Galhos do Cajueiro de Pirangi serão suspensos

Publicação: 2011-12-23 00:00:00 | Comentários: 4
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Jouse Azevedo - repórter

Foi apresentado e assinado na tarde de ontem o plano de ações desenvolvidas para a proteção do cajueiro de Pirangi. Na apresentação do projeto arquitetônico foi lançada a solução emergencial, ainda para esse verão, para o desafogamento do tráfego do entorno do cajueiro. A ação de emergência, prevê na primeira fase, a construção de caramanchão que vai suspender os galhos que ultrapassam a cerca do cajueiro para uma elevação de 4,5 metros e  vai contemplar a Avenida Marcio Marinho. A primeira fase vai custar R$85 mil e os recursos serão da Associação de Moradores de Pirangi do Norte (Amopin), que administra o cajueiro.
Júnior SantosAtualmente, galhos do cajueiro ocupam mais da metade da viaAtualmente, galhos do cajueiro ocupam mais da metade da via

A construção de 70 metros de caramanchão na Av. Marcio Marinho será a primeira realização do projeto de proteção, que ainda prevê a elevação das unidades comerciais, a construção do memorial do cajueiro e a construção do caramanchão no restante do entorno. Fazendo parte da ação emergencial estão a retirada de um oitizeiro e a poda de um cajueiro normal, plantado ao lado do cajueiro gigante, que serve de modelo para que o visitante compare o tamanho das duas árvores. Após a implementação total do projeto  ocorrerá uma liberação de 1.200 m² de área para expansão do cajueiro.

O diretor técnico do Idema, Jamir Fernandes, explicou que a implantação  do caramanchão e a suspensão dos galhos não prevê poda da árvore. “Todo o processo de construção do caramanchão será feito de forma clara para que a sociedade possa acompanhar cada passo. Se começar a haver fratura nos galhos, suspenderemos o trabalho e buscaremos tecnologias e soluções para que não haja dano à árvore.”, explicou Jamir Fernandes.

O Idema explicou ainda que essa solução para a suspensão dos galhos do cajueiro é uma novidade, e que caso haja um imprevisto na tentativa de elevação dos galhos, o processo será interrompido até que uma nova tecnologia para a suspensão dos galhos possa ser utilizada. “Encontraremos uma maneira adequada para dar continuidade caso ocorras imprevistos, talvez com a utilização de macacos hidráulicos ou engessamento”, explicou.

Os caramanchões, que inicialmente estarão na Av. Márcio Marinho, serão implementados em todo perímetro da árvore gigante, criando túneis nas vias, onde passam os carros. A Av. São Sebastião também será contemplada. O presidente da Amopin, Francisco Cardoso, informou que assim que a documentação ambiental estiver liberada pelos órgãos responsáveis, a obra será iniciada. A previsão é de 20 dias para a liberação ambiental.

“A retirada do oitizeiro e a poda do cajueiro menor (hoje com 260 m² e vai ficar com 100), mais 500 m² de área já serão liberadas. A poda, a retirada da árvore e o primeiro passo para a suspensão dos galhos, que será um escoramento, foi orçado em R$10 mil. Após a construção do caramanchão será realizada outra etapa para subir um pouco  mais os galhos para a colocação da tela” Explicou. A Amopin informou que há em caixa R$100 mil.

O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema), representado por Jamir Fernandes, informou que o plano foi desenvolvido em comum acordo entre o Idema, Secretaria Estadual de Turismo do Rio Grande do Norte -Setur-RN, Associação dos Moradores de Pirangi do Norte (Amopin), Departamento de Estradas e Rodagem (DER), Instituto de Assistência Técnica do RN (Emater), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e a Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (Emparn).

Para a realização do projeto de emergência, elaborado pelo arquiteto Carlos Ribeiro Dantas, o Idema consultou o Conselho Nacional de Meio Ambiente – Conema. Antes da  implementação do projeto completo à sociedade serão realizadas audiências públicas.

Governo quer investir R$ 3 milhões em projeto de proteção

Projeto de Proteção ao Cajueiro de Pirangi foi assinado na tarde de ontem.  Mas um projeto maior, que prevê toda a urbanização do local e construção de mirantes está sendo desenvolvido e deve ser orçado em aproximadamente R$ 3 milhões. Esse estudo ainda não está concluído e não há data nem recursos previsto para que saia do papel.

A árvore ocupa uma área de 8.500 m² e para aumentar o espaço disponível para o seu crescimento o projeto arquitetônico prevê também a elevação das lojas. “Encontramos o caminho, a solução sem ter que sacrificar nada, preservando, valorizando e ao mesmo tempo vamos livrar a via que é tão importante e necessária para o verão”, ressaltou a governadora Rosalba Ciarlini.

O Promotor de Meio Ambiente de Parnamirim,  José Fontes de Andrade, que também assinou o projeto, vê com certa preocupação a altura da elevação dos galhos do cajueiro para que fiquem acima dos caramanchões. “Como sou desprovido de radicalismo espero agora com otimismo e vou acompanhar a obra. Há um compromisso com o Idema para que sejam interrompido os trabalhos caso ocorra quebra de galhos”, informou.

Sobre a visão da Promotoria para o projeto emergencial, que está previsto a finalização até o carnaval, José Fontes informou que não acredita na rapidez do projeto visto que a suspensão dos galhos não pode ser feita de uma só vez. “A subida terá que ser gradativa, ou o galho pode quebrar. Na verdade não dá para saber se levará 40, 60 dias ou mais. Tudo é apresentado como uma coisa simples, mas não é assim”, explicou o promotor.

TRÂNSITO

A implementação do projeto como solução emergencial para o trânsito também não é aprovada pelo promotor. Como estamos com esquema montado com outros órgãos para a viabilização do trânsito para o final do ano, veraneio e carnaval, com certeza já vai melhorar o trânsito daquela área, mas como solução final não é ideal. A fiscalização na Av. Marcio Marinho também será necessária com a suspensão”, completou José Fontes de Andrade.

O presidente da Amopin, Francisco Cardoso informou que a elevação dos galhos do cajueiro de Pirangi vai fazer com o crescimento da árvore seja mais lento. Atualmente ele cresce de 1 a 1.5 m² por ano.

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Comentários

  • sandarkk

    Não quero nem ver o que vai acontecer, na hora que um galho pendurado enganchar num ônibus em movimento. É melhor podar o excesso de galhos, mas com cuidado pois, ouvi dizer qua na China tão criando um cajueiro que será maior que o nosso, hehehhehe. Brincadaira a parte, nosso cajú ainda é o número 1 não precisa exagerar tanto na galhada.

  • walter_luis

    Eu entendo a importância do Cajueiro para a área ambiental e também para a área turística da região, entretanto acho muito besta esta história de eles permitirem que o cajueiro cresça sem impedimentos e que o que está em volta que deve mudar e se adaptar. Isso vai gerar muito mais despesas e transtornos do que simplesmente dar algumas "podas". Sinceramente, eu preferia que podassem os galhos que cresceram demais, mas, claro, sem mexer na estrutura da árvore, pois é uma solução barata que não tumultua o trânsito e arredores, além de não prejudicar a árvore, apenas diminui a área ocupada por ela

  • deuto_lima

    Pense: Num dinheiro perdido. Aguardem !

  • josejunior_lep

    E porque não fazem em toda borda do cajueiro uma cobertura. Sem sol, não tem fotossíntese e, assim, os galhos ficariam restrito a onde já estão, ou cresceriam de forma mais lenta. Mas, subir os galhos me parece pouco pertinente. Mas, aqui só tem Neymares e Péles vamos vê!