Pedro, do Riacho do Meio!”. “E o que foi?”. “É minha filha que tá passando mal. Foi comida”. “Então Zé, não é aqui não, é na delegacia”, sentenciou o médico inapelavelmente.


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