Governo do RN anuncia reabertura econômica para 15 de julho; veja o que poderá funcionar

Publicação: 2020-07-09 00:00:00
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Luiz Henrique Gomes
Repórter

Um dia após confirmar o adiamento da retomada do processo de reabertura das atividades econômicas no Rio Grande do Norte, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN) anunciou nesta quarta-feira, 8, que a Fração 2 da Fase 1 prevista para iniciar no próximo dia 15. A data inicial era neste dia 8, mas foi inviabilizada em razão do índice de ocupação de leitos críticos públicos destinados aos pacientes com covid-19 estar acima dos 80% na data inicialmente programada. O Governo do Estado mantém esse percentual como balizador para a confirmação da reabertura do comércio e serviços não essenciais na próxima semana. 

Créditos: DEMIS ROUSSOSEm coletiva de imprensa, o secretário adjunto de Saúde do Estado,  Petrônio Spinelli, detalhou que retomada depende de percentual de ocupação de UTIs em 80%Em coletiva de imprensa, o secretário adjunto de Saúde do Estado, Petrônio Spinelli, detalhou que retomada depende de percentual de ocupação de UTIs em 80%


Após a confirmação do adiamento, a maioria das cidades da Grande Natal anunciou que vai seguir as recomendações estaduais. A exceção é a capital. A postergação da Fração 2 da reabertura foi adotada pelos municípios de Macaíba, São Gonçalo do Amarante, Ceará-Mirim e Extremoz. Esse último está sob um decreto municipal mais rígido que o estadual. A Prefeitura de Parnamirim, terceira maior cidade potiguar, não se pronunciou até a publicação desta reportagem sobre o assunto. 

A Região Metropolitana de Natal possui a situação mais crítica da pandemia do novo coronavírus, com 94,6% dos leitos críticos específicos para o tratamento da covid-19 ocupados, ao lado da região do Mato Grande, que possui 100% de ocupação dos leitos nos hospitais públicos. A ocupação dessa região reflete na Grande Natal por causa da proximidade: pacientes que necessitem dos leitos críticos no Mato Grande podem ser transferidos para a Região Metropolitana se houver vagas. O percentual de ocupação em toda rede pública de saúde é um pouco menor, de 92,4%. Em toda rede pública, 220 leitos estavam ocupados e 18 estavam vagos até o início da noite desta quarta-feira, 8.

Por enquanto, a autorização para funcionar permanece para os estabelecimentos incluídos na Fração 1, iniciada no dia 1º de julho. Podem funcionar lojas com ‘portas para a rua’ de até 300 metros quadrados de parte dos segmentos comerciais (veja no fim da reportagem a relação completa dos estabelecimentos com autorização para funcionar na Fração 1). A nova etapa, denominada Fração 2, permitiria a abertura de restaurantes com até 300 metros quadrados e lojas de 600 metros quadrados de diversos segmentos comerciais.

Decretos Municipais
A maioria dos decretos municipais serão publicados nesta quinta-feira, 9, com a prorrogação da Fração 1 da reabertura gradual. As ‘frações’ são subdivisões das fases estabelecidas pela reabertura. São três fases, com duas frações cada. No dia 1º de julho, a primeira fase teve início no Estado. Natal antecipou a reabertura em um dia, em 30 de junho, e começou a segunda fração na terça-feira, 7. Mossoró também divergiu do governo estadual e iniciou a segunda fração nesta quarta-feira, 8.

Governo do RN defende prorrogação da Fração 2
Nesta quarta-feira, 8, o governo estadual voltou a defender a prorrogação da Fração 2. O secretário adjunto de Saúde do Estado, Petrônio Spinelli, considerou que o momento atual da pandemia do novo coronavírus no Rio Grande do Norte ainda é “delicado, com avanços e riscos. “Houve avanços positivos como a redução na pressão por leitos de UTI, a abertura de novas UTIs e a redução na taxa de transmissibilidade. Mas há risco muito alto porque não atingimos a redução necessária na ocupação de leitos para 80%”, disse. 

Balanço divulgado pela Sesap/RN apresentou pelo segundo dia consecutivo um número de pacientes em estado grave na fila de espera inferior ao número de leitos vagos. A fila de regulação para internamentos em leitos críticos listava 10 pessoas. Spinelli ressaltou que “a evolução [de leitos vagos] de hoje não tem o impacto do isolamento social dos últimos dez dias” e acrescentou que “o momento é de muita prudência, cautela, de atender as recomendações da ciência para salvar vidas.”

Segundo a Sesap/RN, a existência de uma fila de espera mesmo com leitos vagos pode ser causada por três situações: o quadro clínico do paciente que está na fila não se encaixa no tipo de perfil de leito de UTI disponível, como, por exemplo, grávidas com Covid-19; os leitos disponíveis podem estar em regiões diferentes da que o paciente está, impossibilitando a transferência caso ele esteja em estado grave; e, por último, o paciente pode estar indicado ao leito, mas ainda aguarda a transferência.


Veja abaixo quem adiou a reabertura e quem reabriu
Seguem recomendação do Estado:
Macaíba
Ceará-Mirim
Extremoz (decreto mais rígido, com toque de recolher e suspensão de feiras livres até 14 de julho)
São Gonçalo do Amarante
 
Não segue
Natal
 
Não respondeu
Parnamirim
 
Estabelecimentos que permanecem autorizados a funcionar pelo Estado:
Estabelecimentos de atividades de informação, comunicação, agências de publicidade, design e afins;
Centros de distribuição, distribuidoras, depósitos;
Atividades dos serviços sociais autônomos (Sistema S) e afins, excluídas as escolas a eles vinculadas;
Salões de beleza, barbearias;

Lojas de até 300 metros quadrados com porta para a rua dos seguintes ramos:
Papelarias, bancas de revistas;
Comércio de produtos de climatização;
Comércio de bicicletas e acessórios;
Comércio de vestuário; e armarinho.  
 
Estabelecimentos que estariam autorizados pelo Estado para funcionar na segunda fração da reabertura gradual da economia, suspensa:
Serviços de alimentação de até 300 metros quadrados; 

Estabelecimentos com até 600 metros quadrados e com porta para a rua dos seguintes ramos: 
Comércio de móveis, eletrodomésticos e colchões; 
Lojas de departamento e magazines não localizados dentro de shopping centers ou centros comerciais; 
Agências de turismo; 
Comércio de calçados; 
Comércio de brinquedos, artigos esportivos e de caça e pesca; 
Comércio de instrumentos musicais e acessórios; de equipamentos de áudio e vídeo; 
De eletrônicos/informática; 
De equipamentos de telefonia e comunicação; 
Joalherias, relojoarias, bijuterias e artesanatos; 
Comércio de cosméticos e perfumaria.



Fonte: Governo do RN