Gaudencio Torquato

Publicação: 2012-01-01 00:00:00
Um país mais sério e justo

Senhores políticos, governantes e futuros candidatos: façam de 2012 o ano de seu grande compromisso. O ano terá um caráter eleitoral, portanto, não abusem de nossa paciência. Só prometam aquilo que poderão cumprir. Não exagerem nas promessas. Procurem saber o que é ação viável de pacotes mirabolantes. Afinal de contas, quem promete o céu sem ensinar o caminho, pode acabar caindo nas garras de Satanás. Não dá para acreditar na redenção abrupta de municípios, na salvação das populações, na melhoria de todos os serviços públicos. Sejam parcimoniosos. Não é preciso ir longe para saber o que a sociedade quer. Basta captar o senso comum, que está a um palmo dos nossos sentidos. É claro que a população deseja que os candidatos se empenhem ao máximo para oferecer as melhores propostas e os modos mais adequados de realizá-las. Dispensa, porém, a demagogia, as extravagâncias, as fórmulas mágicas e os coelhos tirados de cartola, que se sabe, são artimanhas de ilusionistas do mundo circense.

Queremos que a nossa presidente continue a controlar de maneira firme a economia, garantindo a estabilidade da moeda e a fortaleza de nossa economia. E que os eixos dessa política sejam consolidados sem criar atropelos, mais tributos, percalços e sustos em uma caminhada que já é cheia de curvas. O país ansiado por todos deveria gerar mais empregos, sem restrição de idade e classe. Infelizmente, no auge de sua experiência, milhares de brasileiros são afastados de seus afazeres, recolhidos ao abrigo (nem sempre tranquilo) de suas aposentadorias. Sabemos que isso implica revolução no sistema da previdência e, ainda, plena carga na produção, com o incentivo aos setores da economia que se encontram semi-paralisados ou desmotivados. Que  2012 seja propício para baixar ainda mais os juros. E que os impostos sejam enxugados ou inseridos em planilhas racionais, fazendo-se com que mais gente pague, mas pague menos. Justiça fiscal, eis o que os brasileiros clamam.

A comunidade nacional clama por mais segurança, na esteira de um sistema preventivo e ostensivo que se faça respeitar pela força da autoridade, pela disposição dos efetivos motivados e pela certeza de que os criminosos serão condenados e submetidos aos rigores da lei. Certeza de punição, eis o que bandidagem precisa temer para evitar a permanência nos antros da criminalidade.  Longe de nós a segurança que causa insegurança, pela ação maléfica e contaminada de quadros policiais mancomunados com as gangues. Não queremos o aparato que se inspira na ideia da carnificina, da mortandade em seqüência e que tem como lema o slogan de que “bandido bom é bandido morto”. Sabemos que essa cultura é fonte da própria violência que se perpetua nos cárceres. Como seria civilizado dispormos de espaços seguros em todas as partes.

Queremos uma educação forte de base, com todas as crianças em escolas aparelhadas, recebendo lições de cultura e vida, sem medo das infiltrações das drogas. Os nossos professores, motivados, com salários decentes, seriam respeitados como os guias espirituais de uma sociedade destinada a um grande destino. O sentimento cívico apela por uma Universidade sem carências de professores e sem greves movidas por pequenos interesses. O Brasil precisa acabar de vez com a hipocrisia de ter docentes fingindo que dão aulas e discentes fingindo assisti-las. Nossa juventude precisa redescobrir a alegria do lazer saudável, dos esportes, da política estudantil voltada para a construção de valores e ideais.

A cidadania ativa exige um sistema de saúde que abrigue estabelecimentos limpos, suficientes, modernos e bem aparelhados,  sem os riscos de infecção hospitalar, como se vêem hoje por toda a parte. E mais: que os profissionais, preparados e acolhedores, em quantidade adequada, não façam o povo esperar em filas quilométricas. O processo de cura deve ser facilitado por remédios baratos e à disposição de todas as classes. Entre as nossas profissões liberais, algumas se destacam no ranking da qualidade e da tecnologia. Mas os nossos profissionais não devem se orientar apenas pela ideia do lucro fácil. Precisam reencontrar a satisfação no trabalho, cobrar justos preços, atender de maneira exemplar os seus clientes, irmanando-se ao ideal da solidariedade e do humanismo.

Como a vida seria mais fácil se enfrentássemos menos burocracia na administração governamental, menos regulamentos, melhores e mais ágeis serviços, pela via da aproximação entre esfera pública e o cotidiano dos cidadãos. O anseio nacional é por melhor justiça, que significa mais agilidade nos processos, imparcialidade nas decisões e rigoroso cumprimento da lei. Precisamos carregar em nossos corações a certeza de que, em nosso país, a lei é para todos, sem distinção de cor, raça e gênero. Um passo ético, curto, porém valioso seria dado por nossos políticos ao prestarem contas dos compromissos assumidos, não se aproximando dos eleitores apenas no período eleitoral que será aberto nos próximos meses.

Queremos ver candidatos compromissados com o ideal coletivo, menos sujeitos às pressões fisiológicas, menos aferrados à ideia de usar a política como profissão e não como missão. Que agradável seria vê-los como agentes plurais na forma de contemplar as demandas sociais, na capacidade de entender as dimensões e problemas das unidades federativas e  na disposição de exercer as funções constitucionais. A ordem, o respeito, a autoridade, a disciplina, o zelo são valores intrínsecos ao escopo institucional. Urge resgatar esses valores a fim de se poder reconquistar a crença dos cidadãos nos símbolos da Nação.

Para respeitar, o cidadão quer ser respeitado; para assumir responsabilidades, quer ver exemplos dignificantes de cima e ver replantada a semente de suas mais altas esperanças.