Internacional
Governo da Argentina congela preços por 90 dias
Publicado: 00:00:00 - 15/10/2021 Atualizado: 22:11:58 - 14/10/2021
Ogoverno argentino anunciou que vai manter congelados por 90 dias os preços de mais de mil produtos da cesta básica, em uma tentativa de conter a inflação, uma das mais altas do mundo, que acumula 37% em 2021. “Esses 1.247 produtos com preços congelados serão uma âncora para a inflação”, afirmou ontem o secretário de Comércio Interior, Roberto Feletti. 

Reprodução/Twitter
Presidente  Alberto Fernández (à direita) volta a adotar controle governamental de preços

Presidente Alberto Fernández (à direita) volta a adotar controle governamental de preços


Os preços dos produtos, correspondentes a alimentação e limpeza, devem recuar até 1º de outubro e permanecer inalterados até 7 de janeiro.

“O fundamental é frear a inflação e garantir um trimestre de muito consumo", declarou Feletti à rádio El Uncover. O índice de inflação da Argentina foi de 3,5% em setembro, o que elevou a taxa interanual para 52,5%, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas.

A inflação é um problema persistente na Argentina, que registra taxas anuais de dois dígitos há duas décadas. O acordo de preços amplia e reforça o programa “Preços Cuidados", lançado em 2014 para estabelecer valores de referência de 500 produtos básicos da cesta familiar, como instrumento de combate à inflação. O novo “pacto de preços” foi aprovado no âmbito de protestos de organizações sociais, que exigem mais assistência e subsídios alimentares devido à crise econômica, que mantém 40% da população na pobreza.

Semanas atrás, o governo do presidente argentino Alberto Fernández decidiu aumentar em 16% o salário mínimo, para elevá-lo a 33 mil pesos mensais (US$ 317, o equivalente a R$ 1,74 mil na cotação atual), menos da metade do valor da cesta básica de uma família típica, segundo o Indec. Também anunciou o pagamento, a partir de outubro, de um complemento que beneficiará quase 2 milhões de assalariados registrados. A Argentina irá realizar eleições legislativas em 14 de novembro, nas quais o governo tentará manter a maioria no Senado, faltando dois anos para o fim de seu mandato.

Segundo informações do jornal argentino Clarín, os empresários ficaram surpresos com o pedido para o acordo no sentindo de manter os preços sem alteração por noventa dias. Eles questionaram se o congelamento também será imposto aos fornecedores de insumos. O pedido do governo antecede a divulgação do índice de preços ao consumidor de setembro na Argentina. As projeções indicam que o aumento para o mês fique acima de 3%. No ano passado, houve uma tentativa de congelamento, como meio de amortecer os impactos econômicos da pandemia de coronavírus.

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