Governadores criticam cancelamento

Publicação: 2020-10-22 00:00:00
Governadores de diferentes partidos e regiões do País criticaram a decisão do presidente Jair Bolsonaro de suspender o acordo de compra da vacina Coronavac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantã Eles defenderam o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, classificaram a decisão de "política, eleitoral e ideológica" e cogitaram até acionar a Justiça para que os Estados tenham acesso a todas as vacinas.

Créditos: FREDERICO BRASIL/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOJoão Doria pediu ao presidente Jair Bolsonaro grandeza para liderar o País para a saúdeJoão Doria pediu ao presidente Jair Bolsonaro grandeza para liderar o País para a saúde

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), rebateu as declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, e pediu a ele "grandeza para liderar o País para a saúde". O tucano pediu ainda que ele respeite seu ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. "Não é razoável que um presidente não respeite seu ministro da saúde", disse Doria.

"A vacina do Butantã é a vacina do Brasil, de todos os brasileiros", disse. O medicamento, em fase de testes contra a covid-19, é desenvolvido pela chinesa Sinovac e o Instituto Butantã. Após o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciar nesta terça-feira a intenção de aquisição de 46 milhões de doses da vacina, o presidente Jair Bolsonaro publicou nesta quarta nas redes sociais que não iria comprar a "vacina chinesa".

Doria fez um discurso no Senado, acompanhado de alguns parlamentares, inclusive o deputado General Peternelli (PSL-SP) da base do governo federal. Antes das declarações, o grupo fez fotos com amostras da vacina Coronavac nas mãos. O diretor do Instituto Butantã, Dimas Covas, acompanhou a coletiva.Nas redes sociais, ao menos nove governadores já se pronunciaram de forma crítica contra a decisão do presidente. O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), afirmou que Bolsonaro só pensa em "palanque e guerra" e quer fazer uma "guerra das vacinas".

Ele defendeu a credibilidade do Instituto Butantã. "É um patrimônio do povo brasileiro, fundado há mais de 100 anos, e merece respeito. É um grande fornecedor de vacinas ao Ministério da Saúde. Qual a autoridade de Bolsonaro para tentar desmoralizar uma instituição e seus cientistas?", declarou, em sua conta no Twitter. Dino disse que governadores irão "ao Congresso Nacional e ao Poder Judiciário para garantir o acesso da população a todas as vacinas que forem eficazes e seguras". "Saúde é um bem maior do que disputas ideológicas ou eleitorais", disse. Na mesma linha, Paulo Câmara (PSB), governador de Pernambuco, afirmou que "a influência de qualquer ideologia em temas fundamentais, como a saúde, só prejudica a população".

Em um vídeo publicado no Twitter, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), declarou que a escolha da vacina "deve ser eminentemente técnica, e não política". O político defendeu a atuação de "instituições brasileiras renomadas que tratam do assunto", como o Instituto Butantã.