Girão afirma que está tranquilo e nega motivo para ser expulso

Publicação: 2021-01-14 00:00:00
Mesmo com a decisão da Executiva Nacional do PSL de abrir procedimento contra 20 parlamentares por não apoiarem a candidatura do deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP) a presidente da Câmara dos Deputados, o dissidente deputado General Girão (PSL-RN) afirma que está tranquilo a respeito da abertura do processo, que pode resultar até mesmo em expulsão da legenda. "Como parlamentar eleito pelo Rio Grande do Norte tenho compromisso firmado, primeiramente, com meus eleitores. Em segundo lugar, meu compromisso é de fidelidade com o presidente Jair Bolsonaro e suas ações de governo", disse.

Créditos: ARQUIVO/TNGirão afirma discordar do apoio da direção do PSL a Baleia RossiGirão afirma discordar do apoio da direção do PSL a Baleia Rossi

O General Girão afirma que, "partindo dessas premissas”,  não aceita “a decisão da Direção Nacional do PSL em fechar apoio ao candidato da preferência do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que como presidente da Câmara foi  o grande responsável por travar e engavetar ações do Governo Federal e, consequentemente, penalizar o eleitorado que confiou em mim e no Presidente da República".

Segundo Girão, essa é a principal razão de discordar  “dessa aliança, feita pela legenda”. Ainda mais, “porque a outra candidatura fez uma aliança com partidos da oposição, que também foram responsáveis pelo atraso ou impedimento das votações".

"Quanto à retaliação, com processo de expulsão, seguimos firmes com nossos compromissos. Desde dezembro de 2019 pedimos à Justiça Eleitora, em bloco, a desfiliação por justa causa", declarou Girão, a respeito do processo que está sob a relatoria do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin. 

"Reitero que não fizemos nada mais do que trabalhar em nome dos eleitores e de nossas crenças e valores. Não temos motivo justo para sermos expulsos. Nosso departamento jurídico também está de prontidão para atuar no que for preciso", finalizou Girão.

Além do General Girão, outros quatro dos oito deputados da bancada federal do Rio Grande do Norte apoiam o deputado Arthur Lira (PP-AL) para a presidência da Câmara Federal. O parlamentar alagoano se reúne amanhã em Natal com os deputados Beto Rosado (PP), Carla Dickson (PROS), João Maia (PL) e Benes Leocádio (Republicanos).

Essa não é a primeira vez que o PSL abre processo de expulsão. No ano passado, o partido já tentou expulsar dissidentes, mas desistiu e apenas suspendeu 17 parlamentares. Desta vez, a acusação contra os parlamentares foi reforçada pela adesão à candidatura de Arthur Lira (PP-AL) na eleição para a presidência da Câmara. 

O novo embate ocorreu após Vitor Hugo, ex-líder do presidente Jair Bolsonaro na Câmara, divulgar uma lista assinada por 32 dos 52 deputados do PSL em favor de Lira. O deputado disse que os parlamentares não aceitam participar do bloco de Baleia Rossi, que inclui partidos de esquerda.

Depois da decisão de de terça-feira (12) da Executiva, o Conselho de Ética do PSL deve emitir um parecer e notificar os deputados acusados de infidelidade partidária, que terão, em seguida, prazo de cinco dias para apresentar a defesa. Caso sejam expulsos, os parlamentares não perdem seus mandatos e nem o direito a votar na eleição da Câmara, mas ficam sem recursos como os do fundo eleitoral e partidário e sem vaga em comissões da Casa.