Governo avalia atos em vizinhos e teme 'contaminação'

Publicação: 2019-10-24 00:00:00
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Tóquio (AE) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou, em viagem ao Japão, que acionou o Ministério da Defesa para deixar as Forças Armadas de sobreaviso caso ocorram no Brasil protestos semelhantes aos do Chile e da Bolívia. "A gente se prepara para usar o artigo 142 da Constituição Federal, que é pela manutenção da lei e da ordem, caso eles (integrantes das Forças Armadas) venham a ser convocados por um dos três Poderes", disse o presidente.

Créditos: Rodrigo ABD/ECManifestantes e policiais entram em confronto durante protesto nas ruas de SantiagoManifestantes e policiais entram em confronto durante protesto nas ruas de Santiago
Manifestantes e policiais entram em confronto durante protesto nas ruas de Santiago

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Bolsonaro e setores de inteligência do governo monitoram com preocupação o cenário de conflito em países vizinhos. Há um temor de que o clima de revolta possa contaminar o Brasil, que também vive momento político conturbado.

A preocupação entre auxiliares do presidente está relacionada a possíveis confrontos violentos provocados pela polarização política no País. De um lado, a avaliação é de que o resultado do julgamento sobre a prisão em segunda instância no Supremo Tribunal Federal, retomado nesta quarta-feira, 23, pode ser o estopim de manifestações de apoiadores da Lava Jato e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pode ser libertado dependendo da decisão.

O jornal O Estado de S. Paulo mostrou que grupos isolados de caminhoneiros ameaçam promover protestos caso a votação no STF possibilite a soltura de Lula. Ministros também têm sido pressionados pelas redes sociais. Os órgãos de inteligência do governo monitoram, ainda, ameaça de greve dos petroleiros e, em paralelo, a criação do chamado Grupo de Puebla, uma tentativa de reorganizar o Foro de São Paulo.

Do Japão, onde acompanha o presidente pelo tour asiático, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, acusou a "esquerda radical" de estar por trás das manifestações nos países vizinhos. "Na América do Sul, estamos vivendo um momento difícil em que a esquerda radical, desesperada com a perda de poder, vai jogar todas as suas fichas na mesa para conturbar a vida dos países sul-americanos e tentar retornar ao poder de qualquer maneira e nos jogar no abismo que nós paramos na porta", disse.

Na avaliação de oficiais-generais ouvidos pelo Estado, embora os cenários sejam diferentes entre o Brasil e seus vizinhos, o monitoramento é necessário para identificar o que chamam de "contaminação". Além de Chile e Bolívia, também citam como exemplo Argentina, Peru e Equador.

A inquietação no Brasil, de acordo com esses militares ouvidos, pode ser agravada pela demora na recuperação da economia no País, principalmente na dificuldade de diminuir os índices de desemprego - hoje em torno de 12%. Pelo menos dois dos oficiais-generais citaram ainda o fato de o comando no País estar nas mãos do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) até sexta-feira, 25, quando o vice, Hamilton Mourão, retorna de uma viagem oficial ao Peru. Segundo na linha de sucessão, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, está em Londres.





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