Gestão financeira

Publicação: 2019-08-31 00:00:00 | Comentários: 0
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Itamar Ciríaco/ itamar@tribunadonorte.com.br

Em época de crise econômica, todos, pessoas, empresas e clubes de futebol são atingidos pela escassez de recursos. No entanto, os que estão desorganizados, longe da modernidade e não acompanham a evolução da sociedade são os mais prejudicados.  A situação de caos financeiro se instalou no País a partir de 2014 e já se arrasta há cinco anos. No entanto, tem clube que está lucrando e, apesar dos altos investimentos, segue apresentando balanços positivos e em evolução. Os números do Flamengo e do Palmeiras impressionam, por exemplo, no que diz respeito a captação dos recursos no mercado publicitário e de cotas de TV. Essa verba torna a dupla a principal do País. Segundo dados do site Transfermarkt, especializado em transferências de jogadores, Palmeiras e Flamengo juntos valem 814 milhões de reais – do total de 3,2 bilhões de reais de todo o campeonato. Os paulistas têm recursos de um patrocinador forte e o investimento de um dirigente que entregou R$ 100 milhões ao clube. Os cariocas colhem os resultados da gestão financeira profícua do ex-presidente Bandeira de Melo.

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No entanto, sem patrocinadores gigantes, sem contratos milionários de material esportivo e sem o aporte de milhões feitos por dirigentes, um clube desbanca Palmeiras e Flamengo em termos de resultados financeiros, fruto de uma gestão profissional. Fechado o balanço de 2018, divulgado esse ano, pela terceira vez consecutiva, o Grêmio alcançou superávit. Desta vez, foi de R$ 54 milhões, o que representou um crescimento de 391% em relação a 2017. Para se ter uma ideia da proporção deste lucro, foi quase o dobro do que o Palmeiras, atualmente um dos clubes de maior faturamento do país, conseguiu: R$ 30,7 milhões. O Flamengo declarou R$ 52 milhões em lucros. Houve ainda uma melhoria de mais 19% no resultado financeiro. A receita bruta gremista, segundo o balanço do clube, foi de R$ 402 milhões, a maior da história do Tricolor gaúcho, com uma elevação de 16% comparado a 2017. Em outra comparação com o Palmeiras, o clube paulista divulgou um faturamento de R$ 688,572 milhões.

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Esses números não são o resultado de um milagre e claro não poderiam ser repetidos, em relação a quantidade de recursos, pelo futebol do Rio Grande do Norte. No entanto, em termos proporcionais, o Estado poderia obter resultados positivos, apesar da crise. O Grêmio é prova disso. Organizado, o clube reúne, toda segunda-feira, o Conselho de Administração. São sete dirigentes, seis vice-presidentes e o presidente, que dividem as decisões e procuram colocar em prática uma gestão corporativa. Na visão dos dirigentes, essa forma facilita o superávit. Em sua palestra, aqui em Natal, o executivo de futebol, Marcelo Santana, tocou nesse assunto gestão. Na oportunidade ele utilizou uma palavra em inglês, da moda: ‘compliance’. Esse conceito abrange todas as políticas, regras, controles internos e externos aos quais a empresa, ou no caso o clube, precisa se adequar. Adequando-se ao compliance, suas atividades estarão em plena conformidade com as regras e legislações aplicadas aos seus processos. Ou seja, significa que existe transparência e um elevando grau de maturidade de gestão. Em resumo, as ações de contratações de atletas, gastos, investimentos, tudo passa por várias mãos, nada é feito às escondidas, os atos são discutidos, checados e re-checados.

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Mas não se enganem, as ações nessa área não ficam restritas aos gabinetes, aos documentos, aos processos. Tudo acontece de forma conjunta. Comissão técnica, estrutura de trabalho, etc funcionam da melhor forma possível e, como não é de surpreender, os dirigentes gremistas não descobriram a roda. Um setor trabalha de forma exemplar e é o responsável por grande parte do saldo positivo na conta do Tricolor: A categoria de base. O clube possui três fontes principais de receita: direitos de transmissão da TV, quadro social e a venda de jogadores. Essa última tem sido a mais eficaz. Os gaúchos têm revelado jogadores sob medida para o mercado europeu: atletas que fazem mais de uma função, com até 22 anos. Caso do volante Arthur. Em 2018, o Barcelona pagou cerca de R$ 140 milhões por ele. O desafio, tanto lá quanto cá é continuar vendendo atletas e, mesmo assim, manter a competitividade. No time de Renato Gaúcho tem dado certo. Conquistas seguem acontecendo e o time está de novo em uma semifinal de Copa Libertadores, além de se manter vivo na Série A do Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil.

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Enfim, não existe uma fórmula pronta a ser copiada. O modelo do Grêmio é excepcional e apresenta resultados impressionantes. É um caminho a ser seguido. Mas, precisa das adaptações à realidade do Rio Grande do Norte. No entanto, os fundamentos são os mesmos. ABC, América e qualquer outro clube potiguar que busquem o crescimento precisam se modernizar, agir com transparência. As decisões têm que ser discutidas. Os contratos precisam ser revistos e avaliados por várias mãos. As buscas por recursos têm que ser acompanhadas por apresentação de resultados aos investidores. As categorias de base devem ser geridas como uma empresa, com metas a alcançar. A estrutura de trabalho terá que ser profissionalizada. Não se cria talentos apenas com o trabalho dentro de campo. Então, fica claro que não é impossível para os potiguares. As medidas são possíveis e demandam mais organização que investimentos, uma vez que a estrutura de ABC e América já existe e é de boa a razoável. É a decisão política que falta.

Homenagem
O nadador Daniel Dias foi campeão parapan-americano dos 50m borboleta da classe S5 na noite desta quinta-feira, 29. Ele ostenta o impressionante retrospecto de 100% de aproveitamento nas 32 apresentações nesta competição continental nos últimos 12 anos. Nenhum outro brasileiro garimpou tantos ouros como ele. Quatro desses foram angariados nos Jogos de Lima 2019, iniciados no sábado, 23. Ao sair da piscina, Daniel Dias fez questão de homenagear um atleta histórico do movimento paralímpico, o potiguar Clodoaldo Silva, que largou a carreira nas piscinas ao fim dos Jogos Paralímpicos do Rio 2016, após brilhante e coroada carreira. Daniel sempre relata que conheceu o esporte paralímpico em 2004, quando viu Clodoaldo ganhando sete medalhas nos Jogos Paralímpicos de Atenas.




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