Gestão técnica cai ante a política

Publicação: 2015-04-02 00:00:00 | Comentários: 0
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São Paulo (AE) - Durou exatos três meses a gestão técnica do PRB à frente do ministério do Esporte. Ontem, o segundo principal cargo abaixo do ministro George Hilton (PRB-MG) foi assumido por um dirigente partidário não apenas ligado ao partido, mas que também era ligado à TV Record e, consequentemente, à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Trata-se de Carlos Geraldo (PRB-PE), ex-presidente da Record News e da Record Rio, que assume a secretaria nacional de Esporte de Alto Rendimento. Sem qualquer experiência no esporte, ele será o responsável por todo o legado esportivo dos Jogos do Rio-2016, incluindo a preparação dos atletas para a Olimpíada.
Gabriela KorossyMinistro George Hilton havia se comprometido com área técnicaMinistro George Hilton havia se comprometido com área técnica

Até o ano passado, o PCdoB controlava o Esporte. Além do ministro Aldo Rebelo, a pasta tinha outros dois homens-fortes lá dentro: o secretário-executivo Luis Fernandes e o secretário de Alto Rendimento, Ricardo Leyser. Na reforma ministerial para o início do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, o PCdoB pediu a pasta de Ciência e Tecnologia. Técnico da área, Luis Fernandes acompanhou Aldo até lá.

Quando a decisão de alocar o PRB no ministério foi anunciada, a escolha foi alvo de críticas vindas de todas as partes: confederações (em reservado), atletas e até mesmo políticos ligados ao esporte, como o hoje presidente da Frente Parlamentar Mista de Esporte, João Derly (PCdoB), questionaram a escolha.

Sem nenhuma experiência no esporte, George Hilton, deputado federal por Minas Gerais, pareceu ter caído de paraquedas no ministério. Bombardeado de críticas, em um primeiro momento tomou a decisão de se cercar de técnicos, escolhendo Leyser para a secretaria-executiva e Ricardo Trade para o Alto Rendimento. Os dois estavam em cargos “trocados” (Leyser vinha trabalhando com esporte de alto rendimento e Trade com organização de grandes eventos), mas prometiam trabalhar em sinergia.

Desde o discurso de posse, Hilton expressou que o legado que queria deixar à frente do ministério seria na área de Educação, Lazer e Inclusão Social. Não à toa, escalou para a pasta um dos principais articuladores do PRB, Carlos Geraldo, presidente do partido em Pernambuco. A situação começou a mudar quando começaram a surgir as primeiras notícias dando conta de que Ricardo Trade assumiria como CEO da CBV, o que aconteceu esta semana.

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