PM é preso suspeito por morte de universitária durante carnaval em Caicó

Publicação: 2019-03-16 00:00:00 | Comentários: 0
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Mariana Ceci
Repórter

O sargento da polícia militar Pedro Inácio de Araújo Maia, 36, foi preso na manhã desta sexta-feira (15) no município de Currais Novos, distante 182km de Natal. Ele é o principal suspeito de ter matado a jovem Zaira Dantas Cruz, 22, no dia 2 de março, sábado de carnaval. De acordo com o delegado à frente da investigação, Leonardo Germano, o perito responsável pelo laudo de necrópsia de Zaira informou ter encontrado indicativos de violência sexual, confirmados apenas no laudo específico a ser emitido pelo Instituto Técnico-Científico de polícia(Itep). A causa da morte aponta estrangulamento, por possível golpe conhecido como gravata.

Manobra da viatura da PM com sargento preso evitou exposição do suspeito à imprensa
Manobra da viatura da PM com sargento preso evitou exposição do suspeito à imprensa

No momento, a polícia trabalha com a hipótese de que Zaira foi morta entre as 2h e as 3h da madrugada do dia 2. Até o momento, não há indícios de que uma segunda pessoa tenha participado do crime, e Pedro Inácio é o principal suspeito.

Pedro Inácio trabalhava no Fórum de Currais Novos, tinha uma relação de amizade com a jovem, com quem chegou a se relacionar algumas vezes, segundo o delegado Leonardo Germano. “Eles se conheciam da cidade de Currais Novos, e mantinham uma relação esporádica, eram amigos. Ambos solteiros, vez ou outra se encontravam, ficavam. Não eram namorados, não era esse tipo de relação.”, afirma o delegado.

O corpo de Zaira foi encontrado na manhã do sábado (2), dentro do carro de Pedro, na casa onde ele estava hospedado com amigos em Caicó durante o carnaval. Na versão inicial contada por Pedro à Polícia, ele afirma que deixou as amigas de Zaira na casa delas, por volta das 2h da madrugada. Em seguida, ficou sozinho com a jovem, com quem pretendia ter relações sexuais.

“Então ele [Pedro] fala que ela 'apagou', pelo fato dela ter ingerido bebida alcoólica. Por não ter conseguido acordá-la, ele afirma que optou por deixá-la dormindo dentro do carro. No outro dia, quando ele voltou, diz ter encontrado ela sem vida”, relata o delegado. De acordo com as evidências e testemunhas ouvidas pela Polícia, no entanto, a versão de Pedro não parece se sustentar.

“Das 2h às 3h da manhã foi o período que ele informou que estava com ela tendo relações sexuais. Segundo a investigação e o que temos de perícia, temos indicativos de que nesse momento, ela já estava morta”, afirma Leonardo Germano.

Zaira foi encontrada apenas no dia seguinte, por volta das 9h30 da manhã, quando uma das pessoas que estava na casa do bloco de carnaval tentou acordá-la, no carro, e constatou que ela estava sem vida. Quando a polícia chegou ao local para averiguar a ocorrência, ela não estava dentro do carro, pois havia sido retirada para receber primeiros-socorros. “Ela havia sido tirada na perspectiva de realização de primeiros socorros e reanimação, mas já estava sem vida há horas.”, diz o policial.

Testemunhas relataram à polícia que Zaira estava deitada no banco do carona, com o encosto completamente abaixado. A jovem estava vestida, de bruços, de forma a parecer que estava dormindo. “Ele alegou que deixou ela dormindo no carro porque no imóvel em que ele se encontrava só havia homens, e ele não se sentiu confortável em levá-la para dentro do estabelecimento. Algumas pessoas da casa chegaram a vê-la. Ele chegou por volta das 3h25 na casa. Algumas pessoas que estavam na casa a viram no banco, mas todos acharam que ela estava dormindo. No outro dia, às 9h30 da manhã, foi quando tentaram insistir em acordá-la e viram que ela estava morta.”, completa o delegado.

A polícia acredita que o homicídio aconteceu dentro do carro, mas em algum outro local. A princípio, não havia sinais de violência flagrante no corpo da jovem, como marcas de espancamento ou arranhões.

A investigação mostrou que a morte aconteceu por estrangulamento, através de um golpe conhecido como "mata leão" ou "gravata". Dezenas de testemunhas foram ouvidas a fim de tentar remontar a cronologia do crime, que foi possível graças às imagens registradas por câmeras de segurança. As câmeras mostravam o policial militar chegando ao imóvel em que estava hospedado, conhecido por La Bodeguita às 3h28 da manhã.

Exame
O suspeito chegou à sede do Itep, em Natal, dentro de uma viatura da Polícia Militar, por volta das 10h da manhã dessa sexta-feira. Ao identificarem a presença da imprensa em frente ao prédio, os policiais militares optaram por levá-lo para dentro do Instituto pela porta dos fundos, pela qual entrou escoltado pelos PMs rapidamente, para não ter sua imagem captada pela imprensa.

Normalmente, as pessoas supostamente envolvidas em crimes são conduzidas ao Instituto pela Polícia Civil, e desembarcam na porta da frente do Itep, com a escolta policial. Quando agentes de segurança são suspeitos, no entanto, a políciaCivil informou que é comum que a corporação da qual o suspeito faz parte faça a escolta para o exame - no caso de Pedro, a Polícia Militar.

Além de não ter entrado pela porta da frente, a viatura que conduziu o suspeito também optou por entrar dentro do pátio interno do Itep, para que a saída do suspeito também não fosse visualizada pela imprensa.

Justiça
Nas redes sociais, Maria Ozanete, mãe de Zaira, se manifestou a respeito da prisão do PM. "Nossas orações foram ouvidas por Deus. O meu coração está um pouco aliviado. Sei que não terei minha neguinha de volta, mas tenho certeza que a justiça será feita", escreveu Maria Ozanete em uma publicação na qual compartilhava a notícia sobre a prisão de Pedro.

Zaira tinha 22 anos, e cursava Engenharia Química na Universidade Federal Rural do Semi-árido, e ia se formar no início de 2020. Ela era a mais nova de três irmãs. A mãe, Maria Ozanete, de 53 anos, é esteticista, e a filha costumava ajudá-la no salão de beleza em Currais Novos, onde morava, 86 km distante de Caicó, onde foi morta durante o feriado de carnaval.

No último dia 11, Zaira teria completado 23 anos. Diversas pessoas deixaram mensagens nas redes sociais da jovem, a fim de homenageá-la. No sábado (10), manifestantes foram até a praça Cristo Reis, em Currais Novos, a fim de cobrar respostas sobre a morte da jovem. "Quem matou Zaira?", era a mensagem carregada por muitos em cartazes, a maior parte deles levados por mulheres que compunham o ato.











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