Governo considera difícil votar reforma neste ano

Publicação: 2018-10-10 00:00:00 | Comentários: 0
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Até mesmo entre os auxiliares mais otimistas em relação à aprovação da reforma da Previdência enviada pelo governo Michel Temer, a avaliação é que será muito difícil chegar a um acordo neste ano para a votação da proposta do governo, que já foi aprovada na comissão da Câmara. O candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, declarou na noite desta terça-feira, 9, ao jornal Folha de São Paulo, que o projeto de Temer não deverá ser aprovado e ele próprio fará outro.

Especialista disse que Bolsonaro, se eleito, deve endurecer reforma; Haddad retomará projeto parado
Especialista disse que Bolsonaro, se eleito, deve endurecer reforma; Haddad retomará projeto parado

O  mercado financeiro que vê chances de Jair Bolsonaro (PSL), caso ganhe as eleições, apoia a proposta de postergação da votação. Sinais nessa direção foram repassados por interlocutores econômicos de Bolsonaro, segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo.

Outra resistência está no presidente do Senado, Eunício Oliveira, que já defendeu que a reforma da Previdência só seja apreciada depois que o novo presidente for eleito e no ano que vem: "Não posso aceitar que o mercado dirija os rumos da nação. Não conheço esse mercado, não recebi votos dele", disse Eunício.

Um dos maiores especialistas em Previdência do País, o economista Fábio Giambiagi disse nesta terça, 9, que, se houver vontade política, o próximo presidente terá legitimidade conferida pelas urnas para endurecer a proposta de reforma das aposentadorias que está suspensa no Congresso.

“Com a legitimidade que o próximo presidente terá após a elevada participação cívica, se ele estiver disposto a bancar uma reforma dura, terá espaço para fazer isso. Saberemos em janeiro", comentou Giambiagi ao participar de webinar transmitido pela consultoria GO Associados sobre a reforma previdenciária e o pós-primeiro turno.

Na avaliação do economista, pela resistência histórica do PT à reforma da Previdência, o caminho natural num governo Fernando Haddad - caso o petista seja eleito - será retomar a proposta parada na Câmara.

Já no caso de vitória de Jair Bolsonaro, o economista vê maior possibilidade de endurecimento da matéria, dada o respaldo do Congresso com a vitória de candidatos apoiados pelo presidenciável do PSL nas eleições para Câmara e Senado.

Para Giambiagi, Bolsonaro, que recebeu pouco mais de 46% dos votos válidos no primeiro turno das eleições, alcançou uma liderança política que não se via desde a chegada ao poder do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Se souber encaminhar a negociação com o Congresso, ele, Bolsonaro, consegue aprovar o que quiser", disse o economista, ponderando, contudo, que a estratégia do capitão da reserva de recusar a negociação com as cúpulas partidárias não é inteligente. No “varejo", observou Giambiagi, Bolsonaro teria que fazer 330 negociações na Câmara para conseguir uma margem segura para colocar em votação emendas constitucionais, cuja aprovação depende do aval de pelo menos 308 deputados. “É mais complicado do que negociar com os partidos."

Giambiagi, que é economista-chefe do BNDES, defendeu mais uma vez que, diante do aumento das despesas previdenciárias em “vários bilhões" desde que a matéria entrou em pauta no Congresso, o País precisa de uma reforma mais dura do que a da proposta original encaminhada pelo presidente Michel Temer à Câmara - que fixava uma idade mínima de aposentadoria de 65 anos tanto para homens quanto para mulheres.

O texto foi flexibilizado nas negociações do Planalto com os parlamentares, sendo retirada a equalização das idades mínimas de aposentadoria entre homens e mulheres. Pela última versão, arquivada com a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro em fevereiro, as idades mínimas começariam, de imediato, em 53/55 anos (mulheres/homens) e, num prazo de 20 anos, evoluiriam gradualmente para 62/65 anos.

A proposição de Giambiagi é mudar as faixas etárias iniciais: 57 anos de idade mínima para mulheres e 60 anos para homens. “Cabe elevar o sarrafo e o novo presidente estará em condições ideais para isso com a legitimidade das urnas".





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