Gasolina e alimentos puxaram alta da inflação em agosto

Publicação: 2020-09-20 00:00:00
A inflação de agosto foi a mais alta para o mês desde 2016, embora o índice (0,24%) tenha desacelerado em relação a julho (0,36%). Pesaram mais no bolso do consumidor, principalmente, a gasolina, que subiu pelo terceiro mês seguido, e os alimentos, que chegaram a registrar certa estabilidade de preços em julho, mas voltaram a subir em agosto. Para as famílias de menor renda, o impacto é maior.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) neste mês e compõem o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que se refere às famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos. No ano, o indicador acumula alta de 0,70% e, em 12 meses, de 2,44%.

Créditos: Alex RégisPara o empresário e presidente da Associação dos Supermercados do RN, Geraldo Paiva, o verdadeiro vilão da cesta básica é o óleoPara o empresário e presidente da Associação dos Supermercados do RN, Geraldo Paiva, o verdadeiro vilão da cesta básica é o óleo

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Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que se refere às famílias com rendimento de um a cinco salários mínimos, apresentou alta de 0,36% em agosto, sendo o maior resultado para o mês desde 2012 (0,45%). No ano, o INPC acumula alta de 1,16% e, nos últimos doze meses, de 2,94%.

“O item de maior peso (4,67% do total) no IPCA é a gasolina (3,22%), que fez com que os Transportes (alta de 0,82%) apresentassem o maior impacto positivo no índice de agosto. E a segunda maior contribuição veio do grupo Alimentação e bebidas (0,78%). Já no INPC, que é um índice mais voltado para famílias de menor renda, os produtos alimentícios (alta de 0,80% em agosto) pesam mais e por isso o índice acumula uma alta superior à do IPCA no ano”, explica Pedro Kislanov, gerente da pesquisa, ressaltando que os alimentos têm peso de 20,05% no IPCA e 22,82% no INPC.

Os alimentos para consumo no domicílio tiveram alta de 1,15% em agosto no IPCA. Os principais itens que influenciaram essa elevação foram o tomate (12,98%), o óleo de soja (9,48%), o leite longa vida (4,84%), as frutas (3,37%) e as carnes (3,33%). Sendo que altas em componentes básicos da alimentação do brasileiro, como arroz e feijão, podem elevar a percepção de inflação nas gôndolas dos mercados.

“O arroz (3,08% em agosto) acumula alta de 19,25% no ano e o feijão, dependendo do tipo e da região, já tem inflação acima dos 30%. O feijão preto, muito consumido no Rio de Janeiro, acumula alta de 28,92% no ano e o feijão carioca, de 12,12%”, destaca Pedro Kislanov.

Por outro lado, a alimentação fora do domicílio (-0,11%) segue em queda, embora menos intensa que a do mês anterior (-0,29%).

As peças de Vestuário (-0,78%) também apresentaram deflação e foi ainda mais intensa que a registrada em julho (-0,52%). Houve quedas nos preços das roupas masculinas (-0,74%), femininas (-1,23%) e infantis (-1,46%), além dos calçados e acessórios (-0,55%).

Por outro lado o que mais segurou a inflação de agosto pelo IPCA foi a Educação (-3,47%), já que várias instituições de ensino passaram a aplicar descontos em suas mensalidades durante o período de isolamento em função da pandemia de covid-19, em virtude da suspensão das aulas presenciais. Os preços dos cursos regulares recuaram 4,38%, sendo que maior queda foi observada na pré-escola (-7,71%), seguida pelos cursos de pós-graduação (-5,84%), pela educação de jovens e adultos (-4,80%) e pelas creches (-4,76%).

Nas despesas de casa (Habitação), no entanto, houve alta (0,36%). Os maiores impactos vieram do aluguel residencial (0,32%) e da energia elétrica (0,27%). Vale destacar ainda o aumento nos preços de alguns materiais de construção, como o tijolo (9,32%) e o cimento (5,42%), que já haviam subido em julho (4,13% e 4,04%, respectivamente).

Regiões

Cinco das 16 regiões pesquisadas apresentaram deflação em agosto. O menor índice ficou com o município de Aracaju (-0,30%), especialmente por conta da queda no custo dos cursos regulares (-7,27%). Os demais locais com IPCA no campo negativo foram Fortaleza (-0,23%), Rio de Janeiro (-0,13%), Belém (0,04%) e Vitória (0,03%).

Na outra ponta, o maior resultado positivo foi observado no município de Campo Grande (1,04%), particularmente em função da alta de alguns itens alimentícios, como as carnes (6,28%) e as frutas (9,54%). Sendo que outros sete locais ficaram acima da média nacional (0,24%): Goiânia (0,66%), Brasília (0,58%), Rio Branco (0,54%), Recife (0,46%), São Luís (0,38%), Porto Alegre (0,33%) e São Paulo (0,31%).

Já pelo INPC, apenas dois dos 16 locais pesquisados registraram deflação, Fortaleza (-0,16%) e Aracaju (-0,23%). E dez regiões tiveram inflação acima da média de 0,36%, sendo as mais elevadas em Campo Grande (1,33%), que marcou mais que o triplo, Brasília e Rio Branco, ambas marcando quase o dobro (0,71%).

Insegurança alimentar sobe no Estado, diz IBGE

A insegurança alimentar – seja ela leve, moderada ou grave – atinge 59% da população do Rio Grande do Norte. Em números absolutos, dos 3,5 milhões de habitantes do Estado, pelo menos 2 milhões convivem com a fome. Conforme dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018: Análise da Segurança Alimentar do Brasil, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (17), o Rio Grande do Norte é o terceiro Estado nordestino com o maior índice de domicílios em situação de insegurança alimentar grave, com 7,6%. Esse nível é o comumente chamado por “passar fome” e afeta diretamente, pelo menos, 282 mil pessoas no território potiguar.

O quantitativo de lares com pessoas passando fome no Estado cresceu a partir de 2013 e chegou ao número de 81 mil em  2018, segundo a POF 2017-2018/IBGE. No Nordeste, o Rio Grande do Norte só tem menos residências inseridas nesse contexto do que Alagoas, com 7,7%, e o Maranhão, com 12,3%.  A média nacional ficou em 4,6%.

Conforme a pesquisa, a proporção de domicílios onde pelo menos uma pessoa teve fome cresceu 2,5 pontos percentuais entre 2013 e 2018 no Rio Grande do Norte. Em 2013, eram 53 mil domicílios nessa situação, o que equivalia a 5,1% do total do Estado. “Nos 81 mil lares com insegurança alimentar grave moram 282 mil pessoas, mas para que o domicílio seja classificado nesse grau é necessário que, pelo menos, um morador tenha passado fome. Para a pesquisa, uma pessoa tem fome quando passa o dia inteiro sem comer por falta de dinheiro para comprar alimentos”, destacou o IBGE em nota enviada à imprensa.