Governador do Maranhão cogita “fechamento total”

Publicação: 2020-04-23 00:00:00
BRASÍLIA - Apesar de estar em situação melhor em comparação a outros Estados na crise da covid-19, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), se prepara para o pior. "Tenho um decreto pronto de lockdown (fechamento total de atividades), se a ocupação de leitos de UTI chegar a 80%", disse ao Estado, se referindo à medida radical prevista para ser tomada na região metropolitana de São Luís. A rede estadual de saúde do Maranhão tem 400 leitos de UTI - 132 exclusivos para o coronavírus.

Atualmente, 95% dos casos confirmados no Estado se concentram nesta área, com cerca de 1,5 milhão de habitantes. A região estava com 70% dos leitos de UTI ocupados até anteontem, quando governo local alugou um hospital com 200 vagas para suprir a demanda. "A luta é todo dia. Já estou alugando outro hospital e contratando 200 leitos de hospital de campanha", disse.

Nessa região metropolitana, os moradores convivem atualmente com restrições brandas de isolamento social. Atividades essenciais funcionam e as demais estão paradas. No restante do Estado, a maioria das cidades não registra casos de novo coronavírus.

Nessas localidades é de responsabilidade dos prefeitos aplicar ou não restrições de isolamento. "Como, até agora, a capacidade hospitalar está assegurada e tenho mais leitos para entregar, estou num sentido otimista. Apesar do crescimento de casos, acho que a gente dá conta de segurar a demanda", afirmou Dino.

Na linha de frente do enfrentamento e com colegas já contaminados, o governador afirma que tenta se proteger contra o vírus. "Estou me cuidando e me agarrando a todos os santos. Só Nossa Senhora são oito aqui na minha sala", disse. Os governadores do Rio, Wilson Witzel, e do Pará, Helder Barbalho, foram infectados com a covid-19. "Essa é uma tendência. Você integra o serviço essencial e seu nível de exposição é alto."

Risco
Pelo menos sete Estados e o Distrito Federal afrouxaram as regras de isolamento social antes da semana passada. Para Domingos Alves, professor da USP de Ribeirão, a saída da quarentena é um erro. "Acho temerário fazer sem estar monitorando efetivamente a epidemia." Já o infectologista da Unifesp Paulo Olzon, afirma que a ideia de isolamento para todos foi inadequada desde o início. Ele defende que as pessoas do grupo de risco fiquem resguardadas e aqueles que estão fora voltem às atividades.

Eliseu Waldman, professor do Departamento de Epidemiologia da USP, também defende a abertura, mas sempre com os devidos cuidados. "Cabe a discussão, mas não é possível improvisar o retorno." (Colaborou Renato Vieira)