Gentrificação em Mossoró?

Publicação: 2019-07-07 00:00:00 | Comentários: 0
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Ludimilla Carvalho Serafim de Oliveira
Doutora em Arquitetura e Urbanismo e sócia do IHGRN

Mossoró, já nasceu com uma vocação voltada para os fluxos. Localizada num eixo considerado como polo e também central entre dois Estados o (Rio Grande do Norte e o Ceará), esta localidade tem no seio de sua história um longo processo de conquista e uma identidade moldada pelas inúmeras circunstâncias que envolveram não só sua criação, mas sua consolidação e projeção enquanto uma cidade de destaque no semiárido do nordeste brasileiro.

A expansão urbana deste município foi deflagrada por um conjunto de circunstâncias e dentre elas a dimensão econômica: a valorização dos lugares e os espaços construídos foram atendendo às novas demandas e não a um passado memorável em sua estrutura arquitetônica. A infraestrutura urbana foi sendo construída e melhorada à medida que, os espaços foram sendo demandados e utilizados frente às transformações e inovações do processo de crescimento econômico e social da cidade.

Com isso, um fenômeno que tem se evidenciado no espectro urbanista, com a reinvenção das vivências espaciais, sobretudo orientadas pelo embelezamento estratégico, a gentrificação, tem sido percebida por meio das intervenções, delineadas em diferentes frentes: quer seja pela renovação, revitalização, requalificação e até mesmo pela criação de novos espaços. Tal realidade, tem sido vista em Mossoró.

Dessa forma, os efeitos positivos e negativos ou (des)construtores da cultura e da tradição, por meio do processo de gentrificação no município; introduziram parâmetros  para que ocorressem intervenções no espaço. Já que os lugares requalificados podem representar um conjunto de ações, atitudes, valores e um espaço de centralidades, sobretudo definidas pela questão funcional do mesmo, ou seja, a monumentalidade, as construções e as inovações podem desencadear significações para um lugar materializado, de acordo com as vivências e as dinâmicas produzidas durante as relações sociais construídas e identificadas no decorrer do cotidiano.

 O argumento parte do mote, de que a metamorfose de um lugar representa a mudança do mesmo, em relação a sua função, isto é, o lugar em sua essência não deixa de existir, mas passa a ser visualizado sob a égide de uma funcionalidade que permite agregar: atividades econômicas; atividades sociais e atividades culturais permeadas, nesse caso, pela gentrificação.

No cenário mossoroense a presença do Partage Shopping serve para ilustrar uma dinâmica diferenciada no uso e na ocupação do espaço. Na verdade, a realidade econômica nesse caso, tanto em Mossoró como em outras cidades que receberam empreendimentos desse porte, passa pelo diferencial provocado pela revitalização da área, ou melhor, uma gentrificação no entorno, à medida que promove uma mudança nos estilos de vida, nas compras e até mesmo nos costumes e nas escolhas de alguns produtos. Com isso, é possível afirmar que os shoppings criam centralidades e geram identidades pelo seu uso e pela cultura presente no mesmo.

Assim, a gentrificação é fruto dos processos de transformação do capital, o qual influencia na aplicação de esforços e investimentos com a finalidade de se estabelecer e atingir ideais de crescimento econômico, tendo como foco uma localidade centrada no espaço urbano sócio-culturalmente. Haja vista que a estrutura social urbana desenvolve-se à luz de alguns questionamentos que relacionam não só o crescimento das cidades, mas também das condições ambientais que a mesma proporciona.

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